sábado, 18 de fevereiro de 2017
A quem beneficia o Olimpo republicano português?
António Justo
AEROPORTO MÁRIO SOARES
– IMPOSIÇÃO DE MAIS UM MODELO CONTROVERSO
À CONSCIÊNCIA PORTUGUESA?
Não queremos ver Portugal limitado a uma casa assombrada
dos espíritos políticos
Na República, a virtude não parece mercadoria que se venda nem que se coloque em lugar nobre! Seria embaraçoso colocá-la nos altares da Nação porque então a corrupção comprometida passaria a não ter atracção nem cobertura. A República que era contra os ídolos da Monarquia, sem pôr a mão na consciência, substitui-os pelos ídolos da República. Aquela República dos homens do avental aproveita-se para entronizar, no lugar dos deuses, os seus comparsas, de maneira qualificada mas discreta. Um Portugal desaportuguesado, de cima, continua a implementar modelos controversos para assim eternizarem um país de espírito faccioso e divisionista. Cultiva-se um ideário de consciência política partidária individualista que se quer confundível com a consciência comunitária portuguesa (que consequentemente degenera num patriotismo empolado). Em vez de se auto-incensar, a política tem como tarefa fomentar também modelos da cultura e da integração no imaginário português. Na carência de um ideário cultural nacional, fomenta-se uma sociedade de tipo casa assombrada ocupada por espíritos políticos. Precisamos de menos ruído político para nos intervalos do seu silêncio termos espaço público para a cultura. Só assim poderemos dar ao povo a oportunidade de se tornar rei de si mesmo e desviar-se do paternalismo que leva à subjugação.
Proposta precipitada de Marcelo Rebelo de Sousa
O senhor Presidente da República precipitou-se ao sugerir (15.01.) que o possível novo aeroporto de Lisboa, a ser construído no Montijo, se chame Aeroporto Mário Soares. Ainda o ovo não saiu do ânus da galinha e já as bochechas políticas têm um nome redondo para lhe dar. Com estas e outras o senhor presidente revela-se como um oportuno continuador de um regime de comparsas e amigos preocupado em colocar os seus «santos» no Olimpo de Portugal para o povinho venerar! Como povo habituado a ser colocado à procura de gambozinos não nota sequer que o senhor presidente, à boa maneira do centralismo francês aportuguesado, se adianta com a proposta e assim prescinde da formação de opinião a partir do povo e indirectamente pressupõe a questão da decisão da construção daquele aeroporto, como facto consumado. Deste modo vem dar continuidade à realidade macrocefálica de uma capital sem corpo e também não tem em conta a falha sísmica do Vale do Tejo.
O rescrito da Nação terá de deixar de ser delineado só pelos caracteres políticos do Estado. Portugal precisa de uma outra narrativa, uma narrativa com um fio condutor não do poder mas do espírito cultural, para poder tornar-se num impulso criativo para uma geração de novos portugueses e novos políticos. Não precisamos só de homens, que de regime em regime se afirmem pela oposição ou pela afirmação, precisamos de personalidades da cultura com capacidade de atrair uns e outros. Mário Soares é uma grande personalidade dentro do partido socialista português mas como personalidade nacional provocou grandes bens e grandes males.
O futuro de um povo depende do cuidado dos seus mitos
O pressuposto do futuro está na memória. É natural que um país precise de pessoas de referência que permaneçam no ideário popular para, de forma duradoura, configurarem o sentimento de identidade nação-povo. O que não é natural é que devido ao provincialismo antiquado da classe política refugiada em Lisboa, os políticos continuem a querer impor os seus corifeus como personalidades exemplares para o País.
A República portuguesa seria bem aconselhada se procurasse fora da política as suas personalidades de referência. Portugal tem tido, na sua história, personalidades de alta relevância na cultura, na literatura, nas artes e nas ciências; este é o campo propício onde se encontram personalidades de referência nacional e internacional, propícias para a sustentabilidade na formação da alma portuguesa. A República tem produzido personalidades demasiado partidárias e controversas para poderem servir de exemplo e funcionarem como factores de integração do povo português. Mário Soares teve o mérito, de, com outros, impedir a implantação da ditadura comunista e neste sentido se provar como democrata mas nunca poderá ser um homem modelo consensual, sendo, como tal, impróprio como factor de identidade nacional. Não se contesta a sua imagem como ícone partidária na paisagem democrática.
Enquanto, numa democracia partidária, a política e a notícia escandalosa continuarem a dominar o espaço da arena pública, a cultura do país está condenada a definhar!
A quem aproveita isto?
Em política há sempre uma pergunta que deveria ser colocada sempre como prova dos nove do que se faz ou pretende fazer: quem se beneficia com isto?
Não seria de benefício para Portugal querer construir um regime político sobre as cinzas do Estado Novo sem ter consciência de que para se construir um Estado moderno seria também necessária a coragem de se reduzir a cinzas os malefícios crónicos da República e que infelizmente Soares também incorpora e representa. Um povo é um rio que flui ininterruptamente não podendo ser interrompido nem transformado em barragens sucessivas desta ou daquela ideologia!
