terça-feira, 9 de maio de 2017
O jogo da baleia azul e o hiperindividualismo
Pedro Afonso
O hiperindividualismo, alimentado por esta cultura dos ecrãs, tem agravado o desinteresse dos jovens relativamente à vida pública, reduzindo a sua participação quer no associativismo, quer na política
O jogo da baleia azul veio criar uma onda de pânico e alarmismo entre pais, professores e alunos. O tema não deve ser abordado de forma sensacionalista, descrevendo-se, por exemplo, os pormenores mórbidos do jogo, como aconteceu com algumas notícias veiculadas pela comunicação social. Esta abordagem aguça a curiosidade dos jovens, podendo aumentar o número de participantes, e o risco de mimetismo suicida em indivíduos fragilizados. No entanto, pais e professores podem e devem advertir os jovens para os riscos deste jogo perigoso e de outros similares, aplicando-se aqui as regras gerais de segurança da utilização da internet. O resto deve ser entregue ao cuidado da polícia e do Ministério Público.
Nunca como hoje os seres humanos tiveram tantas possibilidades de estarem conectados, através das novas tecnologias de comunicação, e nunca como hoje houve tantas pessoas a experimentar o abismo da solidão. O ciberespaço, proporcionado pela internet, tem contribuído para o desaparecimento das comunicações presenciais, tornando cada vez menos frequente a experiência de estar na presença do outro. Os laços sociais têm vindo a ser substituídos por ligações virtuais, digitalizadas, em que cada pessoa comunica com a outra dentro do seu casulo isolado, nalguns casos sob a cobertura do anonimato.
Os ecrãs dos telemóveis e dos computadores transformaram-se em autênticas máquinas de dessocialização. Basta olhar à nossa volta para vermos casais em restaurantes, sem proferirem uma palavra entre si, com os olhos vidrados nos ecrãs dos telemóveis. Somos confrontados com grupos de jovens reunidos em silêncio, martelando freneticamente com os dedos o teclado virtual do telemóvel, trocando, numa azáfama aflitiva, mensagens com alguém que não está presente. Observamos diariamente multidões de pessoas, hipnotizadas a percorrerem as ruas, viajando nos transportes públicos, com um telemóvel erguido em frente a um olhar vidrado, totalmente indiferentes sobre o que se passa à sua volta.
Aprisionadas no presente, numa cultura do efémero e na adição da hiperestimulação proporcionada pelos ecrãs, a vida interior de muitas pessoas transforma-se numa aridez preocupante. Uma parte da sociedade está desorientada num mundo de superficialidade, sem ter capacidade para efectuar uma reflexão mais profunda sobre vários assuntos, e sem ambicionar obter respostas sólidas e duradoras. Nesta relação doentia entre o Homem e a máquina, a máquina tem vindo a capturar o Homem, retirando-lhe o interesse social e estupidificando-o.
O hiperindividualismo, alimentado por esta cultura dos ecrãs, tem agravado o desinteresse dos jovens relativamente à vida pública, reduzindo a sua participação quer no associativismo, quer na política. Este fenómeno ajuda-nos a compreender porque é que os partidos tradicionais estão a perder cada vez mais influência política na sociedade, bastando dar como exemplo as recentes eleições presidenciais francesas. Muitos não votam e não mostram qualquer entusiasmo pela política, nem tão-pouco revelam interesse pela própria vida.
Os «desinteressados da vida» formam um verdadeiro exército de pessoas desvinculadas, sem pertença, que vivem adormecidas numa indolência perigosa, em risco de serem recrutadas por líderes populistas e extremistas. Este recrutamento tanto pode servir para matar em nome de uma ideologia radical ou de um grupo terrorista (veja-se o tipo de recrutamento realizado pelo Estado Islâmico nos jovens europeus), como pode ser utilizado para morrer, num jogo absurdo e perverso, como é o caso da baleia azul.
O Homem tem uma inclinação natural para socializar. Quando essa característica é comprometida, o indivíduo fica fragilizado, favorecendo o aparecimento de comportamentos imprevisíveis e autodestrutivos. As novas tecnologias estão a modificar a relação entre as pessoas, se o seu uso não for equilibrado podem colocar em risco a coesão social. Citando Ortega y Gasset, «convém salientar que não há nenhum progresso seguro, nenhuma evolução, sem a ameaça de involução e retrocesso».
segunda-feira, 1 de maio de 2017
terça-feira, 25 de abril de 2017
O mito de Aristides Sousa Mendes, os novos heróis e o aniversário de Abril…
João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador 25/4/17
«Navegar é preciso, viver
não é preciso»;
«Ó Portugal, hoje és
nevoeiro…»
«Senhor, falta
cumprir-se Portugal!».
