quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Triunfo de Trump: luzes e sombras


Republicanos comemoram a vitória de Donald Trump

Credo Chile, 14 de Novembro de 2016

O que triunfou nos Estados Unidos foi claramente uma reacção conservadora, desgostosa com os rumos que norteiam a política norte-americana nos últimos anos.

As consequências das eleições norte-americanas podem de tal modo significar uma grande reviravolta na situação do mundo, que seria completamente sem sentido uma «análise da semana» que não se referisse ao triunfo de Trump.

Abordamos a questão do ponto de vista estritamente apolítico e dos interesses da civilização cristã, que são as perspectivas do Credo Chile.

O que triunfou nos Estados Unidos foi claramente uma reacção conservadora, desgostosa com os rumos que norteiam a política norte-americana nos últimos anos. E o que nela houve de substancial confirma-se no amplo apoio obtido pelos candidatos republicanos em ambas as Câmaras.

Tudo isso indica uma recusa da opinião pública norte-americana àquela corrente de pensamento predominante entre os democratas, conhecida como «politicamente correcta», isto é, ao establishment.

Não obstante essa reacção anti-establishment seja profundamente saudável, ela não deixa ao mesmo tempo de projectar algumas sombras inquietantes.

Vejamos sumariamente ambas as perspectivas que se abrem com a nova presidência de Trump.

O saudável dessa reacção é tão evidente, que salta à vista. Se havia uma candidata «politicamente correcta», esta era Hillary Clinton. Ela representava todas as «conquistas sociais», a liberdade completa em matéria de costumes morais, aborto, uniões homossexuais, identidade de género etc. De onde a sua profunda hostilidade à religião, em especial à católica, e a tudo que fosse conservador.

Nem precisa dizer que, a julgar pela fisionomia do casal Clinton,
trata-se da foto do momento em que Hillary reconheceu
a sua derrota nas recentes eleições
A derrota eleitoral desse paradigma não pode deixar de ser vista com enorme alívio, e com simpatia e esperança o triunfo do candidato opositor.

Com o triunfo dos conservadores na pessoa de Trump surge sem embargo uma preocupação, cuja importância internacional não havia tido até aqui todo o seu destaque. É que, juntamente com os aspectos «conservadores» daqueles que sustentam posições «politicamente correctas» — como a defesa das identidades nacionais, da família, da religião etc. —, projectam-se algumas dúvidas, consistentes em saber até onde chegará o «incorrecto», ou, mais precisamente, quem guiará a «incorrecção» dessas políticas.

Um exemplo nos permitirá aquilatar essa preocupação. O actual presidente da Rússia.

Como se sabe, a propaganda russa apresenta um Putin [foto] que estaria liderando há vários anos uma política interior no bom sentido do «incorrecto».  Na última semana, por exemplo, inaugurou uma enorme estátua de 25 metros de altura, de São Wladimir (o seu próprio nome…), o fundador da Rússia cristã.

No entanto, simultaneamente, quase como outro braço do mesmo corpo, está promovendo a expansão das suas fronteiras à custa dos países libertados do jugo da ex-URSS, e ameaça aumentar ainda mais a dita expansão.

Faz parte da sua posição não excluir nem condenar os períodos de Lénin e de Stalin, e menos ainda a influência ideológica e territorial da ex-URSS sobre o mundo inteiro. Esses tentáculos russos ex-soviéticos celebraram nas últimas semanas acordos com a Venezuela de Maduro e a ditadura de Ortega na Nicarágua, não obstante, ou precisamente por isso, ambos não esconderem a sua filiação marxista.

Ou seja, as simpatias despertadas por Putin pela propaganda que o apresenta como favorável à família e contra o aborto (apesar de nada ter feito de substancial nesse sentido) diluem-se quando vistas sob o prisma do seu ânimo expansionista e favorável à época soviética.

No caso do Presidente eleito Trump, inquietam as suas declarações destemperadas como candidato; as suas promessas isolacionistas; a sua intenção de deixar a OTAN e a Coreia do Sul cuidarem das suas próprias defesas; os apoios internacionais suscitados numa vasta rede de partidos «populistas» em crescimento na Europa; a falta de referências morais e religiosas desses populismos; os vínculos com a Rússia de Putin; as diferentes  posições  assumidas ao longo da sua carreira etc. Todo esse conjunto de factores não pode deixar de projectar uma  pesada sombra no porvir.

Resumamos o dilema

Quando o «politicamente incorrecto» constitui a oposição e a parte débil do panorama, as suas posições em geral são boas, pois definem-se como contrárias a todo o mal do «politicamente correcto». Mas como se comportará essa política «incorrecta» quando passa a ser governo e representa a parte forte? Se ela se deixar levar somente pelos caprichos do «populismo», o futuro não será tão promissor, pois dos temores populistas puderam sair o nazismo, o socialismo, o peronismo, e muitos outros «ismos» de nefastas consequências para a civilização cristã.

