sexta-feira, 20 de julho de 2018

Rio quer dar-nos um banho de ética mas sem molhar os pés



Martim Silva, Expresso, 16 de Julho de 2018

confusão entre política e negócios é dos fenómenos mais nefastos para a coisa pública.

Quando se lançou na corrida à liderança do PSD, Rui Rio disse ao que vinha: «A política precisa de um banho de ética».

Tirando um possível lado mais populista da tirada, ninguém pode estar verdadeiramente contra isso. Mas, lição número 1 do tal banho, é que convém praticar o que se prega. E a ida recente de Rio à Guiné-Bissau levanta questões legítimas, não respondidas. Bem sei que muito se escreveu sobre a ida do líder do PSD a Angola. Mas embora a Guiné seja política e economicamente menos relevante, foi em Bissau e não em Luanda que Rio deu um passo em falso.

Por partes. No seu primeiro 10 de Junho como presidente do PSD, Rui Rio foi à Guiné Bissau em visita oficial. Compreensível e natural. Decidiu levar consigo uma pequena comitiva oficial, composta pelo seu braço-direito no partido, Maló de Abreu, e pela assessora de imprensa, Florbela Guedes.


Mas da comitiva faziam também parte três empresários amigos de Rio, que aproveitaram a viagem para tratar de negócios pessoais. Ou melhor, que foram na viagem para tratar de negócios pessoais.

De acordo com os relatos da visita, noticiados pelo Expresso no sábado, a confusão de papéis foi evidente. Os três empresários foram com o presidente do partido à homenagem aos soldados mortos na guerra colonial, participaram numa deslocação a um orfanato e a um hospital. E ainda estiveram com Rio em recepções na Embaixada de Portugal e numa sessão do AICEP.

A própria notícia do Expresso mostra a confusão que reina na sede do PSD e na cabeça de quem o lidera. O partido nega os convites aos empresários para estes fazerem parte da comitiva, mas os próprios confirmaram em «on» que foi a convite do PSD que se juntaram a Rio. Não é difícil saber em quem acreditar.

Convém que quem quer dar um banho de ética aos políticos
não seja o primeiro a precisar de passar pelo chuveiro   

A presença de empresários em comitivas oficiais não é nova nem é surpreendente. Mas cada coisa no seu lugar. Uma coisa é o primeiro-ministro, ou o ministro da Economia, ir ao estrangeiro e levar uma comitiva empresarial. Cuja lista é previamente conhecida e divulgada.

Neste caso, a política também são os negócios.

Outra coisa, bem diferente, é um líder do partido ir de visita a um país com os quais Portugal tem ligações históricas e decidir levar um conjunto de empresários amigos, e seus apoiantes (pelo menos num caso até financiador da campanha) debaixo do braço.

Não é preciso tomar um banho gigante de ética para perceber que quem o faz arrisca-se a ficar captivo de interesses particulares.

Imagine o leitor se fosse Passos a fazer o mesmo. O que não se diria ou escrevia.

Muitos têm criticado a estratégia de Rio em matérias como os acordos com o Governo em matéria de descentralização e de fundos europeus. Ou sobre a posição face ao Orçamento do Estado. Mas para se avaliar verdadeiramente quem é este homem que quer suceder a Costa na liderança do país talvez a viagem à Guiné seja tão ou mais importante.

É que convém que quem quer dar um banho de ética aos políticos não seja o primeiro a precisar de passar pelo chuveiro.





quinta-feira, 26 de abril de 2018

O idiota do Vítor Gonçalves da RTP a entrevistar dois agentes da 5.ª coluna soviética...



No seu programa da RTP3 «Grande Entrevista», o idiota do jornalista Vítor Gonçalves entrevistou hoje, 25 de Abril, dois membros da 5.ª coluna soviética a actuar em Portugal, no PCP, a Conceição Matos e o Domingos Abrantes, este conhecido capanga de Cunhal.

A entrevista consistiu praticamente na descrição pelos entrevistados das torturas que a PIDE aplicava sobre os comunistas presos para obter denúncias de outros comunistas da rede soviética. Os entrevistados lá iam acrescentando um ponto como quem conta um conto. Como seria de esperar.

Bichas infindáveis por um naco de pão. A nomenklatura abastecia-se livremente.
Eis a abundância para o povo no paraíso do Abrantes & Cunhal.

Conforme à sua incapacidade mental, o Vítor Gonçalves acrescentava comentários e perguntas idiotas, como costuma fazer em qualquer matéria que aborde no programa. Aqui, ao idiota nunca ocorreu fazer aos entrevistados quatro perguntas fundamentais na circunstância.

