sábado, 12 de agosto de 2017
Mas que organização é a do Partido em Lisboa?
Alberto Mota
Queixa-se com razão um militante de Lisboa.
Perguntei a um militante que está na lista da Assembleia Municipal:
— Quem são os outros?
Resposta: — Não sei.
Pois é.
Será só agora que isso acontece? Desde quando é que o PSD teve vida colegial? E a liquidação das 10 estruturas de base do PSD em Lisboa (antes chamadas secções) terão contribuído para resolver ou agravar esse problema real?
Hoje, com a liquidação das estruturas de base, nem os membros do Partido se conhecem, quanto mais saberem quem são os candidatos!!!
Havendo uma secção em Lisboa, deveria haver um núcleo por cada freguesia. Óbvio, não? Mas o golpismo das castas aliado à incompetência de uns e perante a irresponsabilidade de outros fez o que há...
É preciso não apenas restaurar as 10 estruturas de base de Lisboa.
É preciso aumentar o seu número, fazendo corresponder um núcleo a cada freguesia.
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Métodos da história antiportuguesa
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| Escola de Sagres: organizada por D. Henrique, desenvolveu técnicas de navegação e a indústria marítima, porém a historiografia ignora a sua existência. |
Hugo
Dantas, Nova Portugalidade, 6 de Agosto de
2017
A História querer-se-ia a
investigação rigorosa da acção colectiva da Humanidade, ou das muitas
humanidades que a compõem, completada com o prudente e desapaixonado juízo que
discerne as causas próximas e remotas do devir histórico. Porém, é mais frequente,
o que nos tenta a concluir que é natural, que se escreva a história a favor ou
contra certas concepções, partidos ou ideologias. Os que escrevem a história
antiportuguesa pretendem reduzir a intervenção do nosso povo no curso geral das
coisas a um empreendimento terrorista, enfatizando este e aquele acto de
violência, induzindo apressadamente a partir de certa infâmia, recortando do
volumoso e riquíssimo manancial de quase seis séculos de actuação ultramarina
dos Portugueses somente o trânsito negreiro no Atlântico, procurando
apresentá-lo como a herança definitiva legada à posteridade humana da Expansão
e do Império.
A história antiportuguesa redige-se,
algumas vezes, com recurso à pura e simples mentira. Na grande maioria destes
casos, o leitor ou o ouvinte consciencioso poderá desalojar um livro de
historiografia séria da sua estante, ou da prateleira de qualquer biblioteca
pública nas proximidades, e prevenir-se contra a fraude. Porém, a história
antiportuguesa é quase sempre produzida por métodos mais subtis. Em breve, mas
significativo ensaio, «Catholic Truth in History», Hilaire Belloc descreveu os
modos pelos quais na Inglaterra protestante se forjavam tratados e manuais
anticatólicos. Os métodos da historiografia anticatólica que Belloc examina são
aplicáveis a qualquer pessoa ou colectividade cuja história, e identidade, se
queira deformar para qualquer propósito, e também se encontram na
historiografia antiportuguesa, o que qualquer escrutinador será capaz de fazer,
uma vez apercebida a natureza de tais procedimentos.
A história antiportuguesa começa a
gerar-se na selecção dos materiais. Qualquer narrativa impõe uma selecção dos
factos a mencionar. As crónicas dos feitos humanos oferecem-nos um oceano de
sucessos, personalidades e contextos, entre o qual é necessário peneirar o que
se julga dever ficar registado. Assim, a selecção do material pode fazer-se de
modo a que a verdade seja obnubilada, ainda que cada facto que se apresente
seja verdadeiro. A história antiportuguesa selecciona somente entre os anais da
Expansão e do Império aquilo que oferece um retrato escabroso do nosso
empreendimento colectivo.
O tom do narrador é sempre elemento
não desprezível de qualquer obra de historiografia. O tom antiportuguês
empregará a ironia para com os nossos maiores feitos, usará das palavras mais
fortes e emocionais para descrever os abusos verificados, introduzirá
expressões de insinuadora ambiguidade em parágrafos onde competiria imperar o
rigor descritivo.