Fernando Pessoa
Após o incompleto 25 de Novembro de 1975, assentou arraiais, um regime úbere em mazelas, baseado numa Constituição peca, palavrosa e até antidemocrática, regime que se sedimentou através de distribuição de dinheiro emprestado e muitos negócios ruinosos e corruptos.
Lavaram o cérebro aos cidadãos através de muita mentira política, social e histórica, e estribilhos de grande efeito sonoro e «progressista», como «liberdade», «antifascismo», «abaixo a reacção», «democracia», «modernidade», «direitos e mais direitos», etc..
Sem nunca se ter intuído e interiorizado o verdadeiro significado dos termos, doutrinas e conceitos.
E sem nunca terem julgado ninguém![1]
As pessoas passaram, de facto, a viver melhor mas com riqueza que não produziram, não lhes pertencia e pelo desbarato de todas as reservas acumuladas. Que não eram pequenas.
Sem embargo, o regime não tinha heróis.
Passado o fugaz deslumbre dos «capitães» – cuja maioria nunca se deu conta verdadeiramente daquilo em que se metera – e de dois generais que emergiram do golpe, Spínola e Costa Gomes que, célere, foram promovidos a Marechais.
Direi que indevidamente, o primeiro por ter ajudado a desencadear um evento que não conseguiu controlar e que o ultrapassou e, ainda, pela vaidade que lhe embotou o senso; o segundo por falta de carácter e lealdade, como as duas alcunhas por que era conhecido, tão bem ilustram: «rolha» e «judas». (Ainda hoje ninguém sabe ao certo o que é que este oficial de cavalaria – que não gostava de montar a cavalo – foi, na realidade, e para quem «trabalhou»).
Ambos por terem grandes responsabilidades na leviana destruição de um conceito de Nação Portuguesa que tinha cerca de 600 anos.
Sem embargo de o terem obrado defender militarmente, com uma competência técnica acima da média.
Porém, o que falta ao actual regime em heróis sobra-lhe em traidores, desertores, infamados e desclassificados.
A legião de corruptos perde-se de vista bem como os de vira-casacas (assim a modos como os «adesivos», no dia 6 de Outubro de 1910…).
Fora isto, restavam uns pseudo heróis de pacotilha, que se tinham entretido a colocar bombas nas ruas, ou a tentar prejudicar o esforço de guerra; assaltar bancos e piratear aviões e navios (entretanto recompensados com pensões e medalhas).
Seguiu-se um general que tinha participado no golpe de estado de 28 de Maio de 1926, servido com extremoso entusiasmo o regime que se seguiu e depois veio a atraiçoar, por razões menos nobres.
Já o encafuaram no mausoléu de Santa Engrácia, mas só foi fazer má companhia aos que lá estão.
Espero que, ao menos, não o tenham colocado ao lado do Aquilino Ribeiro…
Restam as «Catarinas Eufémias» da propaganda leninista, agora transmutada na subversão mais adequada à psicologia da burguesia, com origem no Gramsci e na Escola de Frankfurt. Mesmo assim o PC não simpatiza nada com esta moda…[2]
Além disto o regime nasceu aviltado por uma Junta de Salvação Nacional que não fez (e não conseguiu fazer) nada do que se tinha proposto – o célebre Programa do MFA – e rapidamente se alienou.
Um regime, cujos próceres, infligiram ao próprio país uma derrota política e militar, quando se estava a controlar e a ganhar a guerra em todas as frentes e que estava a ser combatida de uma forma competente e patriótica, como já não se assistia desde que Afonso de Albuquerque entregara a alma ao criador, frente a Goa, em 1515 (e mesmo este fartou-se de ser atraiçoado em Lisboa…).
E não contentes em terem provocado uma debandada de pé descalço, vergonhosa, ainda ficaram ufanos dela![3]
A Primeira República tinha-se fundado num crime de regicídio, num levantamento armado civil/militar, ilegal, organizado por um Partido legalmente constituído (o Partido Republicano) e por uma organização paramilitar clandestina – a Carbonária – mancomunada com aquele e com o Grande Oriente Lusitano. Regime que nunca se referendou.