PRIMEIRA PERGUNTA QUE SE IMPUNHA: vocês não tinham consciência de que a vossa luta clandestina no PCP era parte da grande estratégia soviética para dominar o mundo, e, no concreto, Portugal, e para tomar conta de Angola, Moçambique e tudo quanto pudesse vir à rede?

SEGUNDA PERGUNTA QUE SE IMPUNHA: vocês não tinham consciência de que a sociedade soviética era de miséria, o que já se sabia e ficou claramente à vista com a implosão do comunismo no Leste europeu, e que, portanto, a vossa luta e sacrifícios, à partida, seriam vãos?

TERCEIRA PERGUNTA QUE SE IMPUNHA: vocês não tinham consciência de que as torturas infligidas pela PIDE aos membros da 5.ª coluna soviética eram carícias se comparadas com as torturas infligidas pelo KGB a inocentes e de que as prisões políticas portuguesas eram hotéis de 5 estrelas se comparadas com o gulag?

QUARTA PERGUNTA QUE SE IMPUNHA: vocês não tinham consciência de que era de toda esta barbárie que Salazar, com a PIDE, defendia Portugal, o Ocidente e a própria África?

Vítor Gonçalves, não tens consciência de que o Estado português te defendia a ti?

Vítor Gonçalves ignorante e idiota, não tens consciência de que defendia os teus pais e os teus avós?

Vítor Gonçalves ignorante e idiota, não tens consciência de que talvez nem existisses se o comunismo tivesse chegado a Portugal durante a Guerra Civil de Espanha?

Vítor Gonçalves, vai aprender história!

Vítor Gonçalves, vai aprender geopolítica da Guerra Fria!

Vítor Gonçalves, vai aprender jornalismo sério!

Vítor Gonçalves, vai-te catar!
O holocausto dos camponeses ucranianos em 1932-1933.
Humanismo à Abrantes & Cunhal.
Os ucranianos a quem foram roubados os alimentos
e as sementes pelos «amigos do povo» Abrantes & Cunhal.
Eis como no paraíso de Abrantes & Cunhal eram tratados
os inocentes que não eram comunistas.
Abrantes & Cunhal teriam muito por onde passear a ver milhões de vítimas do comunismo.






sexta-feira, 6 de abril de 2018

A desgraça e a vergonha imoral das «Salas de Chuto»!


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador 31/03/18

«Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem».
Jesus Cristo (Lucas, 23:34)

Foi anunciado esta semana – a Semana Santa – (curiosa coincidência), que o malfadado executivo da Câmara de Lisboa, vai inaugurar «Salas de Chuto assistido», onde os pobres de espírito herdeiros de um «roussionismo» serôdio possam, higienicamente, darem-se às suas práticas nojentas e suicidárias.[1]

Recuso-me a colaborar e a ficar calado, com mais esta decisão subversiva, negregada e criminosa para a sociedade onde me insiro.

Mais uma, das muitas postas em prática por uma cáfila de «engenheiros sociais», que se entretêm, faz décadas, a desmontar os valores ancestrais em que a vida em sociedade e o progresso social sempre se apoiaram.

O que tem tido especial incidência nos países e povos de matriz cristã.

Tudo isto está profundamente errado.

Mas agora e à cabeça, criou-se uma situação de contradição insanável, que passo a descrever.

A diarreia legislativa, maioritariamente fraca de qualidade, que os governos e parlamentos portugueses derramam há décadas, sobre os anestesiados e baralhados contribuintes, aprovaram uma lei que continua a criminalizar o tráfico de drogas (enfim, de um modo brando), ao mesmo tempo que despenalizaram o consumidor, o qual só passará a ser considerado traficante se for encontrado com uma determinada quantidade do produto tóxico, tido como superior ao necessário para a sua dose diária, ou seja, passível de ser vendido.

Ora sendo o tráfico um crime como é que se pode abastecer os viciados, os quais, lembramos, podem consumir à vontade sem receio de serem punidos?

Lei perversa pois obriga o consumidor a cometer um crime que é o de ir comprar a droga…

Ou será isto apenas, como parece, apenas um passo intermédio para a legalização do tráfico, ou seja para a droga ser vendida sem rebuços, na «drogaria» da esquina, como quase já acontece com a «canábis», com o disfarce da utilização medicinal?

Outra contradição insanável é ver como, de há anos a esta parte, forças políticas, jornalistas e comentadores (e notem a quase unanimidade do que vem a público e do que é calado), passaram a desancar nos fumadores e nos que bebem álcool (porque não nos viciados no jogo?), com uma sanha nunca vista, e se mostram tão benevolentes para com a cáfila de drogados que por aí abunda, a ponto de se ter acabado com a censura social associada a tão degradante espectáculo?