Ainda é cedo para dizer se essas sombras darão origem a chuvas benéficas ou a tempestades devastadoras. Mas seria ingénuo abster-se de levantar o problema e somente festejar, fechando os olhos para os aspectos sombrios do panorama.

Não podemos concluir estas linhas sem manifestar as nossas esperanças de que os sectores pró-família e anti-aborto, que se manifestaram com tanta clareza nessas eleições, consigam dirigir essa poderosa nação pelos rumos que a fizeram autêntica, cristã e forte.





domingo, 20 de novembro de 2016


Pode um psicólogo ser católico?


João Miguel Tavares, Público, 15 de Novembro de 2016

Guardemos a mordaça e lembremos os ensinamentos do bom e velho Stuart Mill: nunca devemos impedir de falar as pessoas que acreditamos estarem erradas.

Indignação da semana: Maria José Vilaçapsicóloga e responsável da Associação dos Psicólogos Católicos, disse nas páginas da revista Família Cristã que era possível aceitar um filho homossexual sem aceitar a homossexualidade. «Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.» E acrescentou: «É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.» Esta frase provocou o habitual incêndio das redes sociais e dezenas de queixas na Ordem dos Psicólogos, que emitiu um comunicado onde recorda que nas suas intervenções públicas os psicólogos estão obrigados a «observar o princípio do rigor e da independência, abstendo-se de fazer declarações falsas ou sem fundamentação científica». De seguida, a Ordem anunciou ir participar o caso ao Conselho Jurisdicional por considerar tais declarações «de extrema gravidade».

Cá está – um piscar de olhos e já se foi longe demais. A opinião que eu tenho em relação às declarações de Maria José Vilaça é igual à dos indignados: discordo profundamente dela e acho a comparação entre um filho homossexual e um filho toxicodependente de uma infelicidade extrema. Parece-me, por isso, perfeitamente natural que as pessoas manifestem a sua discordância pública em relação à senhora e que as redes sociais se incendeiem, como de costume. Nada contra até aqui. Tudo contra a partir daqui: há um momento, altamente desagradável, mas cada vez mais recorrente, em que se passa do direito de discordar para o desejo de despedir. As pessoas deixam de se limitar a criticar Maria José Vilaça por ter dito uma tontice, e a rebater a sua opinião com argumentos sustentados, e passam a defender que ela deve ser silenciada e proibida de exercer a sua profissão porque, pelos vistos, hoje em dia não se pode ser psicólogo e ao mesmo tempo considerar a homossexualidade uma prática «não natural».

Mas será que não se pode mesmo? É que se não se pode, como a Ordem dos Psicólogos parece defender, se passou a ser uma coisa tão inadmissível como a prática da lobotomia para curar doenças mentais, então há aqui uma notícia muito maior do que as declarações de Maria José Vilaça, e que está tristemente a passar ao lado da comunicação social. A primeira frase de todos os artigos sobre este tema deveria ser esta: «A Ordem dos Psicólogos Portugueses defende que um católico que aceite os ensinamentos da Igreja em relação à homossexualidade não tem condições para ser psicólogo e deve abandonar de imediato a sua profissão.» Esta é a notícia, meus senhores. Mandem imprimir, enviem para o Vaticano e informem o Papa Francisco.

Guardemos a mordaça e lembremos os ensinamentos do bom e velho Stuart Mill: nunca devemos impedir de falar as pessoas que acreditamos estarem erradas. Ao exporem as suas ideias, temos uma excelente oportunidade para as rebater e mostrar aos outros a superioridade dos nossos argumentos. Infelizmente, é cada vez menos isso que estamos a fazer. A linha entre o confronto de ideias e o silenciamento de ideias está a ser ultrapassada vezes sem fim, criando uma pressão insustentável sobre quem pensa diferente de nós. Depois espantamo-nos que as pessoas mintam nas sondagens sobre a sua orientação de voto e acabem a colocar a cruzinha em Donald Trump quando ninguém está a ver. Numa sociedade livre, a resposta a quem diz parvoeiras não é «cala-te!». É, isso sim, «que argumentos tens para defender tamanha parvoíce?».





sexta-feira, 18 de novembro de 2016

África une-se em bloco para dizer

um rotundo «não» à colonização ideológica

que a ONU pretende impor


Los 54 países africanos se han unido en bloque contra la ideología de género en la ONU


Javier Lozano

El Papa Francisco alerta muy a menudo de la «colonización ideológica» que se está produciendo principalmente a través de la ideología de género. Y esta ofensiva se realiza, según ha dicho también el Pontífice, a través de gobiernos nacionales y organismos internacionales.