Por fim, a proporção escolhida entre
as diversas partes da narrativa concorre para completar um retrato mentiroso na
historiografia antiportuguesa. Dois historiadores podem seleccionar o mesmo
conjunto de factos a tratar nas suas obras. Mas a dimensão e a ênfase que
conferem a cada um dos factos, a ordem em que estes são postos na narrativa,
impressionam de forma diversa, mais favorável ou prejudicial, o leitor. O que
história contra Portugal não hesitará em desamarrar a pensa, que navega à
bolina do seu ódio, para relatar, com pormenores grotescos, o que de infame
existir para ser publicado sobre o nosso passado imperial.
A história da expansão ultramarina
de Portugal, como um todo, e nas suas partes, tem sido objecto destes múltiplos
métodos de ocultar e deformar a verdade histórica. Mais recentemente,
aproveitando o ímpeto projectado desde o estrangeiro, a historiografia
antiportuguesa tem-se empenhado em reduzir a história da Expansão e do Império
ao tráfico negreiro, aos abusos praticados sobre os nativos americanos e
africanos, às razias e à guerra. Ainda que quaisquer alegações relacionadas com
estes eventos, em si mesmas, sejam verdadeiras, e em muitos casos não o são, a
exposição que com eles se constrói da história de Portugal é falsa. Excluídos
ficam os decisivos contributos de Portugal para o progresso da Humanidade: a
vitória sobre a distância, a fundação de um verdadeiro mercado mundial, a
difusão de tecnologia, a revolução alimentar... Em sumário, o pioneirismo na
globalização, a tomada da posse da Terra pela Humanidade, dos quais todos,
hoje, em maior ou menor grau, gozamos os frutos, desconhecidos dos antigos
durante milénios.
No próximo texto de história antiportuguesa que encontrar, o estimado leitor poderá, olhando à selecção, ao tom, à proporção usadas, apontar exactamente onde é que está a mentira.
No próximo texto de história antiportuguesa que encontrar, o estimado leitor poderá, olhando à selecção, ao tom, à proporção usadas, apontar exactamente onde é que está a mentira.
sábado, 5 de agosto de 2017
Política turca conseguiu minimizar os cristãos de 20% para 0,2% em 100 anos
António Justo
Estado turco confisca património
cultural cristão
O Estado turco acaba de confiscar,
pelo menos, 50 conventos, igrejas e cemitérios, dos cristãos ortodoxos sírios
(Arménios/sírios) transferindo a sua posse para a Repartição estatal da
religião islâmica. À perseguição e discriminação dos cristãos vem juntar-se a
expropriação do seu património cultural. Com esta medida o governo pode vender
e transformar em mesquitas e museus o património dos cristãos.
A Turquia considera-se exemplar, na
tradição do holocausto aos cristãos arménios e da política muçulmana de
estabelecer uma monocultura no exterior através de guetos e de procriação e no
interior através da discriminação e da negação ao direito de cristãos se
organizarem como personalidade jurídica; isto corresponde à negação da
existência pública a grupos não muçulmanos; deste modo, outros estão expostos
às arbitrariedades de um estado hegemónico já com 99% de muçulmanos, quando em
1914 os cristãos constituíam, na região, ainda 20% da população. Hoje são
apenas 0,2% (125 000). A diminuição deve-se ao genocídio (mais de um milhão
foram mortos 1915-1917), à expulsão e à discriminação sistemática por um Estado
que se quer monocultura.
Também milhares de
arménios tinham já sido expropriados pelo Estado turco nos últimos 15 anos
(HNA, 4.07) na região do sudeste da Anatólia. O convento Mor Gabriel na região
Midyat que data do ano 397 ainda é sede do bispado.
Os arménios são dos mais antigos
povos cristãos a viver na região, já desde o tempo dos apóstolos. Os
arménios também são oprimidos e expulsos das suas residências pelos partidos de
conflito entre o Estado turco e os curdos. Em Tur Abdin já só vivem 2 000
arménios, o resto pediu asilo na Europa.
A Igreja evangélica na Alemanha já
protestou contra as expropriações, considerando tal prática um «acto consciente
de destruição da cultura» na região Tur Abdin.
