quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O multiculturalismo está dividindo o Ocidente



Giulio Meotti, Gatestone, 24 de Outubro de 2017

O multiculturalismo está gerando a «partilha», a ruptura das sociedades europeias. – Alexandre Mendel, autor do novo livro Partilha: Crónica da Secessão Islamista em França.
  • À luz do multiculturalismo europeu, as mulheres muçulmanas perderam inúmeros direitos que deveriam ter na Europa. O multiculturalismo está, a bem da verdade, desprezado na legalização de uma sociedade paralela, fundamentada na Sharia, que se baseia na rejeição dos valores ocidentais, acima de tudo no tocante à igualdade e à liberdade.
  • O establishment europeu fechou os olhos enquanto os supremacistas muçulmanos violavam os direitos do seu próprio povo.

As estatísticas oficiais da União Europeia sobre o terrorismo são impressionantes:

«Em 2016 foram registados um total de 142 ataques terroristas, entre fracassados, frustrados e finalizados em oito Estados Membros da UE. Mais de metade (76) deles foram registados pelo Reino Unido. A França registou 23, Itália 17, Espanha 10, Grécia 6, Alemanha 5, Bélgica 4 e Holanda 1. Nos ataques morreram 142 pessoas e 379 ficaram feridas na UE. No mesmo ano 1 002 pessoas foram presas por crimes relacionados com o terrorismo».

Todos estes países procuraram integrar as comunidades muçulmanas e todos se viram num beco sem saída. «Enquanto este estado de coisas continuar, o fracasso da integração representará uma ameaça letal para a Europa», salientou o Wall Street Journal na esteira de um atentado suicida que matou 22 pessoas em Manchester. Segundo o novo livro Partition: Chronique de la sécession islamiste en France («Partilha: Crónica da Secessão Islamista na França») da autoria do repórter francês Alexandre Mendel, o multiculturalismo está gerando rupturas nas sociedades europeias.

Esta conjuntura também está criando infindáveis ondas de ataques terroristas. Em Agosto passado, num único dia, os islamistas assassinaram 20 europeus em Barcelona e na Finlândia. Um mês depois massacraram duas meninas em Marselha e em Birmingham um menino xiita foi espancado com requintes de crueldade. Estes são os frutos fatais do multiculturalismo da Europa. É a ideologia europeia mais romântica e sedutora desde o comunismo.

Há uma «cadeia cada vez mais constante de 'comunidades suspensas' aninhadas dentro das nações ocidentais», salientou recentemente o historiador americano Andrew Michta.

«O surgimento destes enclaves, reforçado pelas políticas da elite do multiculturalismo, políticas de identidade de grupos e a desconstrução da tradição ocidental, contribuíram para a ruptura das nações da Europa Ocidental».

Apenas vinte minutos separam Marais, o elegante bairro de Paris, onde estava localizada a redacção da revista Charlie Hebdo e Gennevilliers, um subúrbio que abriga 10 mil muçulmanos, onde os irmãos Kouachi, que assassinaram a tiros os cartunistas da Charlie Hebdo, nasceram e foram criados. Em Birmingham há um subúrbio chamado Sparkbrook, de onde sai um décimo dos jihadistas da Inglaterra. Todas as cidades de maior importância da Europa abrigam enclaves onde proliferam o apartheid islâmico.

Lá burcas e barbas têm um significado. A maneira de se vestir sempre simbolizou lealdade a um estilo de vida, uma civilização. Quando Mustafa Kemal Atatürk aboliu o califado na Turquia, proibiu que os homens deixassem crescer as barbas e que as mulheres usassem véus. A proliferação de símbolos islâmicos nos guetos da Europa demarcam a separação destes subúrbios. O novo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Henry Bolton, disse recentemente que a Grã-Bretanha encontra-se «enterrada» pelo Islão e «inundada» pelo multiculturalismo.