De República vermelha para República arco-íris
Algo não é racional na lógica republicana e na política que segue de colocar os seus ídolos no Olimpo republicano! Por um lado muda o nome de Ponte Salazar para Ponte 25 de Abril e por outro destrona o Salazar como se ele não fizesse parte da República. Ou será que querem fazer do Olimpo republicano apenas um lugar para a esquerda e para maçónicos? Num Portugal inteiro, o Olimpo republicano precisa de todos os «santos» para venerar! (Já que falamos em «santos»; não haverá aí uma Maria da Fonte que, para desenfastiar, possa figurar como santa no Horizonte republicano? Tem talvez a desvantagem de cheirar a povo num Olimpo iluminado que para continuar a ser coerente consigo mesmo terá de ser masculino!)
Já numa acção operada no nevoeiro tinham trocado o nome de Aeroporto da Portela para Aeroporto Humberto Delgado. Gago Coutinho e Sacadura Cabral ficaram a ver navios! O cultivo da memória da História de Portugal tornar-se-ia embaraçosa para os nossos boys!
Em tempos em que governa a instabilidade emocional, penso que seria um acto de racionalidade, optar-se pela denominação de AEROPORTO POVO DE PORTUGAL, num país que se diz republicano, democrático e não gostar de santos!
O Olimpo português é um lugar sem exigências e como tal não faz sombra à corrupção política. O problema surge para os terráqueos que vivem num Estado em bancarrota e a ter de festejar os seus responsáveis como grandes estrelas no seu horizonte!
Os tempos políticos que correm, dado serem propícios a gerar muitos políticos do oportuno, deveriam deixar os políticos viver à vontade, mas exigir deles o critério de não terem o descaramento de desonrar o povo obrigando-o a ajoelhar perante os seus nomes. Porque não dar o nome das localidades aos aeroportos? Pouco a pouco se vai tendo a certeza que nos encontramos numa democracia sem baronesas mas que tropeça nos barões.
A «Ponte Salazar» depois «Ponte 25 de Abril» comemorou o seu 50.° aniversário
A Ponte Salazar, inaugurada a 6 de Agosto de 1966, passou há 42 anos a ser chamada Ponte 25 de Abril. Era na altura a quinta maior ponte suspensa do mundo e a maior fora dos EUA.
Uma República envergonhada de si mesma rouba ao passado o que não lhe pertence na esperança de viver do princípio, que o povo é massa de manobra e tudo o que vem à rede é peixe e o que não mata engorda.
Em nome da liberdade, os abrilistas apropriaram-se do nome da ponte. Agora, nos meios sociais, parte da esquerda sisuda e arrependida reconhece que fez mal e por isso, surgiu entre ela a ideia de lhe mudar o nome para Ponte da Liberdade, como se a liberdade tivesse dono e em Lisboa já não houvesse uma Avenida da Liberdade anterior à revolução!
O Povo português tem sido enganado ao ver ser atribuída a liberdade em Portugal à revolução de Abril. O movimento da liberdade já há muito se encontrava no coração e nas actividades de muitos portugueses de esquerda e de direita que actuavam não só nos ambientes comunistas.
É ilegítimo querer fazer passar a ideia que a liberdade e a democracia eram propriedade de forças radicais da esquerda.
Os senhores abrilistas até da razão se apoderaram ao assenhorarem-se da revolução cultural em via também em torno do Bispo do Porto, Dom António e da camada jovem que vivia o espírito do movimento 68 e anteriormente pelas grandes discussões de preparações para o Vaticano II no meio católico. Doutro modo teriam de consequentemente assumir também as barbaridades e traições executadas por uma esquerda radical anterior e posterior ao 25 de Abril.
Um dia a Ponte 25 de Abril voltará a ser chamada Ponte Salazar, não por razões de revanchismo ou de saudade de autoritarismos mas por razões de memória e de justiça num povo que precisa de pontos salientes para melhor se orientar.
Vive-se bem da ideologia servida ao povo como ópio tranquilizante. O problema é crónico mas pode ajudar a lucidez de o reconhecer.
Quebec: A crise do Ocidente
Giulio
Meotti, Gatestone, 16 de Fevereiro de 2017
- Quebec, assim como todo o Ocidente está enfrentando uma crise existencial, religiosa e demográfica.
- A
escalada de óbitos em Quebec está inequivocamente ligada aos apelos para o
aumento da imigração. O primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau, que
pôs um fim à campanha militar contra o Estado islâmico, simplesmente
convidou migrantes muçulmanos a virem para o seu país.
- A
resistência ao dramático colapso do cristianismo no Quebec não requer
necessariamente um novo abraço ao velho catolicismo, mas com certeza
necessita de uma redescoberta racional sobre o que a democracia ocidental
deveria ser. O que inclui a apreciação da identidade ocidental e dos
valores judaico-cristãos – tudo o que o governo de Trudeau e grande parte
da Europa, ao que tudo indica, se recusam a aceitar.
Bem-vindo ao Quebec, com
o seu sabor de uma antiga província francesa, com as suas belas paisagens, onde
as ruas levam o nome de santos católicos e onde um atirador acaba de assassinar seis pessoas numa mesquita.