Precisamente, Naciones Unidas y la diplomacia de Estados Unidos han sido los grandes promotores de políticas que buscan imponer esta ideologia en todos los países privilegiando principalmente al lobby LGTBI.

África y América Latina, los principales objetivos

Si estos son los promotores, las principales víctimas son África y América Latina. Ya sea mediante presiones políticas o mediante el «chantaje» con grandes sumas de dinero, los países de estos continentes se están viendo sometidos a una gran presión para que aprueben leyes nacionales como las uniones homosexuales o la implantación de la ideología de género en los colegios. De no hacerlo podrían perder las ayudas económicas. Y por regla general todos estos países son pobres o bien están en vías de desarrollo.

Mientras que en América los dirigentes de estos países van poco a poco sucumbiendo a estas presiones tal y como ha pasado en México, Chile o Uruguay, en África se ha producido un curioso fenómeno. Todo el continente se ha unido en bloque para decir basta a estas imposiciones de la ONU y Estados Unidos.

La ONU se ha convertido en el gran promotor de la ideología de género

La ONU ha hecho de los «nuevos derechos» para los LGTBI una prioridad absoluta y para ello la Comisión de Derechos Humanos de Naciones Unidas anunció la creación del puesto de experto en asuntos LGTBI y que debería velar por la instauración de sus políticas en los distintos países.

Un activista proLGTB para el cargo

En teoría este nuevo experto debería luchar contra la violencia pero grupos profamilia como el Center for Family&Human Rights lo dudan. El director del Centro de Estudios Legales de este grupo, Stefano Gennarini, ya afirmó  que «el nombramiento aumenta las sospechas de que este puesto de nueva creación no se limitará a la investigación de la violencia contra las personas que se identifican como lesbianas, gais o transgénero sino que más bien será utilizado para promover una agenda amplia de derechos sexuales».

Finalmente, el perfil de la persona elegida confirmaba estas sospechas. En la reñida votación de la Comisión de Derechos Humanos (23 votos a favor, 18 en contra y seis abstenciones) se eligió el nombre del responsable, el abogado tailandés Vitit Muntarbhorn, un homosexualista que fue uno de los principales autores de los Principios de Yogyakarta, un documento clave para el lobby LGTBI en el que se exige que el derecho internacional obligue a implantar derechos especiales a este colectivo aunque para ello haya que socavar otros como el de la libertad de expresión y de religión.

Vitit Mumtarbhorn, un activista proLGTB fue la persona elegida por la ONU para el cargo

África no se resigna a ser colonizada

Los países africanos no han querido resignarse y aceptar esta imposición. Para ello, la pasada semana el Grupo Africano, que engloba a los 54 países del continente, presentó una resolución que cuestiona la legalidad de la decisión tomada por la Comisión de Derechos Humanos para crear esta especie de figura de comisario para los LGTBI.

No sólo los africanos se mostraron en contra sino también países de mayoría musulmana y potencias influyentes como Rusia, China o India.

Tal y como recoge C-Famel grupo de países africanos dijo estar «perturbado» por el bombardeo incesante de un enfoque centrado en «comportamientos e intereses sexuales» y ha pedido éstos que no se vinculen a las normas sobre derechos humanos.

El embajador de Botsuana dijo durante la presentación de esta resolución que «el Grupo Africano está muy preocupado por los intentos de introducir e imponer nuevas nociones y conceptos que no están acordados internacionalmente».

Por todo ello, el continente africano ha pedido que se suspenda temporalmente tanto el nombramiento de Vitit Muntarbhorn como la creación del puesto en sí hasta que se produzca un diálogo profundo sobre la legitimidad de dicho puesto en la ONU.

Reacción de Occidente contra la posición de África

Las reacciones de los países que defienden la ideología de género han sido rápidas y unánimes en sus críticas a los estados africanos. Como era de esperar, la diplomacia estadounidense fue de las primeras en manifestarse y dijo estar «profundamente preocupada» por la propuesta africana ya que reabrir la decisión de la Comisión de Derechos Humanos sería, a su juicio, «sentar un precedente muy peligroso».

En la misma línea se manifestó Reino Unido, afirmando que la propuesta supone un ataque al Consejo por lo que su país luchará para que se mantenga este experto para temas LGTB.

También países latinoamericanos como Chile, Costa Rica o Brasil criticaron la postura de África tildándola de «inapropiada» y de debilitar la protección de cualquier de estos colectivos.

El cardenal Sarah es actualmente uno de los africanos más influyentes en la Iglesia Católica

«África salvará la familia»

Sin embargo, África ha decidido no sucumbir ni dejarse colonizar por estas ideologías pese a las molestias y problemas que esto les está ocasionando y les ocasionará. Ya lo dijo el año pasado el prefecto para la Congregación para el Culto Divino, el guineano Robert Sarah:

«Confío absolutamente en la cultura africana; confío absolutamente en la fe de África y estoy seguro de que África salvará a la familia, que África salvará a la Iglesia. Así como África salvó a la Sagrada Familia también, ahora, en esta época moderna, salvará la familia humana».