De acordo com o ex-arcebispo de Canterbury, Lord Carey of Clifton o «multiculturalismo», «desencadeou assassinatos em nome da honra, circuncisão genital feminina e o estabelecimento da Lei Islâmica (Sharia) em bolsões das cidades em todo o Reino Unido». À luz do multiculturalismo europeu, as mulheres muçulmanas perderam inúmeros direitos que deveriam ter na Europa. Defrontam-se com «crimes em nome da honra» por se recusarem a usar o véu islâmico, por se vestirem com roupas ocidentais, por se encontrarem com amigos cristãos, por se converterem para uma outra religião, por pedirem o divórcio, por se recusarem a serem espancadas e por serem demasiadamente «independentes».

É uma das grandes ironias do multiculturalismo: cinco membros europeus da OTAN estão a lutar no Afeganistão contra os talibãs que escravizam as mulheres, ao mesmo tempo em que são escravizadas nos nossos próprios guetos na Europa.

Sob o regime do multiculturalismo, a poligamia avançou juntamente com a mutilação genital feminina (500 mil casos em toda a Europa). O multiculturalismo está, a bem da verdade, desprezado na legalização de uma sociedade paralela, fundamentada na Sharia, que se baseia na rejeição dos valores ocidentais, acima de tudo no tocante à igualdade e à liberdade.

Além disso, o medo de «ofender» as minorias islâmicas acabou criando uma espécie de cegueira autoimposta. Foi o que aconteceu em Rotherham, uma cidade de 117 mil habitantes situada no norte da Inglaterra, onde o estupro em massa e o aliciamento de pelo menos 1 400 crianças por «gangues de estupradores de origem paquistanesa» fluiu à vontade por vários anos.

Sob o multiculturalismo, o anti-semitismo também disparou, principalmente em França. O semanário francês L'Express acaba de dedicar uma edição especial exclusiva ao «novo mal-estar dos judeus franceses»-

Todos os recentes terramotos políticos ocorridos na Europa representam as consequências do fracasso do multiculturalismo. Conforme salienta o historiador britânico Niall Ferguson: a principal razão da vitória do Brexit foi a imigração.

«Muitos no Reino Unido olhavam para a crise dos refugiados na Europa e pensavam: se eles adquirirem um passaporte alemão, virão para a Grã-Bretanha e não teremos condições de fazer nada para detê-los. Esta foi a motivação central dos votantes e, legitimamente, porque os alemães abriram as portas a um enorme influxo do mundo muçulmano. Visto a partir do Reino Unido, a reacção foi: pera aí, e se eles vierem para cá?»

Na Holanda, a ascensão de Geert Wilders é a consequência directa do assassinato do cineasta Theo van Gogh por um islamista holandês e a reacção ao multiculturalismo que se seguiu. Na França, a ascensão política de Marine Le Pen coincidiu com dois anos de ataques terroristas de grandes proporções nos quais 230 cidadãos franceses foram assassinados.

Além disso, o extraordinário sucesso do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) nas recentes eleições gerais é consequência da decisão fatal da chanceler Angela Merkel de abrir as portas para mais de um milhão de refugiados e migrantes. Beatrix von Storch, uma das líderes do AfD, salientou à BBC que «não há lugar para o Islão na Alemanha». Explicou que uma coisa é permitir que os muçulmanos pratiquem a fé islâmica em recintos fechados, outra é acomodar o Islão político, que almeja mudar a democracia e a sociedade alemã.

O establishment europeu fechou os olhos enquanto os supremacistas muçulmanos violavam os direitos do seu próprio povo. Muitos islamistas então bateram às portas da Europa cada vez com mais determinação. O multiculturalismo mata e desestabiliza a Europa somente como o nazismo e o comunismo foram capazes fazê-lo.





