terça-feira, 23 de agosto de 2016
Aniversário do Plano Macroeconómico do PS
Carlos Guimarães, Insurgente, 16 de Agosto de 2016
Celebra-se por estes dias o 1.º aniversário do plano Macroeconómico detalhado que o PS apresentou a eleições. O plano foi louvado pela imprensa e muitos comentadores como algo inovador, como a demonstração da preparação técnica do PS para governar. Os leitores mais frequentes do blog lembrar-se-ão que, por inúmeras vezes, pedimos aqui que fosse disponibilizado o modelo que deu origem ao plano, sempre sem sorte. Na altura, coloquei aqui em causa se os pressupostos e resultados eram realistas. Passado quase 1 ano da sua apresentação, podemos hoje verificar como está a correr a implementação desse plano.
Nos gráficos abaixo podem ver na primeira coluna aquilo que os economistas do PS previam que iria acontecer em 2016 se o PS fosse governo. Na segunda coluna, aquilo que os economistas do PS previam que iria acontecer em 2016 se o PSD/CDS se mantivessem no poder. Na terceira coluna, podem ver o que está realmente a acontecer até ao final do 2.º semestre.
Os gráficos falam por si: Os números homólogos indicam que temos um terço do crescimento, um terço do emprego criado e um crescimento da dívida pública em vez da prevista queda. Não só a economia está bastante pior do que o plano original do PS, como está bem pior do que o PS previa que iria estar se PSD/CDS fossem governo.
Reparem que isto não são números do PSD ou do CDS. São os próprios números do PS que dizem que a economia estaria melhor se eles não tivessem sido governo. Veremos se os próximos 6 meses reverterão a situação. Cá estaremos para acompanhar.
Para além de Mário Centeno, estiveram envolvidos na elaboração desse plano as seguintes pessoas:
Vítor Escária
Fernando Rocha Andrade
Francisca Guedes de Oliveira
João Nuno Mendes
João Leão
Manuel Caldeira Cabral
Paulo Trigo Pereira
João Galamba
José Vieira da Silva
Elisa Ferreira
Sérgio Ávila
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Crime de «lesa-pátria»
Oficiais das Forças Armadas criticam
negócio aéreo do combate aos fogos
Joana Almeida Silva, Jornal de Notícias, 11 de
Agosto de 2016
O presidente da Associação de Oficiais das Forças
Armadas, António Mota, diz que é um «crime de lesa-pátria» a
atribuição a empresas privadas do combate aéreo aos fogos florestais.
«O poder político afastou por completo a Força
Aérea do combate aos incêndios e isso ninguém entende. É um crime de
lesa-pátria», critica o presidente da Associação de Oficiais das Forças
Armadas, António Mota, em declarações ao «Jornal de Notícias».
Aquele tenente-coronel diz que não faz sentido os
portugueses estarem a pagar o combate aos incêndios a empresas privadas depois
de existir uma rede da Força Aérea capaz de responder ao flagelo, com
aeródromos e profissionais.
«Os pilotos são pilotos o ano todo e não apenas no
Verão. São custos que os portugueses já têm. O piloto tanto sai para fazer o
transporte de bombeiros para a Madeira, como está a acontecer agora, como segue
para apagar um fogo em Arouca», disse.
António Mota acrescenta que «os militares estão
preparados e interessados nessa missão, mas alguém decidiu retirar essa
competência à Força Aérea. É um negócio que envolve muitos milhões de euros».
Críticas no Facebook
As declarações do presidente da AOFA surgem horas
depois de ter surgido na página oficial da associação no Facebook uma
publicação assinada por um coronel que critica o «negócio» aéreo que envolve o
plano de combate a incêndios em Portugal.
O texto, assinado por João Marquito, deixa clara a
crítica à forma como foi retirada às Forças Armadas a função de operar os meios
aéreos envolvidos no combate aos incêndios.
«O MAI (Ministério da Administração Interna)
recusou entregar à Força Aérea, a gestão e operação dos meios aéreos de combate
a incêndios, bem como os de emergência médica, optando por manter o actual
estado de coisas, com várias entidades, várias frotas, cada uma no seu
‘interesse’ e custos acumulados para todos, incluindo contratação dentro e fora
do país», pode ler-se na publicação.
Parece impossível... No final do século passado,
enquanto o combate aos incêndios florestais foi uma «Missão», a Força Aérea
Portuguesa operava os meios aéreos em Portugal, mas quando esse combate passou
a ser um «Negócio» arrumaram-se os C-130, os kit MAFFS para os equiparem
ficaram a apodrecer, os bombeiros exaustos, os meios de substituição não aparecem
e....o flagelo continua.