O islamista Recep Tayyip Erdogan
implementa consequentemente a monocultura islâmica na sociedade
turca. Conta com a indiferença dos países ocidentais apenas
interessados no negócio e sabe que, devido à densidade cultural
histórica no país, atrairá sempre o turismo internacional, podendo-se permitir
não suportar senão referências ao Islão e ter todas de minorias sob controlo na
perspectiva islâmica. Na Turquia é possível identificar-se um cristão
através de um número do Bilhete de identidade. Assim o Estado e
instituições têm mais facilidade em discriminar os seus cidadãos porque só
confia em muçulmanos nas altas hierarquias e instituições.
A Turquia, um exemplo de país muçulmano moderno,
é um bom exemplo de como o Islão mais avançado realiza o seu futuro. A cegueira
da humanidade é tanta que, a poder de tanta ideologia na cabeça, já não
consegue ver nem interpretar a realidade dos factos; nega-se a discutir
factores culturais da própria identidade para fomentar a expansão da alheia,
sem haver reciprocidade de atitudes e comportamentos. Enfim, a
irresponsabilidade europeia ajuda a esperteza dos outros. É sintomático o facto
de só a Igreja evangélica protestar contra a arbitrariedade turca.
A nova e moderna língua portuguesa
Helena Sacadura
Cabral
HOJE NÃO SE FALA PORTUGUÊS...
LINGUAREJA-SE!
Desde que os americanos se lembraram
de começar a chamar aos negros de «afro-americanos», com vista a acabar com as
raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado! As criadas dos anos
70 passaram a «empregadas domésticas» e preparam-se agora para receber a menção
de «auxiliares de apoio doméstico».
De igual modo, extinguiram-se nas
escolas os «contínuos» que passaram todos a «auxiliares da acção educativa» e
agora são «assistentes operacionais».
Os vendedores de medicamentos, com
alguma prosápia, tratam-se por «delegados de informação médica».
E pelo mesmo processo
transmudaram-se os caixeiros-viajantes em «técnicos de vendas» ou «comerciais».
O aborto eufemizou-se em
«interrupção voluntária da gravidez».
Os gangs étnicos são «grupos de
jovens».
Os operários fizeram-se de repente
«colaboradores».
As fábricas, essas, vistas de dentro
são «unidades produtivas» e vistas de exterior são «centros de decisão
nacionais».
O analfabetismo desapareceu da
crosta portuguesa, cedendo o passo à «iliteracia» galopante. Desapareceram dos
comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das
massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria
continuam a cobrar-se preços distintos nas classes «Conforto» e «Turística».
A Ágata, rainha do pimba, cantava
chorosa: «Sou mãe solteira...»; agora, se quiser acompanhar os novos tempos,
deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» –
eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não
vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se
modernamente que têm um «comportamento disfuncional hiperactivo». Do mesmo
modo, e para felicidade dos «encarregados de educação» , os brilhantes
programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão,
quando muito, «crianças de desenvolvimento instável».
Ainda há cegos, infelizmente. Mas
como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é
considerado «invisual». (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio
seria chamar inauditivos aos surdos – mas o «politicamente correcto» marimba-se
para as regras gramaticais...)
As p.... passaram a ser «senhoras de
alterne».
Quando a vida corre bem é «bué de
fixe».
À mentira passou a chamar-se de
inverdade.
Para compor o ramalhete e se darem
ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em «implementações», «posturas
pró-activas», «políticas fracturantes» e outros barbarismos da linguagem. E
assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política»
e o novo-riquismo linguístico.
Estamos «tramados» com este «novo português»; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma «politicamente correcta».
Estamos «tramados» com este «novo português»; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma «politicamente correcta».
sexta-feira, 28 de julho de 2017
quinta-feira, 27 de julho de 2017
A economia e a galinha
Plinio Corrêa de
Oliveira, 25 de Julho de
2017
Sair da
prisão e viver em liberdade
Os media vêm
tratando das dificuldades que há em passar da economia comunista para a
economia privada nos países que estavam submetidos à tirania da URSS. Como o
público comum não está habituado aos assuntos económicos, não entende qual é a
razão de tais dificuldades. Porque a volta à normalidade traz um pouco de
incómodo, mas pode-se, em pouco tempo e com algum esforço retornar a ela, e a
vida continua.