Crepúsculo islâmico sobre a Alemanha



Guy Millière, Gatestone, 23 de Outubro de 2017

Pelo facto de a Alemanha ter cometido genocídio, ficou impregnada de aversão e repúdio de si mesma e da sua própria identidade. A Alemanha voltou-se para a construção europeia a procurar definir-se de europeia para não chamar a si própria de alemã.
  • A gradual substituição da população não muçulmana pela muçulmana está em andamento. Quarenta por cento das crianças com menos de cinco anos nascidas na Alemanha, têm raízes estrangeiras.
  • O demógrafo Michael Paulwitz salientou, há um ano, a não ser que as tendências actuais sejam revertidas, os alemães serão minoria no seu próprio país, eventualmente num espaço de tempo de quinze a vinte anos.
As previsões indicavam que as eleições legislativas na Alemanha levariam Angela Merkel à vitória. Os resultados foram bem diferentes do esperado. A «vitória» de Merkel mais parece um desastre: a Aliança Democrata Cristã (CDU/CSU) conquistou 33% dos votos — 9% a menos de que há quatro anos, o pior desempenho desde 1949. O Partido Social-Democrata (SPD), que governou o país sob a liderança de Merkel nos últimos quatro anos, perdeu mais de 5% dos votos descendo de 25,7% para 20% —  o pior resultado da sua história. Já o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), partido conservador nacionalista criado em 2013 obteve 12,6%, entrará pela primeira vez no Parlamento. Die Linke, esquerda marxista, conquistou 9%. Como nem o SPD nem o Die Linke participarão no próximo governo e, como o AfD se opõe radicalmente às políticas de Merkel, ela terá somente dois parceiros para escolher: o libertário Partido Liberal Democrata (FDP) e Os Verdes: o posicionamento dos dois sobre a maioria dos temas, ao que tudo indica, é incompatível.

Angela Merkel continuará a ser chanceler por falta de uma oposição viável, principalmente porque não havia outra opção convincente: há seis meses, dois terços da população alemã queria que outro tomasse o seu lugar. Apenas 8% queriam que permanecesse no cargo. Martin Schultz, ex-presidente do Parlamento Europeu, candidato do SPD, não apresentou nada de novo numa campanha medíocre.

Caso Merkel consiga formar uma coligação, será uma precária e instável coligação de partidos que irá manter a Alemanha à beira da paralisia e tornar o país adoentado na Europa do Século XXI.

Na realidade a Alemanha já é um país doente e Angela Merkel faz parte da doença.

Em 1945 a Alemanha encontrava-se em ruínas. O país foi reconstruído, gradualmente tornando-se a locomotiva da economia europeia. Ao recuperar a força, não se afirmou politicamente, mantendo-se discreta, humilde, arrependida, silenciosamente envergonhada. Em virtude do seu papel na guerra, relutava em recriar um exército quando as potências da OTAN pediram que o fizesse. Preferindo adoptar um posicionamento reconciliador levando-a à «Ostpolitik»: política de reaproximação com os países do bloco soviético.

Pelo facto do nacionalismo ter levado ao nacional-socialismo, a Alemanha rejeitava qualquer forma de nacionalismo. Pelo facto de a Alemanha ter cometido genocídio, ficou impregnada de aversão e repúdio de si mesma e da sua própria identidade.

A Alemanha voltou-se para a construção europeia a procurar definir-se de europeia para não chamar a si própria de alemã.

Esta abordagem durou até à queda do Muro de Berlim e a reunificação do país. A reunificação foi vista pela maioria dos alemães como fruto da humildade e discrição.

Angela Merkel, que parecia personificar uma Alemanha reunificada e próspera, herdou esta abordagem ao tornar-se chanceler em 2005.

Os problemas vieram à baila. A economia alemã continuava próspera, mas a pobreza estava a aumentar (em 2005, 17% dos alemães eram considerados oficialmente pobres, ganhando metade do rendimento médio nacional) e o número de trabalhadores pobres estava a multiplicar-se.

taxa de natalidade era extremamente baixa. Começou a diminuir em 1967 e rapidamente baixou para 1,5 filhos por mulher. A população, como um todo, estava a envelhecer.

A Alemanha começou a trazer migrantes turcos para compensar a falta de mão-de-obra. Em 2000 o número de migrantes atingiu a casa dos 3,5 milhões.

A importação de mão-de-obra de migrantes muçulmanos trouxe consigo a lenta islamização do país. Nas principais cidades foram construídas mesquitas. Escolas corânicas foram abertas. O Islão foi incorporado ao currículo das escolas públicas.