A violência pode ser a
consequência de convulsões sociais, como no massacre na ilha de Utoya na Noruega em
2011, um país que se orgulhava ser ultrasecularizado, parte da «boa sociedade»
global. O Quebec também, assim como todo o Ocidente está enfrentando uma crise
existencial, religiosa e demográfica.
George Weigel escreveu
recentemente um artigo na revista norte-americana Firts Things chamando Quebec de
«bairro livre do catolicismo». «Não existe um lugar mais árido em termos
religiosos», destacando: «provavelmente não há um lugar mais árido, em termos
religiosos no planeta entre o Polo Norte e a Tierra del Fuego».
Sandro Magister, um dos
mais proeminentes jornalistas de Itália em assuntos católicos salientou: «enquanto se conversa em Roma, o
Quebec já está perdido».
As edificações católicas
no Quebec estão vazias, o clero está a envelhecer. Hoje em dia no interior da Igreja de Saint-Jude em Montreal os instrutores de fitness tomaram
o lugar dos padres católicos. O Théatre Paradoxe em Montreal agora
encontra-se onde estava anteriormente a igreja de Notre-Dame-du-Perpétuel-Secours
antes de fechar. A antiga nave cristã agora é usada para concertos e
conferências, aos domingos os hinos cristãos foram substituídos por shows de
discoteca.
A Diocese de Montreal vendeu 50 igrejas e
outros edifícios religiosos nos últimos 15 anos. Em 24 de Maio de 2015 foi
celebrada a última missa na famosa Igreja de São João Baptista, dedicada ao
padroeiro dos franco-canadenses. O Bispo Auxiliar do Quebec Gaetan Proulx disse que a «metade das
igrejas de Quebec» irão fechar nos próximos dez anos.
No filme «The Barbarian Invasions (As Invasões dos
Bárbaros)» de Denys Arcand, «há uma cena em que um padre católico analisa peças
de arte religiosa sem muito valor, que abarrotam a sua diocese, para mostrar a
sua irrelevância. O velho padre diz:
«O Quebec costumava ser
tão católico quanto a Espanha ou a Irlanda, todos eram religiosos. Num
determinado momento nos idos do ano de 1966, a bem da verdade, as igrejas de
repente, em questão de meses, ficaram vazias, Um fenómeno estranho que ninguém
jamais foi capaz de explicar».
«O homem sem história,
sem cultura, sem país, sem família e sem civilização não é livre: está nu
e condenado ao desespero», torna saliente o filósofo de Quebec Mathieu Bock-Côté.
O estado em que se
encontra hoje o catolicismo no Quebec é realmente desesperador. Em 1966 havia 8 800 padres, hoje há 2 600, cuja maioria é
idosa, muitos já residem em lares para idosos. Em 1945 a missa semanal contava
com a participação de 90% da população católica, hoje são 4%. Centenas de
comunidades católicas simplesmente desapareceram.
O Conselho do Quebec do
Património Religioso referiu que em 2014 um número recorde de
72 igrejas foram fechadas. A situação é ainda pior na Arquidiocese de Montreal.
Das 257 paróquias em 1966, havia 250 em 2000 e em 2013 apenas 169 paróquias. O
cristianismo parecia estar em risco de extinção. O Arcebispo de Montreal
Christian Lépine impôs uma moratória sobre a venda de igrejas.
À medida que as
autoridades do Quebec impunham um secularismo agressivo como ferramenta
para promover o multiculturalismo, o Quebec testemunhava um aumento dramático
no número de jovens muçulmanos que se juntaram ao Estado Islâmico. − Foram cometidos ataques terroristas por convertidos ao Islão – pessoas que
rejeitaram o relativismo canadense para abraçar o fanatismo islamista. «O
fundamentalismo secularista do Quebec chegou ao extremo de impor a todas as
escolas públicas e privadas – a primeira instância dessa natureza em todo o
mundo – um curso obrigatório sobre ética e cultura religiosa» salientou Sandro
Magister.
Um relatório académico concluiu:
«Dados do censo
canadense mostram que o Islão é a religião que mais cresce no país e que embora
a maior parte do crescimento da população muçulmana esteja relacionada com as
taxas de natalidade dos muçulmanos e migração, desde 2001 a população muçulmana
também aumentou em consequência das conversões religiosas dos canadenses não
muçulmanos».
O declínio demográfico do Quebec também
é revelador. A taxa de natalidade despencou de uma média de quatro filhos por
casal para apenas 1,6 – bem abaixo do que os demógrafos chamam de «taxa de
substituição populacional». O Quebec é um caso singular em comparação
aos países desenvolvidos no tocante à intensidade e velocidade com que as taxas
de fertilidade total despencaram.
A escalada de óbitos no
Quebec está inequivocamente ligada aos apelos para o aumento da imigração. O
primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau, que pôs um fim à campanha militar
contra o Estado islâmico, simplesmente convidou os migrantes muçulmanos a virem
para o seu país.