Así funciona la diplomacia de los EEUU de Obama

África está respondiendo a esta petición aunque no lo tendrá nada fácil pues las presiones serán enormes. Y para saber cómo se las gasta la diplomacia del hasta ahora presidente Obama vale con el testimonio de la embajadora de su país ante la ONU, Samantha Power.

En un acto con Human Rights Campaign, el mayor lobby gay de Estados Unidos, la embajadora les explicaba entusiasmada cómo actuaba la diplomacia para imponer los temas LGTB al resto de países. Esto decía:

Samantha Power es además de embajadora una de las personas más cercanas a Obama

«Utilizamos todos los componentes a nuestro alcance. Los embajadores estadounidenses de todo el mundo se pusieron a trabajar a toda máquina. Exigimos el pago de deudas. E incluso cuando sospechábamos que habíamos pasado a tener la mayoría de votos seguimos trabajando. Y cuando los países no respondían nuestras llamadas, los acorralábamos en el Salón de la Asamblea General, en el Consejo de Seguridad o incluso en los baños».

Se prevé que la resolución de los países africanos se vote antes de que acabe el mes de noviembre y estos países más algunos otros prometen dar guerra. Para entonces, Donald Trump todavía no habrá tomado posesión de su cargo, lo hará a finales de enero, por lo que este será el colofón de la administración Obama, este será su legado.





segunda-feira, 14 de novembro de 2016


Rapaz ou rapariga: uma escolha?




Cláudia Sebastião

«Já sabem se é menino ou menina?», é a pergunta mais ouvida por casais à espera de bebé. O enxoval, o nome e o quarto do bebé são preparados a partir daí. Mais tarde, começarão as perguntas sobre as diferenças entre meninas e meninos. Agora imagine que não respondia ou que dizia: «Teres pipi não significa que sejas menina. Podes decidir mais tarde.»

Diogo Costa Gonçalves é professor auxiliar da Faculdade de Direito de Lisboa. Em 2003, foi consultor da Conferência Episcopal para uma carta pastoral sobre a ideologia de género. À FAMÍLIA CRISTÃ faz questão de dizer que o termo não significa igualdade de direitos entre homens e mulheres. Então o que é?

Diogo Costa Gonçalves explica tratar-se de uma estrutura de pensamento antropológica cuja característica fundamental é «entender a masculinidade e a feminilidade como produtos puramente culturais, sendo absolutamente indiferente a realidade genital ou cromossomática com que as pessoas nascem; defende que a identidade sexual é produzida por um contexto cultural patriarcal e machista que visa subjugar a mulher». Ou seja, ninguém nasce homem ou mulher, torna-se homem ou mulher pela educação e pela cultura. Assim, o objectivo da ideologia de género é ter uma sociedade sem sexos.

Para isso, desde os primeiros anos é preciso promover a troca de papéis e eliminar as diferenças de comportamento entre meninas e meninos. Maria José Vilaça é psicóloga e afirma que nesta ideologia «tudo aquilo que eu sou passa a ser determinado pela minha preferência sexual e não pelo meu corpo. Há uma espécie de divisão entre aquilo que eu sou e aquilo que o meu corpo é.»

Em Portugal, Diogo Costa Gonçalves explica que o primeiro passo da ideologia de género foi dado na lei do divórcio sem culpa. Ou melhor, numa das epígrafes do registo civil. «O que era ‘poder paternal’ passou a chamar-se ‘poder parental’. Foi uma manipulação de linguagem importante porque o termo ‘paternidade’ está muito relacionado com a geração biológica. Era preciso desconstruir socialmente a figura do pai e da mãe.»

«Ideologia de género já está nas escolas»

A Comunidade de Madrid aprovou a Lei contra a LBGT fobia que obriga a integrar a realidade homossexual, bissexual, transexual, transgénero e intersexual nos conteúdos escolares transversais de todas as escolas madrilenas, públicas e privadas.

Diogo Costa Gonçalves tem sete filhos e diz que isso já está a acontecer em Portugal. «A ideologia de género está cá. Os programas de educação sexual são em bom rigor de ideologia de género em todos os graus de ensino. Promove-se a confusão da identidade sexual. Isto é, tenho de descobrir se sou mesmo heterossexual ou não e diz-se que a família é uma construção cultural tão válida como qualquer outra relação.»

Maria José Vilaça concorda e fala da sua experiência: «Hoje, nas escolas, falo com miúdos de 16 ou 17 anos que não tiveram uma namorada e a primeira ideia que têm é: ‘Será que eu sou homossexual ou bissexual?’ Já não lhes passa pela cabeça serem heterossexuais.»