E porque é que não há regras estritas para impedir que drogados possam ter acesso a um conjunto de profissões e funções, pois representam um perigo público no seu exercício?

Com a agravante de toda a gente saber que as consequências do vício da droga ser muito mais grave e prejudicial do que o consumo do tabaco e do álcool!

Vivemos pois, uma enorme mentira misturada com ilusionismo social, cujo cúmulo é a existência de tráfico de droga dentro dos estabelecimentos prisionais!

Aos «bem pensantes» ficam ainda com pele de galinha quando se invectivam estes desgraçados (alguns dos quais bem postos na vida), com adjectivos que lhes assentam bem.

Preferem dizer que são doentes e precisam ser tratados…

Concedo que sejam doentes, mas por serem tarados, não por serem drogados. Pois que se há-de dizer de pessoas que induziram ou infligiram doenças neles próprios, ao caírem no logro do vício e da dependência?

Tudo isto numa sociedade que coloca a «Liberdade individual» em tão altos píncaros. Ora um viciado deixa de ser uma pessoa livre…

Não foram eles que se desrespeitaram a si próprios e atraíram o opróbrio sobre si mesmos?

Ora todo este estado de coisas tem tido a nefasta conivência de muitos políticos (alguns deles antigos experimentadores ou viciados), por acção ou –omissão; das televisões e de Hollywood – onde deve existir a maior concentração de viciados do mundo inteiro, por metro quadrado – por exporem às escâncaras as misérias humanas; ensinarem a fazer; ignorarem a pedagogia e não terem uma palavra de condenação.

As famílias estão meio destruídas (e «pour cause») e a escola virou uma desordem institucional, só para ficarmos por aqui.

Neste âmbito como noutros, a tão badalada Declaração Universal dos Direitos do Homem é vã e de nada vale (é até contraproducente) sem a Carta dos Deveres dos mesmos…[2]


*****

O que se passa, nomeadamente com esta estúpida decisão é ainda um péssimo exemplo social, já que configura a vitória do vício perante a virtude; o pactuar com práticas erradas e nefastas; a emissão de sinais errados para os cidadãos, nomeadamente os jovens; a aceitação de que o crime e o erro compensam; o incentivo a práticas ilegais; a desresponsabilização militante; a conformação com a desmoralização, etc..

Um etc. longo e penoso. Mas parece que se perdeu a vergonha na cara!

Veja-se o ponto onde chegámos: as excursões de finalistas dos liceus na época pascal (coincide novamente com a Páscoa…), passaram a ser paradas e revistadas pelas Forças de Segurança, que procuram droga, objectos contundentes e artefactos pirotécnicos (e seguramente não se eximem a recomendar anticontraceptivos…), e os hotéis começaram a não os aceitar, pois as férias transformaram-se em orgias onde vale tudo, face á libertinagem e desregramento em que se passou a viver! É que o que recebem não dá para cobrir os danos nas instalações…

Já não bastava assistirmos à pouca vergonha das claques dos grandes clubes de futebol «marcharem» para os estádios escoltados por esquadrões de polícias armados até aos dentes!

E eu como cidadão tenho que me sujeitar a aturar e a pagar tudo isto?

Sim, porque «tudo isto» e agora voltamos às Salas de Chuto (que nome escabroso), é pago pelo justo contribuinte, não pelo pecador o que, já agora, configura uma injustiça.

Ou não será assim?

Há muito que a podridão convive connosco e nós deixamos. Há décadas que na baixa de Lisboa e Porto, há mais vendedores de droga do que carteiristas, os quais não têm qualquer pejo em oferecer o produto ao passante. Agora a prática recrudesceu com o aumento do turismo, o qual também já está a passar os limites do bom senso.

Onde andará a polícia? Presume-se que a tentar multiplicar o número de associações e sindicatos, para poderem reivindicar e usufruir dos respectivos direitos…

Mas porque não farão tal (o que a própria lei incentiva) se, quando pretendem actuar vêm a sua acção, o mais das vezes, solapada por políticos, «observatórios», associações para a defesa de tudo e mais alguma coisa e, até, de Procuradores e Magistrados?

Que mau aspecto de país em que Portugal se transformou!

E sabendo-se os negócios ilícitos que o tráfico de droga alimenta; a desgraça e o sofrimento que leva às famílias; o incentivo ao roubo e à agressão que o consumo potencia – para já não falar na degradação humana que acarreta – como se pode admitir que os poderes públicos fechem os olhos perante todo este cenário infernal e não combatam com todas as suas forças, todas as situações e aqueles que nelas estão envolvidos?