Quais as vantagens? A centralização dos meios
aéreos na Força Aérea com custos reduzidos para o erário público, bem como a
poupança em termos de manutenção (dado o background existente)
e uma logística dos meios incomensuravelmente mais rápida e operacional.
Parece que, conforme noticiado em 9 Junho de 2016,
o MAI recusou entregar à Força Aérea, a gestão e operação dos meios aéreos de
combate a incêndios, bem como os de emergência médica, optando por manter o
actual estado de coisas, com várias entidades, várias frotas, cada uma no seu
«interesse» e custos acumulados para todos, incluindo contratação dentro e fora
do país.
Espanha, EUA, Grécia, Croácia, Marrocos, são
exemplos de países onde os meios aéreos de combate a incêndios são operados
pela Força Aérea local. Parece impossível...
Estudo na gaveta
O anterior governo pediu um estudo sobre a resposta
aérea de combate aos incêndios, que defende o regresso dessa competência para a
Força Aérea.
A garantia é reiterada pelo presidente da
Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), António Mota, que explicou ao
JN que nesse relatório se identificam os meios que a Força Aérea precisaria de
voltar a ter para assumir a responsabilidade.
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Os amorais
João Gonçalves, Jornal de Notícias, 8 de Agosto de 2016
Costa move-se sempre no limiar do delito político. Começou por derrubar Seguro depois de este ter dado duas vitórias ao partido. A seguir, recuperou algum pessoal do «socratismo», desprezando ostensivamente Sócrates, quando percebeu que a «teoria do poucochinho» se ia virar contra si. O poucochinho das legislativas levou-o a arranjar comparsas que lhe dessem o que faltava. Começou, aliás, a tratar disso mal leu o destino na opinião pública. Arranjou uma maioria parlamentar, esquadrinhada em três ou quatro papeletas bilaterais, que lhe permitiu um Governo minoritário, um programa, um Orçamento falacioso e outras bizarrias que vão saindo no «Diário da República». Os comparsas do Bloco e do PC não se preocupam excessivamente com detalhes. O que ainda há menos de um ano seria alvo de intensa berraria e «luta», agora faz-se de conta que não existe. Para estes beneméritos, não há aumento directo ou encapotado de impostos, não há caciquismo PS e não existem reclamações acerca do estado geral da nação. A ausência da «direita» do poder basta a estas almas hipócritas como consolo. A tolerância destes novos beatos, sobretudo os invertebrados e laicos do Bloco, para com o Governo de Costa também se nota em coisas como as que envolveram o ministério do dr. Brandão e três secretários de Estado por causa da bola e de uma empresa privada. Do primeiro, veio a «fonte» que induziu este jornal a um título, desmentido adequadamente na edição seguinte, sobre um juiz que alegadamente seria «interessado» numa sentença desfavorável ao ministério. Este episódio induzido deu azo a um artigo repelente do «Público» que mais parecia um relatório pidesco sobre a vida privada do juiz. O assunto, não encerrado, dos secretários de Estado seria simplesmente grotesco e irrelevante, se as reacções oficiais não tivessem sido o absurdo que foram, revelando uma falta de escrúpulos pela inteligência do comum dos cidadãos. Não existem «usos e costumes» que desculpem atitudes, activas ou passivas, que anulam qualquer tipo de autoridade política ou administrativa e que desprestigiam o Estado. Tudo e todos somados, parece estarmos entregues a amorais simples, ou seja, a políticos que ignoram o imperativo categórico da interiorização, da vinculação absoluta e da espontaneidade dos deveres éticos. É o Portugal contemporâneo de que Oliveira Martins narrou, como ninguém, o «exemplo singular de desordem moral», das «podridões do egoísmo» e dos «defeitos próprios de aventureiros».
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Uma lei que não pode ser melhorada
Pedro Vaz Patto
No momento em que escrevo, o Parlamento acaba de
aprovar uma nova versão do projecto que legaliza a maternidade de substituição.
Para os proponentes, trata-se da resposta ao apelo do Presidente da República
no sentido de «melhorar» a primeira versão dessa lei, suprindo algumas lacunas
já anteriormente apontadas em dois pareceres do Conselho Nacional de Ética para
as Ciências da Vida (C.N.E.C.V.). Impõe-se afirmar, com vigor e clareza, que
uma qualquer lei que legalize a maternidade de substituição não pode ser
«melhorada», porque esta é uma prática intrinsecamente contrária à dignidade
humana (e, assim, contrária ao disposto no artigo 67.º, n. 2, e), da
Constituição portuguesa) e nenhum enquadramento jurídico poderá obviar a isso.