A Terceira República alicerçou-se na tragédia inominável da «Descolonização» e na utopia dos «amanhãs que cantam», atroando os ares com a cançoneta da liberdade. A liberdade dos cemitérios.
Vivemos melhor? Materialmente vive-se melhor, é certo. Mas temos uma dívida impagável, crescemos em média 1,5% a 2% ao ano, temos 10% de desemprego 120 000 emigrantes/ano e demografia negativa.
E deixámos de ser donos do nosso destino (afinal onde está a liberdade?).
Mas vivemos melhor…
O que não quer dizer que se não houvesse golpe de estado em 25/4/74, também não o conseguissemos.
Pelo menos, na altura, o País crescia a 7% (no Ultramar era mais); o escudo era a 6.ª moeda mais forte do mundo e estava escorada em 850 toneladas de ouro e 50 milhões de contos em divisas).
O desemprego era quase inexistente bem como a dívida externa. Não havia dificuldade de crédito e os recursos eram imensos…
Esquecia-me de dizer que tudo isto acontecia «apesar» de existirem 230 000 homens em armas, espalhados por quatro continentes e quatro oceanos e a combater há 14 anos em três teatros de operações distintos (Angola, Moçambique e Guiné).
Convenhamos que o prato da balança era mais favorável…
Na altura o «espelho» da Nação era o Exército.
Agora o espelho (muito baço e riscado) é o futebol.
Daí não ser de estranhar que muitos dos «heróis» estejam a ele associados.
E nem vou entrar nos aspectos morais e cívicos que impregnam a sociedade que este regime enformou e promoveu.
Havia pois, uma necessidade desesperada, de arranjar um herói.
Aristides Sousa Mendes (ASM) caiu neste cenário como mel na sopa.
E que perfil ideal lhe arranjaram: perseguido pelo Regime «obscurantista» do Estado Novo e pelo «tenebroso» chefe de governo que o edificara; um desobediente por uma justa causa; um homem corajoso que se manteve fiel à sua consciência; um humanista; um lutador pela paz; uma alma sofrida por uma causa humanitária; um injustiçado que acabou na miséria; enfim, um justo. E só tardiamente reconhecido![4]
A sua mistificação continua pois, de vento em popa e ainda há muito a esperar deste filão, sobretudo se tiver a ajuda de uns rabis fervorosos e uns católicos ingénuos (alguns nada ingénuos).
É caso para o Pessoa, se fosse vivo e observasse o quadro, afirmasse:
— «Olha, toda a gente a querer viver e ninguém a querer navegar»;
— «Eh pá continua uma morzeta dos diabos, não vejo nada…»;
— «Ó Portugal, quando é que tu te cumpres?»
Ainda não é a hora…
[1] Minto, houve um «julgamento» do almirante Tenreiro e absolveram-no.
[2] A pobre da Catarina (outro mito) não tinha nada a ver com qualquer protesto nem era militante de coisa alguma. Estava no sítio errado, na altura errada e morreu acidentalmente, com uma bala perdida da pistola-metralhadora do comandante da força da GNR presente, Tenente Carrajola, que caiu no chão e se disparou inadvertidamente. Consta que os militares quotizaram-se, até, para pagar o funeral à vítima.
[3] Enfim, este aspecto até acaba por ser o mais mirabolante de tudo o que se passou!...
[4] Sobre este personagem favor ler o artigo «São Seguidas», que publiquei em 14/4/17.
sábado, 22 de abril de 2017
PPD-PSD: da crise de valores à crise de comadres
Luís Lemos
Enquanto os militantes e os eleitores fiéis do PPD-PSD aguardam ansiosamente o combate à geringonça que desgraça Portugal, as cúpulas do Partido digladiam-se.
Mas não por esta ou aquela causa nobre ou supostamente nobre.
Digladiam-se movidas por imediatos interesses pessoais dos membros dessas seitas.
Seitas secretas ou às claras, económicas ou de carreiras, «socialmente correctas» ou criminosas, ou tudo ao molho.
Uma vergonha.
Esta triste realidade é particularmente visível na Concelhia e na Distrital de Lisboa.
Gente completamente desqualificada candidata-se, recandidata-se, manobra...
Não faltam os apoios de ditos «notáveis», em socorro desta ou daquela seita, em que o Santana dá o mote.