Segundo os demógrafos, somente a província do Quebec
precisa de 70 000 a 80 000 imigrantes por ano para compensar a sua baixa taxa
de natalidade. Mas o que acontece quando um dos mais famosos territórios
católicos do mundo passa por uma revolução desta natureza cultural e religiosa,
para compensar a queda demográfica?
A resistência ao
dramático colapso do Quebec não requer necessariamente um novo abraço ao velho
catolicismo, mas com certeza necessita de uma redescoberta racional sobre o que
a democracia ocidental deveria ser. O que também inclui a apreciação da
identidade ocidental e dos valores judaico-cristãos – tudo o que o governo de Trudeau e grande parte da
Europa, ao que tudo indica, se recusam a aceitar. Metade dos ministros de
Trudeau não foram empossados com um juramento religioso. Recusaram-se até a
dizer «com a ajuda de Deus».
O lema de Quebec é: «je
me souviens»: Eu me lembro. Mas do que, exactamente? No «bairro livre do
catolicismo» o vencedor será o Islão?
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Para Prémio Nobel o «aquecimento global é uma nova religião»
![]() |
| Ivar Giaever, Prémio Nobel de Física 1973. |
Luis
Dufaur, IPCO, 15 de Fevereiro de
2017
Ivar Giaever, Prémio
Nobel de Física 1973 renunciou à famosa American
Physical Society (APS) em 13 de Setembro de 2011 como forma de condenar a posição oficial da
associação em favor do «aquecimento global».
Giaever é professor
emérito do Rensselaer Polytechnic Institute, em Troy, Nova York, e
da Universidade de Oslo.
Em 2007, a APS adoptou
uma declaração oficial segundo a qual as actividades humanas estão a mudar o
clima da Terra.
«As evidências são
incontestáveis: O aquecimento global está ocorrendo», afirmava o documento
repelido pelo Prémio Nobel.
«Se não forem
empreendidas acções mitigadoras provavelmente acontecerão rupturas
significativas nos sistemas físicos e ecológicos da Terra, nos sistemas
sociais, atingindo a segurança e a saúde humana. Precisamos reduzir as emissões
de gases de efeito de estufa a partir de agora», martelava o documento.
Giaever enviou nessa
altura um e-mail para Kate Kirby, chefe da APS, explicando que «ele não podia
cooperar com essa declaração» quando a temperatura global continua
«surpreendentemente estável».
Na APS, explicou o
cientista, pode-se discutir todos os temas científicos, menos um que é
tratado como tabu intocável: «o aquecimento global deve ser tratado como
evidência indiscutível»?
«A
alegação de que a temperatura da Terra passou de 288,0 para 288,8 graus Kelvin
em cerca de 150 anos, se for verdade significa que a temperatura tem
sido surpreendentemente estável, e a saúde humana e a felicidade
melhoraram indiscutivelmente neste período de ‘aquecimento’», acrescentou o
Prémio Nobel.
«Aquecimento global»,
guerra ao desflorestamento, etc.:
dogmas de uma nova religião
Para o Prémio
Nobel, «o aquecimento global tornou-se uma nova religião»«Ouvimos muitas
advertências semelhantes sobre a chuva ácida, há 30 anos e o buraco de ozono há
10 anos ou o desflorestamento», defende ele apontando
profecias catastrofistas que não se verificaram.
«O aquecimento global
tornou-se uma nova religião. Nós frequentemente ouvimos falar do número
de cientistas que o apoiam. Mas o número não é importante:… Só importa saber se
os cientistas estão correctos. E, realmente nós não sabemos no que é que
consiste o efeito real da actividade humana sobre a temperatura global»,
acrescentou.
Giaever é um dos
cientistas mais proeminentes citados no Relatório histórico da Comissão do Meio
Ambiente e Obras Públicas do Senado dos EUA.
Figura entre os 400
«cientistas dissidentes» que denunciaram em manifesto o mito do «aquecimento
global» e que aumentaram para 700.
Giaever também foi um
dos mais de 100 signatários da carta de 30 de Março de 2009 ao presidente
Barack Obama, criticando a sua postura sobre o aquecimento global.
É de se desejar que o
novo presidente americano Donald Trump que mostra sensibilidade para posições
afastadas do utopismo «verde» reconheça agora os méritos de cientistas como
Giaever.
Figura de destaque numa
legião de cientistas objectivos que vêm sendo menosprezados e até punidos pelo
radicalismo ambientalista instalado na administração pública americana.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Eutanásia e o «mito da autonomia»
Diogo Costa
Gonçalves, Observador, 11 de
Fevereiro de 2017
A solidariedade é
sentida como o primeiro e mais expressivo dever de humanidade. Por isso se
rebela a inteligência e o coração contra os muros que se erguem e contra os
mortos que ninguém chora.
Uma só coisa é certa no debate da
eutanásia: está em causa uma fronteira civilizacional. Ultrapassá-la ou
defendê-la, depende da perspectiva.
A questão de fundo é inelutável: a
centralidade da autonomia, como valor antropológico e jurídico.