Merkel procurava sempre o consenso a trabalhar com os sociais-democrastas durante oito dos doze anos que ocupou o cargo de chefe de governo.

Os alemães, ao que tudo indica, aceitavam este procedimento até que Merkel decidiu abrir as fronteiras da Alemanha para uma avalanche de refugiados e migrantes do Médio Oriente, em Agosto de 2015. Mais de 1.5 milhões de pessoas entraram no país, sem nenhum tipo de critério, na sua maioria jovens do sexo masculino com direito à reunificação familiar.

As alegações segundo as quais os refugiados iriam assimilar-se sem grandes problemas começaram a refutar com a realidade. Os estupros multiplicaram-se. A violência agravou-se.

Em 2016 quase metade dos crimes cometidos em Berlim foram perpetrados por novos migrantes. As redes jihadistas tomaram forma. Tiveram início os actos terroristas. O anti-semitismo muçulmano levou a ataques a sinagogas. Os custos do estado de bem estar social subiram exponencialmente.

Merkel não se arrepende. Concluída a contagem nem sequer parou para pensar: salientou que se tivesse que abrir novamente as fronteiras do país, o faria. Procurou impor as suas decisões sobre imigração em cima de relutantes países europeus como Hungria, República Checa e Polónia. Merkel continua altercando.

A vergonha ainda desvanecendo-se está presente em milhões de memórias alemãs. Há alguns anos uma sondagem revelou que quase 70% dos alemães ficaram irritados por continuarem a serem responsabilizados ainda hoje pelos crimes cometidos contra os judeus. Aproximadamente 25% dos entrevistados concordaram com a seguinte afirmação: «muitos judeus usam o Terceiro Reich da Alemanha para obter benefícios». Recentes pesquisas de opinião revelaram que entre 33% a 50% dos alemães vêem Israel como o equivalente político da Alemanha nazi. É comum o governo alemão fingir que está a dar lições de moralidade a Israel, mas jamais critica líderes terroristas como Mahmoud Abbas.

A Alemanha continua no seu posicionamento de condescendência, defendendo e fortalecendo os laços económicos com regimes inescrupulosos como o Irão. O exército alemão está tão mal equipado que em vez de armas usa cabos de vassouras nos exercícios militares. Pesquisas de opinião mostram que a população alemã acredita que a principal ameaça à paz mundial não vem do Irão ou da Coreia do Norte, mas dos Estados Unidos. A Alemanha é hoje o país mais antiamericano do mundo ocidental. Stern a revista semanal mais famosa da Alemanha, recentemente colocou na capa do semanário uma imagem de Donald Trump a fazer a saudação nazi coberto pela bandeira americana.

O desempenho da economia é baixo. A economia alemã baseia-se essencialmente na actividade industrial e não está adaptada para a era digital. O crescimento do PIB diminuiu, o desempenho inovador é tímido, a produtividade encontra-se estagnada. Desde 2008 o aumento da produtividade foi de apenas 0,5%. O programa para suspender o funcionamento de centrais nucleares em nome da «protecção ao clima» causou o aumento generalizado do preço da energia eléctrica, as famílias e as empresas suportam com o ônus financeiro de simular um dos custos de energia eléctrica mais elevados do primeiro mundo. Os imigrantes sem qualificação profissional do mundo muçulmano não têm condições de substituírem os profissionais alemães qualificados que se aposentam ou que morrem. O número de pobres continua a crescer. A capacidade de receber imigrantes chegou ao limite, as condições de vida em muitos abrigos são precárias: o chão não é limpo regularmente e fica sujo de sangue, urina, fezes durante dias, a invasão de baratas é frequente. O representante alemão da Imigração disse recentemente que apenas um terço a um quarto dos refugiados que vieram para a Alemanha tem condições de entrar no mercado de trabalho. Os demais irão depender das benesses do governo pelo resto das suas vidas.

As doenças praticamente erradicadas, como a tuberculose, estão de volta. Não há mais vacinas porque os europeus pararam de fabricá-las.

média de idade da população na Alemanha é de 46,8 anos. A gradual substituição da população não muçulmana pela muçulmana está em andamento. Quarenta por cento das crianças com menos de cinco anos nascidas na Alemanha têm raízes estrangeiras. Desde 2005 a população dos recém-chegados aumentou 24%, enquanto a população autóctone encolheu 5%.