Escolas de Madrid ensinam ideologia de género

Manuel Martínez-Sellés é médico cardiologista em Madrid. Vê a aprovação da lei LGBT «com enorme preocupação». Como investigador, afirma que «a ideologia de género está em total contradição com o conhecimento da ciência sobre a biologia e a realidade física. Infelizmente, esta ideologia já está a transformar escolas em fábricas de crianças sem sexo.»

Arantzazu Perez Grande é professora primária: ensina língua e matemática a crianças de seis anos. Católica, não se pode recusar a aplicar a lei, porque «podemos ser vítimas de sanções económicas ou até, no meu caso, perder o emprego, porque sou funcionária pública». Esta professora é mãe de três crianças. «Claro que me preocupa, porque quero poder dar aos meus filhos a educação e as crenças que eu tenho. Não quero que o Estado lhes diga o que têm de pensar ou no que têm de acreditar.»

Manuel Martínez-Sellés e Maria José Vilaça acrescentam que nos Estados Unidos da América o Colégio de Pediatria publicou um documento intitulado A ideologia de género prejudica as crianças. Nesse documento, os pediatras norte-americanos defendem que «a sexualidade humana é uma característica biológica binária objectiva» e que «ninguém nasce com um género, todos nascemos com um sexo.

Mulheres e homens são diferentes?

Há investigações que comprovam isto mesmo. Independentemente das diferenças culturais, sociais e económicas, homens e mulheres são diferentes. Richard A. Lippa, da Universidade da Califórnia, fez uma investigação sobre preferências profissionais, com 200 mil entrevistas a pessoas de 53 países da Europa, América, África e Ásia. O investigador concluiu que os homens tendem para trabalhos mais técnicos, enquanto as mulheres preferem as ocupações sociais. Acontece em todos os países e continentes. Também o professor Simon Baron-Cohen, do Trinity College da Universidade de Cambridge, autor de Sex differences in human neonatal social perception, constatou que os bebés meninos, com apenas horas de vida, se fixam mais em objectos mecânicos e as bebés meninas dão mais atenção a rostos humanos.

Dicas para os pais

Que podem os pais fazer? Diogo Costa Gonçalves diz que «é preciso criar espírito crítico nos educadores. Nenhum dos nossos pais se sentou connosco a explicar porque é que o casamento é entre um homem e uma mulher. Era dado mais do que adquirido. Neste momento, vou ter de fazer isso com os meus filhos.»

Além disso, socialmente Maria José Vilaça defende que é preciso «tentar não ser influenciado do ponto de vista sentimental, moral e ideológico». Mas, ao mesmo tempo, como acolher os homossexuais? A psicóloga acompanha famílias e pais e salienta que para aceitar o filho não é preciso aceitar a homossexualidade. «Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.» É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.»





segunda-feira, 7 de novembro de 2016


500 anos depois, de joelhos diante de Lutero


O Papa Francisco e o pastor luterano Martin Junge assinam uma «Declaração Conjunta».
O heresiarca Lutero definiu, no século XVI, o Papa como
«apóstolo de Satanás» e «anticristo».

Roberto De Mattei

O Concílio de Trento pronunciou um ditame irrevogável sobre a incompatibilidade entre a fé católica e a protestante.

Dizemo-lo com profunda dor. Parece uma nova religião aquela que aflorou em Lund no dia 31 de Outubro, durante o encontro ecuménico entre o Papa Francisco e os representantes da Federação Luterana Mundial. Uma religião em que são claros os pontos de partida, mas obscura e inquietante a linha de chegada.

O slogan que mais ressoou na catedral de Lund foi o da necessidade de um «caminho comum» que leve católicos e luteranos «do conflito à comunhão». Tanto o Papa Francisco quanto o pastor Martin Junge, secretário da Federação Luterana, se referiram nos seus sermões à parábola evangélica da videira e dos ramos. Católicos e luteranos seriam «ramos secos» de uma única árvore que não dá frutos por causa da separação de 1517. Mas ninguém sabe quais seriam esses «frutos». O que católicos e luteranos parecem ter agora em comum é apenas uma situação de profunda crise, ainda que por motivos diferentes.

O luteranismo foi um dos principais factores da secularização da sociedade ocidental e hoje está agonizando pela coerência com que desenvolveu os germes de dissolução que portava dentro de si desde a sua irrupção. Na vanguarda da secularização estiveram os países escandinavos, apresentados por longo tempo como modelo do nosso futuro. Mas a Suécia, depois de ter-se transformado na pátria do multiculturalismo e dos direitos homossexuais, é hoje um país onde apenas 2% dos luteranos são praticantes, enquanto quase 10% da população segue a religião islâmica.