Os problemas que pode suscitar nunca serão resolvidos de forma satisfatória e
só a sua proibição em qualquer caso os afasta. Essa proibição vigora em muitos
países e também é preconizada na recente Resolução do Parlamento Europeu
2015/2229 (N), de 17 de Dezembro de 2015, aprovada por larga maioria (e
referida na mensagem do Presidente da República). O vigor e clareza dessa
afirmação não provém apenas da área doutrinal em que me situo. Provém também
de movimentos feministas de vários países (que confluem na plataforma
internacional Stopsurrogacynow), os quais vêm denunciando essa
prática como de exploração das mulheres mais vulneráveis, chegando a compará-la
à escravatura. Essa legalização é apresentada com a marca de uma política
«progressista», quando, noutros países, muitas são as vozes tidas por
«progressistas» e «de esquerda» que a rejeitam («um retrocesso social» e
«o novo domínio da alienação» – de acordo com um manifesto da
Fundação Terra Nova, próxima do Partido Socialista francês).
É verdade que a lei aprovada veda a exploração
comercial da prática, onde residiriam os maiores riscos de exploração das
mulheres pobres. O legislador não pode, porém, ignorar a realidade sociológica
e o risco de tal proibição ser torneada através de pagamentos ocultos ou em
espécie. Só situações de grande carência económica levam mulheres a sujeitar-se
a tão traumatizante experiência (não é por acaso que a prática se vem
difundindo na Índia ou na Tailândia). De acordo com o manifesto feminista
italiano Se non ora quando-Libere, «a ‘maternidade de substituição’
nunca é um acto de liberdade ou de amor, é sempre um acto de desespero».
Neste contexto, a gratuidade do contrato pode representar uma forma de
exploração ainda mais acentuada.
Mesmo que assim não seja em situações excepcionais
(e nenhuma lei se destina a situações excepcionais, mas às que são regra), deve
sublinhar-se, de qualquer modo, que a instrumentalização da pessoa (da criança
e da mãe gestante), reduzida a objecto de um contrato e de um desejo de outrem,
não deixa de verificar-se pelo facto de esse contrato ser gratuito. Também pode
ser instrumentalizada a pessoa altruísta e desinteressada. O aproveitamento
dessa generosidade para uma prática desumana será de igual modo censurável.
O recurso a amigas ou familiares (a maternidade de
substituição de proximidade) pode originar ainda mais problemas, com a
coexistência de duas figuras maternas «em concorrência». Quando há laços de
parentesco, suscitam-se gravíssimas consequências que já foram designadas como
«curto-circuito geracional»: a criança com uma mãe gestante que é,
simultaneamente, também sua avó, ou também sua tia.
Também não colhe invocar o consentimento livre e
consciente da mulher gestante. Porque em situações de grave carência e
desespero, tal consentimento nunca será autêntico. E porque a dignidade humana
tem uma dimensão objectiva e indisponível que impede a justificação das ofensas
a essa dignidade pelo consentimento da vítima.
Por tudo isto, nem a referida Resolução do
Parlamento Europeu, nem a referida plataforma feminista internacional,
distinguem entre uma maternidade de substituição maligna e comercial e uma
maternidade de substituição supostamente benigna e altruísta.
Com a legalização da maternidade de substituição,
quer o filho, quer a mãe, são, pois, reduzidos a objecto de um contrato (seja
ele oneroso ou não).
A mãe gestante não pode deixar de viver a gravidez
como sua. O útero é inseparável do corpo e da pessoa, não é um alojamento
temporário, ou um instrumento técnico. A mulher não é uma máquina incubadora. A
gravidez não é uma actividade como qualquer outra; transforma a vida da mulher
fisica, psicologica e moralmente. Envolve toda a pessoa da mulher, pessoa que
não tem um corpo, é um corpo. A
instrumentalização do corpo traduz-se na instrumentalização da pessoa.
Na maternidade de substituição, o abandono da
criança é, não um evento inevitável que deva ser remediado através da adopção,
mas uma consequência deliberadamente programada, institucionalizada pela lei, a
qual veda a obrigação mais espontânea e natural que existe: a de assumir a vida
que se gerou. Impor contratualmente uma obrigação de abandono do filho que se
gerou é, como afirma a filósofa feminista francesa Sylviane Agacinsky
(promotora da plataforma Collectif pour le respect de la personne),
«violentar sentimentos humanos profundos e legítimos» e «ferir
emoções humanas elementares».