Demógrafos salientam a não ser que as tendências actuais sejam revertidas, os alemães serão minoria no seu próprio país, eventualmente num espaço de tempo de quinze a vinte anos.

Nada no momento indica que esta tendência irá mudar.

A maioria da imprensa alemã está a interpor-se com a correcção política. Jornais e revistas defendem o multiculturalismo e não abordam as mazelas mais urgentes do país: crescimento económico enfraquecido, envelhecimento populacional e islamização. Inúmeros jornalistas, professores e escritores sustentam que a cultura alemã não existe. Quando livros que criticam o Islão estão em vias de se tornarem best-sellers, os autores são imediatamente demonizados. Deutschland schafft sich ab («A Alemanha está-se abolindo») foi um enorme sucesso em 2010, mas o escritor, Thilo Sarrazin, foi imediatamente tratado como «racista» e marginalizado de todos os debates políticos. Rolf Peter Sieferle, ex-assessor de Angela Merkel, escreveu vários artigos descrevendo a autodestruição da Alemanha. «Uma sociedade que não sabe a diferença que há entre ela e as forças que a dissolvem moralmente gasta mais do que arrecada» salientou em 2015. Insultado e rejeitado por aqueles com quem costumava trabalhar, suicidou-se em Setembro de 2016. Uma colectânea das suas observações foi publicada após a sua morte: Finis Germaniae («O fim da Alemanha»).

O partido político Alternativa para a Alemanha (AfD) promete agitar o «Bundestag». Os 12,6% dos votos conquistados, sem dúvida, lhe darão expressividade. Os seus líderes são tratados pelos media e por outros partidos políticos como se fossem a encarnação do diabo. O ministro das Relações Exteriores Sigmar Gabriel soou o alarme em relação à entrada de «nazistas de verdade» no parlamento. Um cacique do partido Die Linke, de extrema-esquerda perguntou: «será que não aprendemos as lições da guerra?». Os líderes judeus estão assustados: o Dr. Josef Schuster, presidente do Comité Central dos Judeus da Alemanha salientou que o partido AfD usa estratégias comumente usadas por aspirantes a «ditaduras fascistas».

Contudo, o partido AfD não é nazista. Os seus militantes temem que a Alemanha e os alemães desapareçam sob o peso do Islão. Os nazistas eram anti-semitas, militaristas, socialistas, almejando a conquista. O AfD não é anti-semita, nem militarista, nem socialista e não quer conquistar outros países. Os líderes judeus da Alemanha estão assustados porque acreditam que se o AfD é hostil a uma minoria, no caso os muçulmanos, poderá também ser hostil a outras minorias. Provavelmente estão equivocados. Não há comparação entre muçulmanos e judeus. O AfD apoiou fortemente o direito de Israel de existir e o direito de Israel combater a ameaça islâmica posicionada contra o país.

Militantes do AfD fizeram declarações polémicas sobre soldados alemães e sobre o Memorial do Holocausto de Berlim.

Ao mesmo tempo, o AfD é actualmente o partido mais pró-Israel da Alemanha. É também o único partido que prevê de forma contundente o verdadeiro perigo da Alemanha tombar num crepúsculo islâmico.

É possível que a Alemanha se recupere? Veremos. O que está em jogo, no entanto, é de longe muito mais do que a Alemanha.





sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Conferência na Universidade do Minho


Caros amigos e interessados no tema Cristóvão Colon,

No próximo dia 27 o nosso membro Walter Gameiro estará na Universidade do Minho para divulgar e debater as questões em torno da 1.ª viagem de Colon às Américas, nomeadamente sobre quais as ilhas efectivamente alcançadas.

Qual a ilha de Guanahani a que Colon chamou S. Salvador?

Seria a ilha de Watling ou alguma outra, de entre as 10 candidatas?

Samuel Elliot Morison estava certo ou errado quanto a este aspecto?