A Igreja católica, pelo contrário, está em crise de autodemolição porque abandonou a sua Tradição para abraçar o processo de secularização do mundo moderno na hora em que este entrava na sua fase final de decomposição. Os luteranos procuram no ecumenismo um sopro de vida, e a Igreja católica não adverte nesse abraço o mau hálito da morte.

«O que nos une é muito mais do que aquilo que nos divide», foi ainda dito na cerimónia de Lund. Mas, o que une católicos e luteranos? Nada, nem sequer o significado do baptismo, o único dos sete sacramentos que os luteranos reconhecem. Para os católicos, o baptismo elimina de facto o pecado original, enquanto para os luteranos ele não pode apagá-lo, porque consideram a natureza humana radicalmente corrupta, e irremovível o pecado. A fórmula de Lutero «peca com força, mas crê com maior força ainda» resume o seu pensamento. O homem é incapaz de praticar o bem e não pode senão pecar e abandonar-se cegamente à misericórdia divina. A vontade corrompida do homem não tendo nenhuma participação nesse acto de fé, no fundo é Deus que decide, de forma arbitrária e inapelável, quem se condena e quem se salva, como deduziu Calvino. Não existe liberdade, mas apenas rigorosa predestinação dos eleitos e dos condenados.

Santo Inácio de Loyola combateu
com muita coragem e eficácia
a heresia luterana
A «Sola Fede» é acompanhada pela «Sola Scriptura». Para os católicos, a Sagrada Escritura e a Tradição são as duas fontes da Revelação divina. Os luteranos eliminam a Tradição porque afirmam que o homem deve ter uma relação directa com Deus, sem a mediação da Igreja. É o princípio do «livre exame» das Escrituras, a partir do qual fluem o individualismo e o relativismo contemporâneos. Este princípio implica a negação do papel da Igreja e do Papa, que Lutero define como «apóstolo de Satanás» e «anticristo». Lutero odiava especialmente o Papa e a Missa católica, que ele queria reduzir a mera comemoração, negando-lhe o carácter de sacrifício e impugnando a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. Mas, para os católicos, a renovação incruenta do sacrifício de Cristo existente na Missa é a fonte principal da graça divina. Trata-se de simples incompreensões e mal-entendidos?

O Papa Francisco declarou em Lund: «Também nós devemos olhar, com amor e honestidade, para o nosso passado e reconhecer o erro e pedir perdão.» E ainda: «Com a mesma honestidade e amor, temos de reconhecer que a nossa divisão se afastava da intuição originária do povo de Deus, cujo anseio é naturalmente estar unido, e, historicamente, foi perpetuada mais por homens do poder deste mundo do que por vontade do povo fiel.» — Quem são esses homens de poder? Os Papas e os santos, que combateram o luteranismo desde o início? A Igreja, que o condenou durante cinco séculos?

O Concílio de Trento pronunciou um ditame irrevogável sobre a incompatibilidade entre a fé católica e a protestante. Não podemos seguir o Papa Francisco por um caminho diferente.





segunda-feira, 24 de outubro de 2016


Wikileaks.

O que dizem os e-mails

da campanha de Hillary Clinton?


João de Almeida Dias, Observador, 19 de Outubro de 2016

A Wikileaks teve acesso a uma lista de 50 mil e-mails do director de campanha de Hillary Clinton. Alguns são comprometedores e podem fazer mossa na democrata. Conheça alguns exemplos.

Numas eleições normais, qualquer adversário de Donald Trump já estaria a correr alegre e descontraidamente para a meta, deixando para trás um candidato republicano soterrado debaixo da sua avalanche de polémicas. «Mas é justo dizer que estas eleições não são normais», como Barack Obama fez questão de referir num discurso da Convenção do Partido Democrata, em Julho.

Um factor que contribui amplamente para a singularidade destas eleições é que, do outro lado de Donald Trump, está Hillary Clinton — uma mulher que, depois de mais de 30 anos na linha da frente da política norte-americana, conseguiu um currículo invejável e extenso. Só que, para lá das linhas onde aparecem cargos como «senadora por Nova Iorque, 2001-2009» ou «secretária de Estado, 2009-2013», muitos vêem inúmeras notas de rodapé que apontam para várias polémicas, das quais Hillary Clinton surge como uma candidata demasiado calculista, ambígua e desrespeitadora das regras.

A nota de rodapé mais recente no currículo de rodapé é da cortesia do site Wikileaks, do activista australiano Julian Assange — que, acredita que o departamento de Estado norte-americano poderá ter sido ajudado pela Rússia —, que tem divulgado a conta-gotas aquilo que diz ser um total de 50 mil e-mails que estavam na conta de e-mail de John Podesta, o chefe máximo da campanha da candidata democrata. Alguns mails contêm informações comprometedoras, outras dúbias e também há algumas que são inocentes e rotineiras. Os e-mails começam em 2000 e, para já, vão até Março de 2016. Em baixo, conheça o que está em causa nalgumas das mensagens mais controversas.