Para limitar essa tão desumana imposição, há quem
proponha (e há legislações que a consagram) a possibilidade de arrependimento
da mulher gestante durante todo o período da gravidez, ou até algumas horas
após o nascimento. Desse modo, pode dizer-se que serão frustradas as
expectativas do casal beneficiário. A lei que acaba de ser aprovada não aponta
nesse sentido. Faz prevalecer, pelo contrário, os interesses do casal
beneficiário, o seu suposto direito ao filho «encomendado» e a
rigidez fria da vinculação contratual (pacta sunt servanda), sobre o
sofrimento da mãe gestante, votado à indiferença.
Compreende-se, assim, como a contratualização da
gestação se traduz na instrumentalização da pessoa. Essa lógica de
instrumentalização da pessoa acarreta, com frequência, a imposição de regras de
conduta durante a gravidez nos domínios mais pessoais e íntimos. Sobre esta
questão, pronuncia-se também Silvanne Agacisnky (in Le corps em miettes;
Flamarion, 2013, pgs. 92 e 93):
«Pedir a uma mulher para estar grávida em
substituição de outra significa concretamente que ela deve viver nove meses,
vinte e quatro horas sobre vinte e quatro, abstraindo-se da sua própria
existência corporal e moral. Deve transformar o seu corpo em instrumento
biológico do desejo de outrem, em suma, deve viver ao serviço
de outrem, retirando à sua existência qualquer significado para ela própria.»
Pretendendo colmatar uma das lacunas apontadas pelo
C.N.E.C.V. e pelo Presidente da República, a lei agora aprovada proíbe a
imposição desse tipo de regras. Mas tal proibição pode não ser suficiente para
evitar a sua imposição na prática, pois só elas são coerentes com a motivação
que preside ao contrato: a contratualização da gestação, sendo que esta envolve
toda a pessoa e toda a vida da mulher.
O filho é tratado como objecto do contrato. Essa
circunstância, por si só, ofende a sua dignidade. Não pode dizer-se que objecto
do contrato é, antes, apenas uma prestação por parte da mulher gestante. O que
pretendem, e o que move, os requerentes ou beneficiários não é apenas a
gestação, mas a entrega da criança fruto dessa gestação.
Todos os contratos de maternidade de substituição
envolvem um grave dano para a criança, que sofre o trauma do abandono, a quebra
abrupta da intensa relação física, psíquica e afectiva (sobre que cada vez há
mais informação científica) tecida com a mãe durante todo o período da
gestação. A criança fica privada do saudável reconhecimento do corpo onde
habitou na primeira etapa da sua existência. Nesta medida, a maternidade de
substituição representa sempre a sobreposição do desejo dos requerentes ao bem
da criança.
Mas a lógica da instrumentalização (ou
«coisificação») do filho pode ir mais longe.
Outra das lacunas que a lei agora aprovada pretende
colmatar diz respeito às situações em que vem a verificar-se malformação ou
doenças do feto. São conhecidos casos de recusa, pelos requerentes, da criança
recém-nascida portadora de deficiência, ou de exigência de prática de aborto do
feto portador de deficiência. Não se trata de hipóteses académicas, mas de
situações já ocorridas em vários países. A lei aprovada estipula apenas que o
contrato deve contemplar a regulação desta eventual ocorrência, não excluindo,
pois, que as partes possam acordar no sentido da obrigação da prática do
aborto, sob pena de declinação de qualquer responsabilidade do casal beneficiário
para com a criança nascida. Eis-nos perante a expressão máxima (em toda a sua
crueza e crueldade) da lógica da «coisificação» do filho «encomendado» e da
«cultura do descartável»: o «produto» rejeitado por «defeito de fabrico», pela
falta da «qualidade» pretendida e contratada. O filho que não vale por si, mas
porque (e na medida em que) corresponde a um desejo bem determinado. E eis-nos
também perante a expressão máxima de insensibilidade perante o drama da mulher
gestante, a quem se impõe a violação da mais espontânea e natural das
obrigações (cuidar da vida que traz dentro de si), não apenas através do
abandono do seu filho, mas (mais grave ainda) através da supressão da vida
deste (o aborto já não como opção, mas como obrigação).
quinta-feira, 28 de julho de 2016
(Des)Culpa Ateia
Maria João Marques, Observador, 27 de Julho de 2016
Que semana atroz. A degolação de um padre católico ontem em França introduziu na Europa aquilo que tem sido uma característica do extremismo islâmicos nos últimos tempos: perseguir os cristãos. Um dos primeiros raptos do ISIS, ainda grupelho desconhecido, foi de um padre jesuíta. Ora, sem surpresa, ontem o atentado de Rouen causou uma reacção pavloviana da nossa esquerda jacobina.