E quanto a outros aspectos que transmitiu no seu livro, considerado uma referência?

Esperamos a vossa presença


Associação Cristóvão Colon





terça-feira, 17 de outubro de 2017

O Cartel do Fogo



Carlos Anjos, Correio da Manhã, 22 de Setembro de 2017

Com a época dos fogos a chegar ao fim, é tempo de reflectirmos. E saiu um artigo no «El Mundo» que merece análise.

Diz o jornal que existe um grupo a manipular o uso de meios aéreos no combate aos incêndios, precisando que a manipulação de concursos, pelo chamado «Cartel do Fogo», pode rondar os 821 milhões nos últimos 12 anos. E referem expressamente o caso de Pedrógão Grande, questionando:

«Quem ganha dinheiro quando arde Portugal? O jornal sinaliza as ligações entre o País e o chamado «Cartel do Fogo», dizendo que Portugal é obrigado a recorrer ao sector privado para ter apoio aéreo no combate aos fogos, e que o problema ocorre quando as empresas manipulam os concursos públicos e estão na origem dos fogos, precisando o nome de algumas empresas. É um facto que Portugal, por não ter meios aéreos próprios, está totalmente exposto.

Se não houver fogos, as empresas não facturam; só ganham dinheiro quando os aviões estão no ar, e para isso precisam de incêndios. Este facto demonstra o erro gravíssimo que foi o afastamento da Força Aérea deste processo. Urge pois recuperar o tempo perdido, pois caso não se faça nada o problema mantém-se e, mantendo-se o problema, voltam os incêndios.





«Quem ganha dinheiro quando arde Portugal», pergunta o El Mundo



ON, Jornal Económico, 17 de Outubro de 2017

Jornal espanhol diz que a manipulação de concursos, alegadamente pelo chamado «Cartel do Fogo», pode rondar os 821 milhões de euros, nos últimos 12 anos.

O jornal «El Mundo» publica um artigo, esta sexta-feira, sobre os concursos para meios de combate ao fogo em Portugal, tendo como pano de fundo os incêndios que assolaram o País durante o Verão, nomeadamente a tragédia de Pedrógão Grande, e questionando: «Quem ganha dinheiro quando arde Portugal?»

O jornal espanhol sinaliza as ligações entre o País e o chamado Cartel do Fogo, dizendo que «Portugal recorre ao sector privado para ter apoio aéreo no combate [aos fogos]», mas que o problema se verifica quando as empresas «manipulam os concursos públicos».

Aponta o «delito que a Polícia Judiciária portuguesa acredita ser cometido por um ramo português do conhecido Cartel do Fogo espanhol» e diz que a manipulação de concursos pode rondar os 821 milhões de euros, nos últimos 12 anos.

Esta não é a primeira vez que os meios de comunicação social espanhóis escrevem sobre a alegada interferência do «cartel do fogo» em Portugal. No início de Setembro, o «El Español» contava que seis das principais empresas espanholas de combate aos fogos manipulam (pelo menos) desde 2006 os contratos públicos com Portugal, com ofertas falsas, para garantir que conseguem ganhar todas as licitações.

Segundo os cálculos das autoridades, juntas, as empresas lucraram cerca de 100 milhões de euros, em operações realizadas em Espanha e Portugal.

Estas entidades estão a ser investigadas desde 2015, sob o nome de «Operação Concentração» e envolve as empresas «Avialsa», «Espejo», «Martínez Ridao», «Cegisa» e a «Faasa», cujos representantes se juntam várias vezes por ano num hotel chamado «El Curce», localizado na cidade de Manzanares (Ciudade Real). Ali, naquele hotel e entre «ragu e ensopado de borrego», as concessões públicas de Baleares, Estremadura, Andaluzia e Portugal eram definidas.





domingo, 15 de outubro de 2017

A nova fronteira da eutanásia: os pacientes de Alzheimer e a obrigação de não alimentá-los

Los defensores de la eutanasia aseguraban que nunca se permitiría en pacientes sin capacidad
de decisión. Ahora abogan por lo contrario.