É em nome da autonomia que se
reclama o direito a decidir quando e em que circunstâncias podemos pôr termo à
própria vida; é em nome da autonomia que se exige a assistência médica nesse
momento singular; é em nome da autonomia que se postula uma leitura
dignificante, altruísta, humanizadora do que até há bem poucos anos era sinal
de barbárie… E é também em nome da autonomia que se condena qualquer visão diferente,
catalogada como intolerante e sem direito de cidadania, porque, justamente,
parece ameaçar a auto-determinação do sujeito.
Sucede, porém, que a autonomia é um
mito: um novo dogma moderno com pouca sustentação na realidade. Não, não somos
autónomos! Não o é o bebé recém-nascido, nem o idoso, nem o doente terminal.
Nem sequer o adulto na plena posse das suas faculdades. Talvez gostássemos de o
ser. Talvez até estivéssemos dispostos a queimar incenso no altar da velha
Aytomatia grega… mas não somos autónomos!
Pelo contrário: o que é próprio da
nossa experiência humana é a contingência, a fragilidade, a necessidade e a
dependência face ao outro. Não há segundo da nossa existência em que não
estejamos nas mãos de alguém.
Essa vulnerabilidade genética que
todos experimentamos, não é aviltante. Pelo contrário: está associada ao que de
mais belo e digno tem a nossa condição humana. Somos tanto mais humanos quanto
mais somos dos outros e para os outros.
No mundo das ideologias, é possível
conceber muitos sujeitos autónomos, mas na realidade da vida – da nossa vida
concreta de todos os dias – é impossível encontrar uma única pessoa que o seja
realmente.
Por isso, a solidariedade é sentida
como um dever: o primeiro e mais expressivo dever de humanidade. Por isso se
rebela a inteligência e o coração contra os muros que se erguem e contra os
mortos que ninguém chora.
Ora, é justamente aqui que reside a
falácia da eutanásia.
Ao reclamar uma plena autonomia para
o sujeito, o que se está a fazer é a negar a solidariedade como um dever
irrenunciável. Quando aquele que depende de mim pode morrer, que obrigação
terei eu de lhe assegurar a vida?
Se a dependência é vista como um
fardo, como uma indignidade, o direito a uma morte rápida e indolor
transforma-se facilmente num dever de morrer dignamente, de não ser pesado, de
não onerar o outro com a minha existência.
Não tenhamos dúvidas: é isto o que está em
debate na eutanásia. O sofrimento do outro – por quem, infelizmente, poucos
realmente se interessam – é apenas um pretexto emocional para a discussão… tudo
mais (menos cuidados paliativos, mais consentimento informado, etc.) são minudências
de uma discussão que só não vê quem não quer.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
A inexplicável Vendeia
Helena Matos, Observador, 5
de Fevereiro de 2017
Os dias da «inexplicável Vendeia»,
essa revolta que os revolucionários nunca compreendem e sempre procuraram
esquecer: como pode o povo revoltar-se contra a revolução feita em seu nome?
Uppsala. Malmo. Nordstan. Podiam ser
(e talvez até sejam) nomes de uma qualquer estante Ikea. Mas são também nomes
de locais onde, nos últimos meses, na Suécia têm acontecido crimes muitos deles
de natureza sexual praticados por emigrantes ou refugiados, provenientes de
países maioritariamente muçulmanos. Num dos casos, que envolveu um rapaz, a
polícia viu-se cercada e bateu em retirada deixando a vítima nas mãos dos seus
agressores. Noutro os agressores violaram uma rapariga, filmaram e colocaram online o
filme onde nem faltavam os seus rostos sorridentes.
Quantas notícias temos visto ou lido
sobre estes casos acontecidos na Suécia, um país que víamos como seguro e
tolerante mas onde nos últimos tempos o número de agressões tem aumentado?
Estas agressões acontecidas na Suécia, ou melhor dizendo o silêncio que se
abate sobre elas, é tão mais estranho quanto recentemente o assassínio de uma
jovem na Islândia fez com que pelos jornais desta Europa fora se multiplicassem
as chamadas de atenção sobre o homicídio que chocara o país que não tinha
crimes. Será que os suecos não se têm chocado? Na verdade eles tinham poucos
crimes. Ou será que o facto de os jovens apontados como autores do crime da
Islândia serem gronelandeses tornou muito mais fácil a divulgação dos seus
actos e também dos seus rostos?
Nas últimas décadas as lideranças da
Europa e dos Estados Unidos produziram toneladas de legislação para, diziam,
promover a igualdade, combater a discriminação, todas as formas de fobia e,
obviamente, o machismo e o racismo. Assim que umas leis eram postas em prática logo
outras mais perfeitas as vinham completar. A multiplicação das leis era
acompanhada pela divisão dos crimes em grupos, subgrupos, alíneas… Mas todo
este edifício de leis, comissões e programas foi feito a pensar num modelo em
que o homem, branco, católico, conservador encarnava o papel do machista, do
racista, do reaccionário…
Quando o agressor é outro e
sobretudo quando o agressor vem dos grupos que os libertadores do povo têm como
seus protegidos (e potenciais futuros eleitores) então o que antes tinha de ser
imediatamente denunciado passa a ser prontamente silenciado. E assim ignoram-se
agora as agressões praticadas por refugiados/emigrantes muçulmanos na Suécia
tal como se ignorou durante anos e anos o que estava a acontecer nos bairros
periféricos de França, quer com a radicalização dos muçulmanos, quer com a
violência dos bandos de jovens de que são exemplos os acontecimentos deste ano
em Juvisy (não, não foi notícia por cá) ou as reviravoltas oficiais para que
não sejam conhecidos os números das viaturas incendiadas nas datas festivas
naquele país.