Ou falta de reacção, em alguns casos, e igualmente sintomática. Por exemplo o primeiro-ministro, que não reagiu mesmo depois de o ISIS reivindicar a bela acção durante uma missa. Um ataque directo à religião maioritária dos seus governados não lhe mereceu comentário oficial. Nem no twitter, onde se embaraça com frequência a propósito de demasiados assuntos: durante a noite do atentado de Nice perorou em francês; disse a correr umas banalidades sobre amor inspiradas em Corín Tellado depois do atentado de Orlando; e – a mais estonteante – escreveu do atentado de Munique que o terror veio «do nada».
(Se faz favor ninguém informe António Costa do avião que explodiu por cima de Lockerbie. Ou que a 11 de Setembro de 2001 morreram quase três mil pessoas nas Torres Gémeas. Porque, por um lado, Costa tem todo o ar de ser pessoa para apreciar viver feliz na ignorância. E, por outro, está muito calor, e a notícia assim de chofre do terror islâmico não surgir do nada em 2016, pelo contrário, já matou muitos milhares de pessoas, ainda lhe provocava uma indisposição. O que, em calhando, o poderia levar a tornar-se ainda mais emocionalmente carente do que o habitual, e o senhor já nos envergonha o suficiente em estado normal a pedir «palavras de carinho», em vez de sanções, à instituição hiper-burocrática que é a União Europeia, habituada a que os políticos discutam impostos, fundos e indicadores económicos em vez dos seus devaneios emocionais.)
Já Fernanda Câncio, que funciona como uma espécie de definidora de tendências da esquerda socialista (por quem é absolutamente reverenciada, talvez pela sua destemida defesa das mais absurdas e ruinosas políticas socráticas), reagiu. Dizendo no twitter que uma notícia, dando conta do reconhecimento de que os atacantes de Rouen eram tropa do ISIS, era «fazer a propaganda do Daesh». Como se trata de uma jornalista – pelo que se pode presumir que vê como um bem as populações estarem informadas do que de relevante se passa no país e no mundo – que, tanto quanto sei, não sugeriu a sonegação de informações sobre os atentados de Orlando, Nice, Paris ou Bruxelas, ficamos desconfiados que o desconforto repentino com as notícias da brutalidade do ISIS se deve à qualidade de religioso católico do degolado e não à seita de assassinos islâmicos.
De facto, em certos meios um padre brutalmente assassinado por islâmicos é algo que mais vale ficar nas gavetas da polícia, não vamos incomodar as pessoas com estes assuntos tão sem importância. Ainda se fosse ao contrário, imaginem lá bem a comoção que seria por toda a comunicação social, os êxtases que teria a facção jacobina de esquerda, se um católico ultra-conservador assassinasse um clérigo muçulmano numa mesquita europeia. Isso sim, mereceria ser noticiado até à exaustão. Agora apresentar os católicos como vítimas? Era o que faltava. O jornalismo (jacobino) não foi feito para isso.
Na semana passada teci umas considerações sobre os europeus que se tornam cúmplices dos islâmicos violentos ao tão obcecadamente denunciarem quem enumera os perigos para a Europa da imigração muçulmana, ao mesmo tempo que encontram as justificações mais alucinadas para os actos dos terroristas islâmicos e pregam. Esta semana houve acrescentos. Agora, pelos vistos, a culpa dos atentados é das notícias sobre os atentados. Pessoas (por acaso islâmicas) perfeitamente normais, integradas, amigas do seu amigo e amantes de fotografias de gatinhos ouvem na TV que um maluco muçulmano disparou sobre este e aquele. Vai daí, são tomadas – assim com Ben Gazzara num dos meus filmes preferidos, Anatomia de um Crime, de Otto Preminger – por um «impulso irresistível» e quando dão por elas mataram meia dúzia a eito. É uma explicação perfeitamente plausível para o terrorismo islâmico.
Peguemos no degolador de Rouen. Estava referenciado como extremista islâmico perigoso e em prisão domiciliária com pulseira eletrónica. Já tinha tentado juntar-se ao ISIS na Síria. Donde: é evidente que assassinou um senhor de 86 anos por causa das notícias que leu no tablet.