Lá para cima, o eutanasista Rui Rio, em representação de outra seita, espreita a sua oportunidade.
Para candidata à Câmara de Lisboa foi escolhida a conhecida apoiante do lóbi homossexualista Teresa Leal Coelho (a colega do famoso Vale e Azevedo), já na continuação do «coordenador» José Eduardo Martins, outro apoiante do referido lóbi.
E os seus críticos não são melhores, apenas pertencem à concorrência interna.
Em que ficamos?
Em que estado está o PPD-PSD?
Onde estão as causas de tudo isto?
Que fazer perante tudo isto?
Portugal Laranja tem a resposta.
https://sol.sapo.pt/artigo/559321/psd-lisboa-teresa-leal-coelho-impoe-nomes-para-as-24-juntas
Suécia teme a agressividade de Moscovo e intensifica rearmamento
Revista Catolicismo, n.º 796, 20 de Abril de 2017
A Suécia, que nutria até há pouco um pacifismo visceral, agora, diante da agressividade de Putin, restabeleceu o serviço militar obrigatório. As provocadoras manobras da marinha e da força aérea russa nas fronteiras do país escandinavo geram grande temor.
Nova lei dispõe o alistamento de 13 000 dos 88 000 jovens nascidos em 1999. O Ministério da Defesa calcula que a partir de 2023 precisará anualmente de 8 000 soldados a mais. Setenta por cento dos suecos declararam-se favoráveis a esse recrutamento.
quinta-feira, 20 de abril de 2017
EUA e China frente a frente com as ameaças da Coreia do Norte
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| A Coreia do Norte
intensificou as ameaças de ataque nuclear aos E.U.A.. Os mísseis são feitos com partes contrafaccionados ocidentais passadas pela China |
Luis Dufaur, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, 19 de Abril de 2017
Após insistentes provocações nucleares e missilísticas a Coreia do Norte caminhava a achar que vivia na era da impunidade que a moleza de Barack Obama lhe tinha garantido.
Mas agora, uma frota liderada pelo porta-aviões USS Carl Vinson navega à distância de fogo das suas paupérrimas, mas eriçadas bases militares.A Agência Central de Notícias de Pyongyang achou «ultrajante» a manobra escreveu o «Chicago Tribune».
A presença de navios de guerra americanos na região é habitual, mas o secretário de Estado americano Rex Tillerson esclareceu: «Se alguém viola os acordos internacionais, não cumpre os seus compromissos, e se transforma numa ameaça para os outros, num dado momento alguma resposta lhe deve ser dada», acrescentou o «Chicago Tribune».
A China percebeu logo que as intimidações do ditador norte-coreano Kim-Jong-Un com os seus mísseis contrafaccionados e de pontaria não demonstrada de pouco servem. Então decidiu intervir sorrateiramente.
De facto, a China constitui o grande problema por trás do exibicionismo e a arrogância de Pyongyang.
Segundo o jornal chinês «The Epoch Times» editado em Nova Iorque, fontes dos media sul-coreanos dizem que 150 mil médicos e pessoal de apoio do Exército de Libertação Popular (ELP) da China foram mobilizados ao longo do rio Yalu, que a separa da Coreia do Norte.
Esta mobilização foi precipitada pela movimentação do grupo naval liderado pelo porta-aviões Carl Vinson, que se encaminhou para a Península Coreana em 8 de Abril, mudando o seu rumo original.
O presidente dos E.U.A. Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping encontraram-se na Flórida entre os dias 6 e 8 de Abril. E foi num jantar que o chinês ficou a saber que o americano tinha ordenado bombardear a Síria, escreveu «The Guardian».
O recado foi claro. Xi Jinping saiu satisfeito com as conversações e comprometido a conduzir a crise nuclear norte-coreana a uma conclusão pacífica.
Mas Xi percebeu logo o que pode acontecer na Coreia. Ele sabe que a China nem sequer tem como enfrentar militarmente os E.U.A.. Mas os imensos investimentos ocidentais no seu território são uma arma de chantagem de primeira magnitude.
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| O grupo de tarefas do USS Carl Vinson navega no Mar do Sul da China |
A Coreia do Norte, ditadura comunista e um dos regimes mais repressivos do mundo tem graves dificuldades para alimentar basicamente a quem não é do Partido Comunista.
Embora a sua infra-estrutura industrial e tecnológica seja deplorável, já detonou pelo menos cinco bombas nucleares subterrâneas e testou mísseis civis e militares que seriam capazes de atingir os E.U.A..