Não me levem a mal o prosaísmo da
comparação que vou fazer. Quando eu era menino, viajava-se muito de comboio e
pouco de automóvel. Quando se chegava a uma estação, via mercadorias serem
retiradas do vagão das cargas. Muitas vezes observava descerem jacás com
galinhas — eram uns cestos grandes que se usava para transportá-las.
Depois, as galinhas às vezes eram
levadas para minha casa e soltas no galinheiro. De vez em quando ia observar o
galinheiro. De maneira que ainda conservo a noção das reacções das galinhas
saídas do jacá para o período da normalidade dentro do galinheiro. Eu seria
capaz, se soubesse desenhar, de traçar o itinerário delas presas no jacá, e
depois, colocadas em liberdade.
Em suma:
primeiramente a galinha sentia-se livre e olhava um pouco à sua volta,
sentindo-se a si própria. Depois, percebia que era possível voltar à
normalidade e começava meio a andar desajeitadamente. Em pouco tempo, estava a
andar mais depressa e começava a agressão aos vermes para matar a fome. A
galinha é anti-ecológica… Em seguida, percebia onde estava a água e bebia,
fazendo — não sei por que fenómeno de deglutição — um gesto enérgico com a
cabeça. Por fim, saía a andar normalmente. Tinha escapado ao regime de prisão e
voltado para o regime de liberdade.
Porque é que a
economia de um país não se faz mais ou menos da mesma maneira? Em última
análise, para se avaliar esse assunto sob um aspecto mais sério, exemplifico
com a Hungria. O país esteve dominado pelo regime comunista durante muito tempo
e, em certo momento, começou a liberalizar a economia. Em alguns anos, a
economia húngara estava restituída à normalidade. Não foi necessário escrever
longos artigos com estatísticas… Foi a marcha natural, como a da galinha
retirada da prisão. Assim, também se pode dizer com a economia que sai do
regime socialista.
Não compreendo porque é que noutros
países que integravam a antiga URSS não se faz o mesmo. Os jornais apresentam
tais complicações funambulescas para a normalização da economia, que se fica
sem saber se vão encontrar solução. Parece-me que isso representa um desejo dos
comunistas de apresentar alguma outra nova fórmula velhaca que represente um
comunismo transformado de verme em libélula. Uma metamorfose do comunismo a fim
de enganar os ingénuos…
____________
O fim do sexo
Maria João Marques
Somos, machos e fêmeas, biologicamente diferentes. Os
cérebros funcionam de forma distinta, as hormonas não coincidem, os órgãos do
corpo não são iguais. Quem ignora isto ou é lírico ou é ignorante.
Há uns anos, quando o meu filho mais velho fazia os seus
teatros para a plateia familiar, contendo desde avós a irmão mais novo bebé,
eu, no papel de apresentadora, era incitada pelo artista circunstancial a
expressar-me da seguinte forma: «senhoras e senhores, meninas e meninos,
bebezinhas e bebezinhos, apresento-vos etc.». Ofereço-vos isto como prova A de
não ser uma cidadã decente e respeitável. Na verdade, sou uma mãe desnaturada,
que impõe a todas as minhas relações familiares (incluindo aos meus filhos)
esse pesado jugo de se identificarem com um dos dois sexos biologicamente
existentes. Foi uma pena não ter existido nenhum benemérito que se infiltrasse
nos teatros familiares e me denunciasse à Segurança Social.
Admito, claro, que uma pessoa adulta possa entender não
se definir pelo seu sexo e prefira não ter tal identificação nos seus
documentos. Evidentemente: cada um veste-se de calças ou saias, mascara-se de
spiderman, caranguejo ou centopeia, usa maquilhagem ou não, cabelo curto ou
comprido, apresenta-se socialmente com o nome próprio, muda de nome, escolhe um
pseudónimo como «lake» ou «pouf», enfim, cada um tem o direito alienável de se
apresentar como bem entende perante o mundo. A minha tolerância é tão extensa
que nem desrespeito senhoras que se vestem da cor mais enfadonha de todas, azul
marinho.