A morte do padre católico também nos lembra que para a esquerda jacobina não interessa se existem tribunais da sharia na grande Londres, dispensando justiça (muita tosse) à margem da lei britânica. O que lhes dá ataques de nervos é, por exemplo, usarem dinheiro dos contribuintes para pagarem um bom projecto educativo que uma ordem religiosa disponibiliza a uma população de miúdos carenciados. Se os islâmicos ajudarem a escaqueirar o que sobra da cultura judaico-cristã (ou greco-cristã, como alguns preferem) – que é a nossa e que não por acaso permitiu a emergência da sociedade mais livre e tolerante de todos os tempos – em boa verdade então são companheiros de armas da esquerda jacobina. Que, de resto, adora abusar da alegada necessidade de não ofender o islão (no seu pedestal) para atacar, até, as celebrações católicas de Páscoa e Natal.
Duas coisas são certas. Uma: para responder ao terrorismo não podemos confiar nos líderes políticos que escancararam as portas aos refugiados (Merkel), ou que diziam que os terroristas viajavam de avião (Guterres). (O bombista do festival de Ansbach foi um migrante que supostamente fugia da guerra). Duas: a falta de garra na oposição às barbaridades islâmicas várias na Europa – por exemplo as burqas, símbolo da mulher-que-vale-menos-que-gado – é filha do desprezo jacobino pela cultura europeia, que inclui a herança cristã.
O cardeal Burke adverte
que o Islão quer governar o mundo
Ante el aumento de ataques islamistas en suelo occidental, el cardenal Raymond Burke, patrono de la Soberana Orden de Malta, ha advertido que el Islam «quiere gobernar el mundo» y ha hecho un llamamiento a las naciones occidentales a reafirmar su origen cristiano para frenar su avance.
(La Gaceta) En declaraciones a Religion New Service, previas al atentado de ayer en Francia, el cardenal Burke ha criticado a quienes, con el buen propósito de ser tolerantes, tienden a pensar que el Islam es una religión como la fe católica o la fe judía, sin comprender que el Islam es «fundamentalmente una forma de gobierno».
«El Islam es una religión que, según su propia interpretación, también debe convertirse en el Estado», explica Burke en su libro Esperanza para el mundo. La diferencia entre Islam y cristianismo radica en que la primera tiene una clara ambición de gobernar, según este cardenal.
«Cuando se convierten en una mayoría en cualquier país, entonces tienen la obligación religiosa de gobernar ese país», ha sostenido este cardenal, al tiempo que ha defendido que si lo que quieren los ciudadanos occidentales es ser gobernados por musulmanes, sólo deben continuar actuando como lo han hecho hasta el momento.
Burke también ha señalado el grave problema que afrontan países como Bélgica o Francia, donde «hay pequeños estados musulmanes» que constituyen zonas prohibidas para las autoridades gubernamentales. Ha advertido, además, que quienes no estén de acuerdo con ser sometidos por un gobierno islámico, tienen razones para tener miedo ante esta perspectiva.
Asimismo, este cardenal ha hecho referencia a enfrentamientos históricos como la batalla de Lepanto y la batalla de Viena, en los que las naciones cristianas lograron derrotar a las fuerzas musulmanas. «Estos hechos históricos se relacionan directamente con la situación de hoy en día. No hay duda de que el Islam quiere gobernar el mundo», ha reflexionado Burke.
Como respuesta ante esta situación, Burke propone a las naciones occidentales reafirmar su origen y fundamentos cristianos, sin que suponga una limitación de la libertad religiosa. «Tenemos que decir que no, que nuestro país no debe convertirse en un estado musulmán», ha defendido el purpurado.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Cantão suíço de Ticino
Burqa proibida e sujeita a pesada multa
O parlamento do Cantão de Ticino, na Suíça, aprovou uma lei que pune as mulheres que usem burqa ou niqab com multas que variam entre os 92 e os nove mil euros.
A decisão foi tomada depois de um referendo ter provado que a proibição de cobrir a cara em espaços públicos é defendida por dois em cada três eleitores.
A lei, que entra em vigor nas próximas semanas, aplica-se também a turistas, pelo que a informação vai ser difundida em estações rodoviárias e ferroviárias e em aeroportos.
Desta forma – inspirada na lei francesa – pretende-se promover a integração social naquela região da Suíça, onde 2% dos 350 mil emigrantes é muçulmano.
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