Num desses testes, a marinha da Coreia do Sul recuperou partes completas dos motores de um míssil que caiu no mar. As peças foram analisadas por especialistas internacionais, noticiou «The Washington Post».
Os testes constataram que muitas partes terminantes, incluindo software e peças vetadas à venda para a Coreia do Norte, tinham sido adquiridas no exterior usando empresas chinesas como intermediários.
O Unha-3 que pôs em órbita o satélite Kwangmyongsong-4 em 7 de Fevereiro de 2016, foi o mais poderoso feito pelo regime de Kim Jong Un. Media mais de 30 metros de altura e era capaz de despejar engenhos nucleares em cidades remotas como Washington.
Nos restos do Unha-3 foi recuperado um vasto leque de partes electrónicas fabricadas em países ocidentais e encaminhadas para a Coreia do Norte pela própria China.
A contrafacção não impediu que explodisse logo após a ignição o míssil agendado para partir durante as espalhafatosas manifestações militares pelo aniversário do ditador Kim-Jong-Un.
A Coreia do Norte «é um regime imprevisível e agora tem capacidade nuclear», disse o assessor de segurança nacional tenente-general H. R. McMaster no Fox News Sunday.
«O presidente Xi e o presidente Trump concordaram que isso é inaceitável, o que deve acontecer é a desnuclearização da Península Coreana».
Em 10 de Abril, o presidente Trump indicou numa mensagem de Twitter: «expliquei ao presidente da China que um acordo comercial com os E.U.A. será muito melhor se eles resolverem o problema da Coreia do Norte!»
E acrescentou: «a Coreia do Norte está à procura de problemas. Se a China decidir ajudar, isso seria óptimo, se não, resolveremos o problema sem eles!»
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| O aniversário do ditador foi um paroxismo de exibicionismo e intimidações |
Actividade inusual, inclusive um visita do jacto privado do ditador, foi fotografada por satélite, segundo «The Washington Post».
Simultaneamente, os E.U.A. lançaram a sua mais potente bomba não-nuclear sobre um conjunto de túneis e cavernas do Estado Islâmico em Achin, província de Nangarhar, Afeganistão, perto da fronteira com o Paquistão.
Foi a primeira vez que os EUA usou a bomba GBU-43 MOAB (Massive Ordenance Air Blast) em conflito conhecida como a «mãe de todas as bombas» pelas suas 11 toneladas de explosivos.
Nos mesmos dias a imprensa americana revelou o momento em que presidente Trump comunicou o bombardeamento da Síria ao presidente Xi Jinping, com quem jantava.
Trump também comentou, aliás pouco polidamente: «Acredito que faremos muita pressão sobre a Rússia para que garanta que teremos paz, porque francamente se a Rússia não tivesse apoiado esse animal (o ditador da Síria), agora nós não teríamos problemas», segundo o «The New York Times».
Já aconteceu na Síria… O que pode acontecer na Coreia do Norte e no mundo?
terça-feira, 18 de abril de 2017
Dentro e fora do país, aumenta a saturação em relação a Putin
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| Protestos
contra a corrupção em 99 cidades da Rússia foram animados pelos jovens |
Luis Dufaur, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, 17 de Abril de 2017
Manifestações contra a corrupção predominante no Kremlin reuniram em Março muitos milhares de pessoas em quase cem cidades da Rússia. A aglomeração e a multiplicidade de locais deixaram espantados os opositores e situacionistas.
O Kremlin que sabia do mal-estar espalhado na Rússia, entretanto, não conseguia esconder o espanto diante da dimensão do protesto. Surpreso também ficou Alexei Navalny o dissidente que convocou as marchas.
Alexei Navalny e cerca de 700 seguidores foram presos pelo aparato repressivo enquanto os manifestantes foram atacados com gás pimenta e cassetetes segundo a organização OVD-Info.
Para a polícia «só» 500 foram encarcerados. O recurso à brutalidade com os opositores não é novidade na Rússia nem para uns nem para outros.
Navalny tinha publicado um relatório acusando o primeiro-ministro Dmitri Medvedev de liderar um império imobiliário em benefício dos chamados oligarcas que rodeiam o presidente Vladimir Putin.
O vídeo sobre o inquérito e a corrupção das elites foi visualizado por 11 milhões de vezes no YouTube antes das marchas populares, noticiou «Le Fígaro» de Paris.