Para que se perceba melhor, em
Juvisy, nos arredores de Paris, um bando armado com paus e sabres tomou conta
de um bairro numa noite de sábado para domingo, em Janeiro deste ano. O que
então ali se viveu foi definido pelas autoridades como «guerrilha urbana». Já
quanto ao número de viaturas incendiadas é preciso ter em conta que queimar
carros se tornou numa espécie de actividade recreativa em França. Revelar os
números das viaturas queimadas na noite da passagem de ano é um clássico do mês
de Janeiro para o governo que em França estiver em funções. Este ano, para
compor os números, o ministro do Interior francês até inventou uma nova
categoria de carros queimados: os queimados por fogo colocado directamente.
Deste modo ficavam de fora aqueles que tinham ardido simplesmente porque
estavam ao lado dos que tinham sido incendiados. Esta nova categorização
permitiu ao ministro deixar de fora 295 carros ardidos e dar graças porque
apenas tinham sido incendiadas 650 viaturas e não 945!
Tal como os camponeses da Vendeia
não viam libertação alguma nas perseguições à Igreja Católica ou na
substituição da monarquia pelos comités revolucionários, também o povo neste
início do século XXI não vê libertação alguma no multiculturalismo. Antes pelo
contrário aquilo que o poder apresenta como sinal de tolerância pode em muitos
casos traduzir-se num pesadelo para as suas vidas. Como o foi, por exemplo,
para os habitantes de Calais, uma cidade portuária francesa de 70 mil
habitantes que chegou a contar com 9 mil refugiados/emigrantes que ali
permaneciam meses ou até anos na esperança de passar para Inglaterra. (Quando a
poeira assentar avaliar-se-á o impacto que as imagens do caos de Calais tiveram
na opção dos britânicos pelo Brexit.)
Mas seja no século XVIII seja no
XXI, os libertadores do povo invariavelmente diabolizam qualquer tentativa de
explicação sobre as consequências na vida do povo de todas aquelas leis
perfeitas, aquelas decisões pioneiras, aqueles voluntarismos precursores. E
finalmente acontece o que tem de acontecer: chegam os dias da «inexplicável
Vendeia», essa revolta que os revolucionários nunca compreendem e sempre
procuraram esquecer: como pode o povo revoltar-se contra uma revolução feita em
seu nome?
Em 2016 e 2017 o povo não pega em
armas como fez em França entre 1793 e 1796. Simplesmente vota. E a cada votação
– Brexit, Trump, referendo na Colômbia… – as élites reagem com a estupefacção
dos clubes de iluminados de Paris perante a revolta dos camponeses da Vendeia.
No śeculo XVIII sabemos como tudo acabou: a revolução triunfou sobre a
«inexplicável Vendeia» (mesmo que à custa de um massacre) para em seguida os
revolucionários começarem a combater entre si.
A grande questão já não é quando
acontecem as novas Vendeias mas sim durante quanto tempo as élites irão tolerar
essas inexplicáveis Vendeias que lhe saem das urnas. Presumo que mais
rapidamente se aniquilarão entre si do que serão capazes de parar para pensar
sobre a origem dessas Vendeias que elas fabricaram com a sua arrogância. Por
aqui e por ali vão chegando vozes que apelam à resistência contras as maiorias
eleitorais…
Nada disto prenuncia algo de bom e
tudo isto já se viu no passado. Para que tudo se assemelhe ainda mais a esse
final do século XVIII nem sequer falta em França a destruição do que era o
melhor dos candidatos, o conservador Fillon. (Há sempre um bom candidato
conservador arredado nestas cavalgadas para o irreparável.)
Ao sair de cena o candidato que
melhor podia evitar uma vitória de Le Pen, os eleitores franceses podem
levar-nos a outra «inexplicável Vendeia». Mas que só é inexplicável para quem
não quis ver nem ouvir.
PS. Os falsos recibos verdes. Os precários. Os falsos precários. Os verdadeiros precários. Os precários que não sendo precários afinal são precários…PS, PCP e BE acreditam que a cada novo funcionário público corresponde um novo voto. Só resta saber a qual dos três caberá o voto do premiado com a integração na função pública. Dada a óbvia terra de promissão eleitoral em que está transformada a função pública não hesito em lançar daqui o que me parece ser o futuro slogan das esquerdas: a cada português tem de corresponder um posto de trabalho com contrato efectivo na função pública.