Hillary Clinton já conhecia a pergunta antes do debate

Num e-mail enviado a 12 de Março deste ano por Dona Brazile, na altura vice-presidente do Comité Nacional Democrata (meses depois, em Julho, passou a ser presidente interina, depois de outro escândalo com e-mails ter levado à demissão da então presidente, acusada de favorecer Hillary Clinton em detrimento de Bernie Sanders nas primárias) para a directora de comunicação da campanha, Jennifer Palmieri, surgia a seguinte frase no campo «Assunto» do e-mail: «De vez em quando, eu consigo ter as perguntas antes do tempo».

O tema era o debate em formato de town hall, agendado para o dia seguinte e que era da responsabilidade da CNN. Dentro do e-mail, Dona Brazile, que também era comentadora residente na CNN, avisou a campanha de Hillary Clinton que lhe ia ser colocada uma questão sobre a pena de morte. Dona Brazile chegou a colocar o texto da pergunta no e-mail. No dia seguinte, um dos moderadores lançou uma pergunta a Hillary Clinton sobre esse tema, com um texto ligeiramente diferente mas inegavelmente idêntico ao disponibilizado por Dona Brazile.

Dona Brazile nega a acusação, tal como a CNN.

A equipa de Hillary Clinton quis mudar a data das primárias no Illinois
para prejudicar os candidatos moderados do Partido Republicano

Em Novembro de 2014, praticamente meio ano antes de Hillary Clinton anunciar a sua candidatura à Casa Branca, já havia quem preparasse o seu caminho na retaguarda. Robby Mook, também da equipa de Clinton, enviou um e-mail a John Podesta onde ensaiava a hipótese de, através de uma troca de favores, conseguir adiar as primárias no Estado do Illinois de Março para Abril ou Maio de 2016.

A ideia de Robby Mook era conseguir o aval do speaker do parlamento estatal do Illinois, o democrata Mike Madigan, para que a data fosse alterada. O processo de persuasão seria feito pelo chefe do staff de Obama na Casa Branca e um lobista do Illinois. Segundo a proposta de Robby Mook, aquele Estado teria mais 10% de delegados a nível nacional se as primárias fossem mudadas para Abril e mais 20% se as empurrassem até Maio.

Segundo Robby Mook, esta seria uma maneira de controlar o tom da campanha republicana, que os democratas queriam que fosse o menos moderada possível. «O objectivo global é mudar as primárias no Illinois de meados de Março, onde eles ainda têm apoio para candidatos republicanos moderados depois da maioritariamente sulista Super Tuesday [que ocorreu a 1 de Março]», escreveu. Se as primárias fossem adiadas até Abril ou Maio, a probabilidade de os candidatos mais moderados (naquela altura, John Kasich e Marco Rubio) perderem força até lá seria maior.

Apesar dos esforços da campanha de Clinton, as primárias no Illinois aconteceram a 15 de Março. No final de contas, Hillary Clinton venceu com apenas mais 1,8% do que Bernie Sanders. Do outro lado, venceu Donald Trump — o mais radical entre os republicanos.

A equipa de Clinton preocupada com a postura da candidata
sobre o escândalo do e-mail privado

Está visto que, quando o assunto é a troca de correspondência electrónica e Hillary Clinton está envolvida, o mais certo é haver uma polémica. O primeiro capítulo desta colecção de histórias diz respeito aos tempos de Hillary Clinton como secretária de Estado no primeiro mandato de Barack Obama, 2009-2013. Durante esse período, contra as regras e potencialmente colocando em perigo informações classificadas como top secret e confidential, Clinton usou uma conta de e-mail privada que estava alojada num servidor que tinha na garagem da sua casa, em Chappaqua, em Nova Iorque.

Em plena campanha, Hillary Clinton foi ilibada de qualquer acusação pela procuradora-geral, Loretta Lynch, depois de uma recomendação nesse sentido do director do FBI, James Comey (leia mais sobre este assunto aqui).

Em Agosto de 2015, uma das conselheiras da campanha, Neera Tanden, escrevia a John Podesta um e-mail titulado «os meus pensamentos» onde manifestava preocupações sobre a postura de Hillary Clinton perante este caso. «Eu sei que isto do e-mail não tem sido honesto. Eu sei muito que não. Mas eu temo que a incapacidade dela de dar uma entrevista e comunicar de forma genuína sentimentos de remorso e arrependimento está a tornar-se num problema de personalidade (ainda mais do que de honestidade)», escreveu Neera Tanden.

«Ela precisa de fazer isto. Não vejo outra maneira de avançarmos até Outubro», concluiu.