As manifestações populares foram proibidas pela polícia em 72 das 99 cidades previstas. Mas os populares saíram em massa até em cidades da província onde não se podia suspeitar de tanto descontentamento como Irkutsk, Tomsk, Krasnoiarsk, ou Novossibirsk na Sibéria, acrescentaram «Le Figaro» e o «The Wall Street Journal».
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| Violência repressiva prendeu centenas de manifestantes |
Em Moscovo os manifestantes encheram a rua Tverskaïa, uma das principais avenidas da capital.
«O País está farto da corrupção», disse Natalia Demidova, 50 anos. «Eles roubam e mentem, mas as pessoas são pacientes. Esta manifestação é o primeiro impulso para as pessoas reagirem» comentou Nikolai Moissei, operário de 26 anos.
Em São Petersburgo, segunda cidade da Rússia, 4 000 pessoas reuniram-se apesar da proibição e as ameaças da polícia presente com excessivo número.
«Estamos fatigados pelas mentiras, é preciso fazer qualquer coisa», explicou Serguei Timofeiev, de 23 anos.
O líder oposicionista Navalny foi preso com violência, mas achou isso «compreensível»: «os ladrões defendem-se desta maneira. Mas não podem prender todos os que são contra a corrupção porque são milhões», reportou o jornal parisiense.
As televisões do Estado cumpriram um perfeito silêncio sobre os acontecimentos.
O «The Wall Street Journal» informou que as multidões cantavam «Rússia sem Putin» inclusive diante do Ministério da Polícia.
A rádio «Eco de Moscou» falava em multidões muito maiores dos milhares reconhecidos pela polícia.
O mal-estar na Rússia está em aberta contradição com os inquéritos oficiais que atribuem a Putin mirabolantes índices de popularidade.
O departamento de Estado em Washington contentou-se com uma severa condenação da violação dos direitos humanos, mas, como é habitual em relação aos governos de esquerda não foi além do exercício verbal.
«Bandido deveria estar na cadeia», repetia com a multidão Anna Tursina em Moscovo. «Não gosto da Rússia que nós temos e da corja que está no poder. Não há dinheiro para a educação, a ciência, as crianças, mães e anciões», acrescentou.
O «New York Times» comparou os protestos na Rússia com as manifestações havidas no Brasil pelo impeachment de Dilma Rousseff e ao apoio à Operação Lava Jato.
«Os jovens deixam apatia e assustam o Kremlin» foi um dos cabeçalhos do jornal nova-iorquino, citado pela «Folha de S. Paulo».
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| Os macromedia oficiais, na Rússia e no Ocidente, tentaram abafar os factos |
Um dos factos mais surpreendentes até para os líderes dos protestos foi a juventude dos presentes: um grande número era composto de adolescentes ou jovens na faixa dos 20, observou «The New York Times».
Para o jornalista Artyom Troitsky que acompanhou muitos anos a cultura jovem russa, o engajamento da juventude nos protestos foi «excepcionalmente importante». Saíram da apatia e isso é sinal de que «algo está mudando definitivamente».
O jornal pró-socialista «El País» de Madrid, constatou o fenómeno com amargura no editorial «Cansados de Putin». Para ele os acontecimentos marcam a recusa do autoritarismo vivido pela Rússia sob Vladimir Putin.
Astuciosamente, o jornal de esquerda recomendou ao presidente russo não ignorar o descontentamento de incontáveis russos e não se limitar a acusações e medidas repressivas contra o dissidente Navalny.
Estas poderiam-lhe resultar contraproducentes em virtude das contundentes provas apresentadas por Navalny sobre o império imobiliário de Medvedev, financiado por oligarcas e outros interesses obscuros.
«El País» observou a «constante ingerência russa nos processos democráticos actuais e na política dos países da Europa», e até na campanha eleitoral dos EUA. E observou com preocupado interesse o facto de que «Putin vincula-se a forças reaccionárias, como as representadas por Marine Le Pen em França e Viktor Orbán na Hungria».
O jornal socialista recomendou-lhe «regenerar um sistema que se distancia cada vez mais dos usos democráticos, em vez de tentar influir noutros».
E aconselhou a Putin não se enganar com o silêncio a que foi reduzida a sociedade russa. Porque, «dentro e fora do país, aumenta a saturação em relação a Putin», concluiu.
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