PS. Os falsos recibos verdes. Os precários. Os falsos precários. Os verdadeiros precários. Os precários que não sendo precários afinal são precários…PS, PCP e BE acreditam que a cada novo funcionário público corresponde um novo voto. Só resta saber a qual dos três caberá o voto do premiado com a integração na função pública. Dada a óbvia terra de promissão eleitoral em que está transformada a função pública não hesito em lançar daqui o que me parece ser o futuro slogan das esquerdas: a cada português tem de corresponder um posto de trabalho com contrato efectivo na função pública.
Insólito aviso aos médicos ingleses: não é apropriado chamar mães às «pessoas» grávidas...
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| Ésta es la foto que ilustra el apartado de Maternidad
en la guía que determina cómo deben hablar los médicos británicos. |
ReligiõnenLibertad, 11 de Fevereiro de 2017
La
Asociación Médica Británica (BMA por sus siglas en inglés) ha facilitado a sus
160 000 médicos afiliados un manual de lenguaje en el lugar de
trabajo según los patrones de la ideología de género. El documento,
titulado Una guía a la comunicación efectiva: lenguaje inclusivo en
el lugar de trabajo, enumera una serie de situaciones en las
que la neolengua de género puede ser «más conveniente» que el lenguaje normal.
Este aviso llega semanas después de la campaña mediática en torno a Hayden Cross, originaria de Brighton (Inglaterra), quien ha sido presentada como el primer caso en Reino Unido en el que un «hombre» está embarazado. Nacida como mujer hace veinte años, Hayden es legalmente un hombre y ha interrumpido su tratamiento de cambio de sexo (que incluirá, además de hormonas, la extirpación de pechos y ovarios) para quedarse embarazada con esperma de un donante anónimo y presentarse como un hombre que dará a luz. «Seré el mejor papá», afirma.
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| Hayden
Cross ha interrumpido su cambio de sexo para poder quedarse embarazada. |
Manual para la corrección política
La guía, que sustituye a una similar de 2006 incorporándole las nuevas exigencias del lobby LGTBI, recomienda a los doctores no utilizar el término «madre» para referirse a las mujeres embarazadas ya que podría herir la sensibilidad de «individuos que han dado a luz y no se identifican como mujeres».
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| Arriba: la guía ilustra el apartado Embarazo y Maternidad... con la
imagen de un hombre. Abajo, las instrucciones concretas: «No diga madre, diga gente embarazada». |
En el manual de la BMA se rechazan también los términos de «niño» o
«niña» para los recién nacidos por ser «reduccionistas» y «simplificar
un problema que es más complejo de lo que parece». Además, critica el referirse
al «sexo biológico» del recién nacido y recomiendan sustituirlo por «nacido
o designado niño o niña».
Otra sección reprueba duramente el «centrismo masculino» a la hora de referirse a los apellidos de las familias y propone consultar el «nombre familiar» para no utilizar por sistema el apellido del padre. También recomienda eliminar de los formularios «patrones jerárquicos» como «Prof», «Dr», «Mr», «Mrs» o «Miss».
La BMA ha explica la publicación de este manual en el prólogo: «Esta guía promueve la buena comunicación por medio de un uso del lenguaje que muestre respeto y sensibilidad a todos. La elección de las palabras adecuadas hace una gran contribuión a la celebración de la diversidad».
Medida discutida
Según informa el Daily Mail, monseñor Philip Egan, obispo católico de Portsmouth ha calificado el manual de la BMA como una medida «orwelliana» por ser «un ejemplo de control del pensamiento por medio del lenguaje».
Algunas activistas feministas británicas como la periodista Julie Bindel han criticado también esta recomendación de la BMA calificándola como «el último asalto del lobby transexual contra la feminidad». Bindel denuncia que en Estados Unidos ya se emplean términos como «agujero frontal» en vez de vagina o «ventana del nacimiento» en vez de cesárea para evitar ofender a los transexuales.
Sin embargo, el colectivo LGTB está muy a favor de este documento. Heather
Ashton, miembro de un grupo de apoyo a los transexuales, manifiesta
que «sabemos que las mujeres biológicas se quedan embarazadas, pero los
transexuales también».
Un nuevo paradigma
La ideología de género avanza a pasos agigantados en la sociedad británica. Muchas asociaciones que apoyan al colectivo LGTB reciben además fondos públicos para mantener su labor. Estas ayudas incluyen 50 000 libras otorgadas a la universidad de Sheffield Hallam para realizar un estudio sobre los «símbolos discriminatorios de los baños públicos».