Desde então, Hillary Clinton tem adoptado uma postura de arrependimento sempre que este tema é referido em debates e nas (pouquíssimas) entrevistas e conferências de imprensa que tem dado.

Alguns jornalistas tinham uma relação próxima com a equipa de Clinton

Pelo meio dos 50 mil e-mails da conta de John Podesta, alguns contam com a assinatura de jornalistas de política de alguns dos jornais mais conhecidos nos EUA. Nalgumas trocas de mensagens, pode ver-se como alguns jornalistas e a equipa de Hillary Clinton mantinham uma relação de proximidade, muitas vezes culminando no condicionamento do trabalho que saía a público.

Num e-mail escrito pelo jornalista Mark Leibovich, da revista The New York Times, este entrega um conjunto de citações que retirou de uma entrevista que fez com Hillary Clinton, pedindo permissão para publicá-las à assessora de campanha Jennifer Palmieri. «Esta conversa foi bastante interessante… Adoraria ter a opção de usá-la», escreveu o jornalista. No final, depois de uma troca de e-mails, a assessora limita o uso de algumas expressões e de citações inteiras. «Foi um prazer fazer negócios contigo!», despediu-se Jennifer Palmieri.

Noutra ocasião, o jornalista Glenn Thrush, do site Politico, envia um e-mail a John Podesta com parágrafos que dizem directamente respeito ao chefe de campanha de Hillary Clinton. A ideia do jornalista era ter a aprovação para publicação daquelas partes em particular. «Por favor não partilhes ou digas a ninguém que eu fiz isto», escreve o jornalista. «Diz-me se não f*di nada.»

Além do Wikileaks, também o site Intercept — fundado pelo jornalista Glenn Greenwald, conhecido por ter dado a conhecer os ficheiros de Edward Snowden — teve acesso a uma nota interna da campanha de Hillary Clinton escrita em Janeiro de 2015, onde se dizia como «colocar uma história» num jornal por intermédio de um «jornalista amigável». Em particular, é referido o exemplo de Maggie Haberman, do The New York Times. «Nós temos tido uma relação muito boa com Maggie Haberman do Politico [onde a jornalista trabalhou até Fevereiro de 2015] durante o último ano», lia-se naquela nota. «Ela já nos preparou algumas histórias no passado.»

Os discursos em Wall Street pagos a peso de ouro

Já durante as eleições primárias do Partido Democrata, Bernie Sanders insistiu várias vezes para que Hillary Clinton divulgasse as transcrições dos seus discursos pagos a peso de ouro em eventos privados de bancos de Wall Street e outras instituições financeiras — mais ou menos a mesma insistência que Hillary Clinton agora usa para exigir a Donald Trump que torne pública a sua declaração fiscal. De acordo com a CNN, Hillary e Bill Clinton fizeram 729 discursos pagos entre Fevereiro de 2001 e Maio de 2015. Em média, receberam 210 mil dólares por cada um.

Agora, as transcrições de três desses discursos foram tornadas públicas pela Wikileaks, que os encontrou nos e-mails de John Podesta. Nestas mensagens em particular, a equipa de Hillary Clinton destacou as partes que poderiam levar a interpretações negativas por parte dos seus adversários.

Num discurso de 2014, Hillary Clinton admitiu que está «algo distante» das preocupações da classe média. «Eu não estou a tomar posição em nenhuma medida, mas penso que há um sentimento crescente de ansiedade e até de raiva neste país por causa da ideia de que o jogo está combinado. E eu nunca senti isso quando era mais nova. Nunca», disse.

Em 2013, referiu num discurso que «na política é preciso ter uma posição em público e outra em privado». Esta citação tem sido usada contra Hillary Clinton pela campanha de Donald Trump, que estava a explicar à audiência os meandros da negociação política, recorrendo ao exemplo do filme «Lincoln» (2012), de Steven Spielberg, onde é demonstrado como o presidente Abraham Lincoln conseguiu convencer várias congressistas a permitirem o fim da escravatura, consagrado na 13.ª emenda da Constituição. «A política faz-se como as salsichas. É desagradável, sempre foi assim, mas no final das contas por vezes chegamos onde temos de estar», disse.

Noutra intervenção em 2014, Hillary Clinton disse que enquanto senadora pelo Estado de Nova Iorque trabalhou «com muitas pessoas talentosas e com princípios que ganhavam a vida nas finanças». De seguida, Hillary Clinton terá dito uma frase ambígua: «E embora os representasse [como senadora] e tivesse feito tudo o que pude para me assegurar de que continuavam a prosperar, apelei para que se fechassem alguns buracos legais e para que fosse tratada a questão do disparo dos salários dos directores executivos». Ora, aqui, se por um lado Hillary Clinton falou a favor de alguma regulação da banca, também é certo que não dá a ideia de ser tanto a favor quanto àquela que tem defendido desde o início das primárias até aos dias de hoje.