ReligiõnenLibertad, 10 de Outubro de 2017

Artículo de Wesley J. Smith publicado en First Things.


Wesley J. Smith es miembro senior del Discovery Institute's Center on Human Exceptionalism y consultor del Patients Rights Council.

Las personas médicamente vulnerables no han estado nunca en mayor peligro, y los pacientes con Alzheimer en particular. En una encuesta reciente realizada en Quebec, donde la eutanasia por inyección letal es legal, un escalofriante 72% de los cuidadores está a favor de la eutanasia en el caso de pacientes con Alzheimer, incluso si la persona en cuestión no lo pide. Si el paciente pidió la eutanasia por escrito antes de  perder la capacidad de hacerlo, el porcentaje de cuidadores que lo aprueba aumenta hasta llegar a un terrible 91%.

Voluntad previa vinculante

Ambos escenarios son ilegales, aunque tal vez no por mucho tiempo. Con la legalización de la  eutanasia por inyección letal en todo Canadá, es previsible que se hayan puesto en marcha los mecanismos que permitan a los pacientes redactar órdenes escritas vinculantes para que les maten si pierden su capacidad mental.

Esto ya es legal en Holanda y Bélgica, dos países que parecen competir entre sí para redactar la ley más radical sobre la eutanasia. Pero, ¿qué pasa si el paciente con Alzheimer, después de perder la capacidad de tomar sus propias decisiones, no está sufriendo para nada? Pues... ¡qué se le va a hacer! Se considera que la voluntad expresada con anterioridad es la que prevalece sobre su actual estado de felicidad. De hecho, en un terrible caso de Holanda, una anciana con Alzheimer fue sujetada por su familia mientras luchaba para que no le pusieran la inyección letal. La autoridades holandesas determinaron que el homicidio había sido lícito porque «el doctor actuó de buena fe».

Objetivo: normalizar la eliminación

Ojalá los defensores de la eutanasia pudieran ser denunciados por defender lo falso. Durante años han asegurado con tono tranquilizador a la sociedad, recelosa, que sólo tendrían acceso a la eutanasia las personas que tuvieran la capacidad de elegir ser asesinadas.

Esta promesa fue siempre muy cuestionada. La «elección» nunca ha sido el punto central de la eutanasia, porque entonces la eutanasia debería estar disponible para todos aquellos, enfermos o sanos, que elijan morir. El objetivo ha sido más bien normalizar el hecho de matar como un remedio aceptable al sufrimiento, incluso cuando el paciente es incapaz de tomar una decisión racional, como en el caso de los pacientes con Alzheimer.


Renuncia voluntaria a ser alimentado

Aunque el suicidio asistido es legal en los Estados Unidos, sigue sin estar permitido en el caso de personas que no tienen capacidad de tomar decisiones. Esta restricción puede ser una cuestión de táctica política más que un principio fundamental. Hace unos años, Barbara Coombs Lee, jefa de la organización en defensa del suicidio asistido Compassion and Choices, dijo que el suicidio asistido para pacientes con Alzheimer era «una cuestión a tratar más adelante, pero no menos imperiosa» que la legalización de la eutanasia para los enfermos terminales con capacidad de decisión; lo que implicaba que la legalización de la eutanasia de personas con demencia sería lo siguiente, una vez que el país hubiera aceptado los planes de Compassion and Choices.

El objetivo de Compassion and Choices son personas ancianas que dejen instrucciones de suicidio mediante la privación de comida, procedimiento conocido en la jerga del movimiento pro-eutanasia como «renuncia voluntaria a comer y beber» (VSED, Voluntary Stop Eating and Drinking).

En su Guía de Instrucciones leemos: «Mucha gente lucha con el sufrimiento continuo de una enfermedad crónica o incurable y progresiva. Hay personas que, en cambio, deciden que simplemente ya están 'acabados' después de ocho o nueve décadas de una vida vivida plenamente».

Es alarmante que la American Nursing Association haya adoptado una política en apoyo del derecho a cometer VSED sin intervención por parte de nadie, y haya declarado que «la decisión de un paciente en lo que respecta a la VSED es vinculante, incluso si el paciente pierde después su capacidad [de tomar decisiones]».