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| Las
nuevos símbolos transexuales ya forman parte del mobiliario urbano de la ciudad en lugares tan importantes como Trafalgar Square. |
sábado, 11 de fevereiro de 2017
A eutanásia e a democracia fugitiva
Germano de Sousa
A Eutanásia é uma questão
civilizacional! Autorizar a morte de um doente ou facilitar o seu suicídio, por
um médico, a pedido daquele, mesmo que por razões ponderosas – chame-se-lhe
Eutanásia, ou o que se quiser – sem uma reflexão de toda a comunidade e sem um
referendo que claramente expresse o seu sentir, desestrutura e atinge a
identidade dessa comunidade. O B.E. com o beneplácito de parlamentares de
outros partidos, atarefa-se na legalização da eutanásia na A.R.. Apesar da
Eutanásia não constar do programa de nenhum dos partidos desses deputados e sem
mandato para isso do povo português, recusam o referendo. Confrontados nos
jornais, alguns deles argumentam, «que a Eutanásia é um assunto que diz
respeito às liberdades fundamentais» e como tal querem legislar sem
ouvir os portugueses! Quem os autoriza a falar em nome destes sem previamente
terem avisado ao que vinham? E o referendo sobre o aborto? A liberdade da
mulher dispor do seu «ventre» não era também uma liberdade fundamental? Estarão
estes parlamentares com receio de auscultarem o povo que os elegeu? Um deles,
há um ano atrás, afirmava mesmo que o objectivo do referendo «é o oposto da
democracia. Uns quantos a imporem a todos as suas próprias opções, regras e
decisões de vida!!» Como se uma decisão sobre a Eutanásia, tomada
apenas no parlamento não configurasse uma minoria a impor a todos
as suas próprias opções e decisões de vida? Que democracia fugitiva é esta que nos
querem impor?
Se houver referendo votarei contra a legalização da morte. Não o faço por razões religiosas ou teológicas. Faço-o por razões éticas e deontológicas que para mim sobrelevam qualquer lei ou religião. As mesmas que me levaram quando Conselheiro do C.N.E.C.V. a subscrever positivamente o parecer sobre o Testamento Vital ou que, enquanto Bastonário da O.M., me fizeram opor a qualquer forma de encarniçamento terapêutico (Distanásia). A ética médica implica a realização de valores que encarnam os direitos que todos os seres humanos deveriam primordialmente usufruir. Entre estes está o direito a viver com dignidade. Do princípio ao fim. Viver o fim com dignidade significa a ausência de sofrimento físico. Significa também a ausência de sofrimento moral e psíquico, pois a angústia do doente que sabe estar o fim de vida muito próximo e a solidão que sente (haverá acto mais solitário que morrer?), torna obrigatório também aqui, que o médico cumpra o princípio ético de tudo fazer pelo bem-estar e dignidade do seu doente. Que tem o direito a terapêuticas paliativas que lhe diminuam o sofrimento, mesmo que contribuam indirectamente para um não prolongar artificial da vida. Que tem o direito a consentir ou recusar essas terapêuticas. Que tem o direito a um fim de vida digno e conforme à sua condição de ser humano. Porém, o respeito por esses direitos, não permite ao médico descurar outro dever ético fundamental e estruturante da sua profissão. O de jamais atentar contra a vida do doente mesmo que o faça em nome desses direitos. Eliminar a dor física ou moral não pode significar eliminar o portador da dor. Ou seja, mesmo invocando intuitos piedosos o médico não pode jamais praticar a eutanásia. Sob pena de negar os alicerces da sua profissão e da relação médico-doente! Sob pena de se negar a si mesmo! O respeito máximo dos médicos pela vida humana é um valor absoluto que não admite subterfúgios. Assim o impõe o Juramento de Hipócrates na sua forma clássica e a Declaração de Genebra, na sua última versão de 2006.
Se houver referendo votarei contra a legalização da morte. Não o faço por razões religiosas ou teológicas. Faço-o por razões éticas e deontológicas que para mim sobrelevam qualquer lei ou religião. As mesmas que me levaram quando Conselheiro do C.N.E.C.V. a subscrever positivamente o parecer sobre o Testamento Vital ou que, enquanto Bastonário da O.M., me fizeram opor a qualquer forma de encarniçamento terapêutico (Distanásia). A ética médica implica a realização de valores que encarnam os direitos que todos os seres humanos deveriam primordialmente usufruir. Entre estes está o direito a viver com dignidade. Do princípio ao fim. Viver o fim com dignidade significa a ausência de sofrimento físico. Significa também a ausência de sofrimento moral e psíquico, pois a angústia do doente que sabe estar o fim de vida muito próximo e a solidão que sente (haverá acto mais solitário que morrer?), torna obrigatório também aqui, que o médico cumpra o princípio ético de tudo fazer pelo bem-estar e dignidade do seu doente. Que tem o direito a terapêuticas paliativas que lhe diminuam o sofrimento, mesmo que contribuam indirectamente para um não prolongar artificial da vida. Que tem o direito a consentir ou recusar essas terapêuticas. Que tem o direito a um fim de vida digno e conforme à sua condição de ser humano. Porém, o respeito por esses direitos, não permite ao médico descurar outro dever ético fundamental e estruturante da sua profissão. O de jamais atentar contra a vida do doente mesmo que o faça em nome desses direitos. Eliminar a dor física ou moral não pode significar eliminar o portador da dor. Ou seja, mesmo invocando intuitos piedosos o médico não pode jamais praticar a eutanásia. Sob pena de negar os alicerces da sua profissão e da relação médico-doente! Sob pena de se negar a si mesmo! O respeito máximo dos médicos pela vida humana é um valor absoluto que não admite subterfúgios. Assim o impõe o Juramento de Hipócrates na sua forma clássica e a Declaração de Genebra, na sua última versão de 2006.
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