Como os adultos têm todo o direito de decidir o que fazer
à sua identidade sexual – conceito diferente de orientação sexual (homo ou
hétero), que um homem gay provavelmente tem a sua identidade sexual masculina
claríssima, e o simétrico para as lésbicas – não tenho de opinar se recusam
identificar-se com um sexo em que não se sentem incluídos. Por isso, a decisão
do prestimoso estado americano de Oregon – que já
tem felizes residentes cuja carta de condução indica sexo neutro –
não me repugna. Não é uma causa que me entusiasme, mas cada qual escolhe como
gastar o tempo. Desde que um adulto se responsabilize pelos constrangimentos
que essa falta de identificação sexual lhe traz – por exemplo, falta de alguns
cuidados de saúde diferentes entre os sexos – e que respeite as outras pessoas,
nada tenho a opor.
Em suma: um adulto apresenta-se como entende e
identifica-se como lhe aprouver. Mas se impõe aos outros as suas escolhas, o
meu mau feitio entra em acção. Não tenho de deixar de ver reconhecida a minha
identificação sexual como mulher – de que gosto – para não ferir
suscetibilidades dos não-binários, indecisos, trans, dos sexualmente fluídos,
ou o que seja. Como as luminárias do metro de Londres decidiram ao abandonarem
o inofensivo «ladies
and gentlemen». Também não quero ter homens
que se sentem mulheres usando as casas de banho femininas – tenho direito à
minha privacidade e, até, à segurança. Menos ainda aceito prescindir, e pelas
mesmas razões, de casas de banho femininas para passarem a unissexo. Ou, se
calhar, melhor, a multissexo (os sexos são como os sistemas planetários, há
muitos para descobrir no universo). Recuso que as empresas privadas sejam, para
afagar o ego a diletantes, legislativamente obrigadas a oferecerem casas de
banho para os sexos que se inventarem.
Piora quando envolve crianças, como o
bebé do Canadá de sexo «U». Se um adulto pode decidir para si o que
entender desde que não atropele direitos alheios, é, para mim, uma violentação
não informar uma criança de parte fulcral da sua identidade: o sexo. Porque a
verdade é que somos, machos e fêmeas, biologicamente diferentes. Os cérebros
funcionam de forma diferente, produzimos hormonas não coincidentes, os órgãos
do nosso corpo não são iguais, as nossas funções fisiológicas ocorrem de modos
diversos. Quem pretende que tudo isto é irrelevante, ou é lírico ou é
ignorante.
Faz parte do crescimento querermos saber quem somos.
Gostamos de conhecer as nossas raízes, as histórias de vida dos nossos pais, de
quem herdámos a cor dos olhos e o formato do queixo. É um cliché – mas
verdadeiro – afirmar, para um país, que só se entende o presente se se conhecer
o passado. As questões identitárias são, por estes dias, galopantes. Os negros.
Os sino-americanos. Os gays. Os sobreviventes de abusos e violência sexual. A
geração marcada por um evento histórico incontornável (estive alguns anos a
estudar e escrever sobre a geração que viveu a revolução cultural chinesa na
adolescência). Enfim, tudo é importante para construirmos a nossa identidade.
Menos – não se está a ver? – sabermos qual o nosso sexo.
Aos pais de uma criança compete dar balizas para os
filhos se construírem. Passar os valores dentro dos quais gostaríamos que
vivessem (no meu caso, por exemplo, não dou como comportamento aprovado a
participação em genocídios). E, obviamente, informá-los do seu sexo e o que é o
seu sexo. Para, também, mais tarde livremente se definirem como dentro do seu
sexo ou por oposição ao seu sexo.
O que se vai conseguir com
estas maluquices de privação de identificação sexual das crianças? Além de anos
em consultas de psicologia e psiquiatria, temo pela frequência da actividade
sexual das próximas gerações. É que a maioria de nós gosta de ter sexo ou só
com homens ou só com mulheres. De repente, vivermos num mundo onde não
conseguimos distinguir se o outro é do sexo que preferimos, não me parece
conducente a muitas concretizações sexuais. Quem sabe tornar-nos-emos no
Japão, onde
um terço da população adulta não tem vida sexual nem pensa ter. Então
boa vida de abstinência. Tudo em nome das palermices progressistas.
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