Presumiblemente, la VSED es legal. Pero, ¿qué pasa si un paciente demente sin capacidad de tomar decisiones, que come y bebe voluntariamente, ha dejado instrucciones previas en las que declara que quiere que se le niegue el alimento cuando ya no tenga capacidad de decisión?


Cada vez más, prominentes bioeticistas sostienen que hay que obligar a los cuidadores a que «dejen de alimentar con cuchara a los pacientes», lo que significa literalmente que hay que dejarlos morir de hambre. Por ejemplo, en el Hastings Center Report de mayo-junio de 2014, Paul T. Menzel y M. Colette Chandler-Cramer argumentan: «El principio subyacente [a las directrices médicas anticipadas] es que las personas no pierden sus derechos cuando no tienen capacidad de tomar decisiones; simplemente alguien tiene que ejercer estos derechos por ellas. El elemento conductor detrás de la VSED es que forzar a las personas a ingerir alimentos es una intrusión tan inaceptable en su integridad, privacidad y libertad corporal como imponer un tratamiento médico no deseado. Por lo tanto, si las personas sin capacidad de tomar decisiones no pierden sus derechos cuando se niegan a recibir tratamientos que puedan salvarles la vida, tampoco los pierden en lo que respecta a la VSED».

Es como una adaptación al dispositivo. Directrices previas deciden si hay que aplicar o no tratamiento médico. Un paciente puede rechazar por adelantado la intubación, porque «la nutrición e hidratación artificial» se consideran, por ley, un tratamiento médico. Pero «alimentar con cuchara» no es un tratamiento, es una atención y cuidado humanos, no diferentes éticamente a girar al paciente en la cama para evitar las llagas de decúbito, o proporcionarle una higiene adecuada. Del mismo modo que se ignoraría una directriz que ordenara que un paciente no debe mantenerse limpio, lo mismo vale con una directriz que ordenara que hay que privar de comida a un paciente hasta que muera.

El sufrimiento de los cuidadores

Hay un último punto al que hay que prestar atención. El sufrimiento que causa la enfermedad del Alzheimer recae normalmente mucho más en los cuidadores que en los propios pacientes. Ciertamente muchos, al final del difícil camino, dicen que ha sido un honor cuidar de sus seres queridos incapacitados. Pero no debemos edulcorarlo: el cuidado y la atención de estos pacientes puede ser agotador y muy doloroso y, en algunos casos, peligroso para la salud de los cuidadores. Lo sé porque lo he vivido personalmente muy de cerca. Mi mujer y yo cuidamos de mi anciana madre en nuestra casa durante los últimos cinco meses de su vida, cuando su Alzheimer ya era muy avanzado. Créanme, la pérdida de la memoria es lo menos importante de esta enfermedad.


Es correcto que a los cuidadores se les autorice a rechazar tratamientos médicos intensivos que alargan la vida. Luego, cuando la muerte llega, es una cuestión de la naturaleza que sigue su curso. Pero permitir que los cuidadores ordenen a doctores o a personal sanitario que acaben con la vida del paciente es ir demasiado lejos. En algunos casos, esto lo que permitiría es que los cuidadores eliminaran a los pacientes debido a su propio sufrimiento, el de los cuidadores. Si a esto le añadimos cuestiones de conflicto de intereses, como herencias y costes del tratamiento, tenemos un abuso de personas mayores en potencia.

Por muy malo que pueda ser el Alzheimer, incluso las personas con Alzheimer profundo pueden experimentar momentos de claridad y alegría. Y cuando esto ya no es posible, estas personas indefensas siguen siendo miembros plenos e iguales de la comunidad moral, y tienen derecho a la mejor atención que podamos ofrecerles. Si una sociedad es juzgada por el modo como trata a sus miembros más vulnerables, nosotros rechazamos los planes descontrolados cuyo objetivo es matar a los pacientes de Alzheimer, centrándonos en mejor nuestra capacidad de cuidado y atención de los mismos.

Traducción de Helena Faccia Serrano.