E como entender que a maioria da população e das instituições nacionais, empresas, etc., sejam tão tolerantes a este descalabro que nos devia levar a pintar a cara de preto?

Já não há pachorra para o maldito do política e socialmente tido como correcto e para as ideias degeneradas de adiantados mentais armados em «práfrentex», que se gostam de assumir como esquerdalhos, mas que apenas são poias em formas poliédricas de caca!

Só há uma maneira de combater o tráfico, é à moda de Singapura. Para grandes males, grandes remédios.

E quanto aos consumidores o que é necessário fazer é substituir as Salas de Chuto (que nome escabroso) – não por clinicas de desintoxicação a preços caros (o que configura mais um negócio…) – por «colónias de férias assistidas», onde os «utentes» fossem perdendo o vício paulatinamente «assistidos»: acampavam em tendas; tinham alvorada pelas 06:00 horas e ida para a caminha às 22:00 horas; faziam desporto obrigatório; tratavam dos animais e das plantas com que se alimentariam; cuidavam das latrinas e tomavam duche diário frio.

Quando saíssem teriam de prestar trabalho cívico (duro) durante um ano (ou mais tendo em vista o tempo de recuperação) e assinavam um documento com aviso sério quanto a futura pena por reincidência.

E iam para o Céu, pois o Senhor lhes perdoaria.

O Mal tem de ser chamado de Mal, e o Bem de Bem! Eis tudo.

Calculo que em dois anos o problema estaria resolvido e até o nosso querido e bem comportado Secretário-Geral da ONU acharia uma iniciativa «interessante» para a paz no planeta e nosso não menos querido PR ficaria satisfeito só de pensar na quantidade de «selfies» que poderia tirar com cada um dos recuperados.

Quem quer apostar?


[1] «Roussionismo», neologismo, derivado de Jean Jacques Rousseau.

[2] Que não existe…





quarta-feira, 21 de março de 2018

Desmascarada mais uma aldrabice de Bergoglio e comparsas




Nuno Serras Pereira (18.03.2018)

MAIS UMA NOVIDADE SOBRE A CARTA DE BENTO XVI

Confirmou-se ontem que a carta pessoal de Bento XVI foi enviada expressamente, por escrito, como sendo de natureza reservada. O Vaticano, quem o representou, ao não respeitar essa vontade explícita do seu autor, cometeu um grave abuso. Mais sórdido ainda foi não só a omissão de um parágrafo, a que já me referi, em N.B. no texto anterior, mas de um outro, ainda mais importante, como ontem se soube. A astúcia ignóbil, para não dizer diabólica, que pretendia persuadir a Igreja e o mundo que Bento XVI dava o seu «imprimatur», o seu assentimento, às interpretações imundas dos círculos considerados próximos de Francisco foi desmascarada saindo-lhes o tiro pela culatra.

Este segundo parágrafo é claríssimo:

«Marginalmente quereria indicar a minha surpresa pelo facto de que entre os autores esteja também o professor Hunermann, que durante o meu pontificado se distinguiu por ter encabeçado iniciativas anti-papais. Participou de modo relevante no lançamento da «Kölner Erklärimg», que, em relação à encíclica «Veritatis splendor», atacou de modo violento a autoridade magistral (de magistério) do Papa especialmente sobre questões de teologia moral. Também a «Europäische Theologengesellschaft», que ele fundou, inicialmente por ele pensada como uma organização em oposição ao magistério papal. Posteriormente, o sentir eclesial (sentir com a Igreja) de muitos teólogos estorvou esta orientação transformando (tornando) aquela organização numa ocasião que proporcionava um encontro normal de teólogos. Estou certo de que compreenderá a minha recusa (negação). Saúdo-o cordialmente ... Bento XVI». (tradução e negritos meus).[1]

Não admira, pois, que Riccardo Cascioli tenha concluído:«Ma a parte il fatto che bisognerebbe capire cosa si debba intendere per «continuità interiore» (così è scritto nella lettera del papa emerito) visto che difficilmente una continuità nel Magistero si può definire così, la questione è sui contenuti. Come si può sostenere la continuità quando a spiegare Francesco si chiamano teologi che attribuiscono al pontificato attuale il valore di una nuova Chiesa, che parlano di «nuovi paradigmi» e «svolte antropologiche» attaccando o svilendo gli insegnamenti di Giovanni Paolo II e Benedetto XVI? E la questione non riguarda solo i «volumetti» dell’«operazione Benedetto XVI». È in atto da tempo una sistematica operazione di smantellamento del Magistero dei papi precedenti, dalla liturgia alla morale, dai sacramenti alla Dottrina sociale. Salvo poi cercare di «usare» forzatamente i precedenti pontefici per legittimare le svolte attuali. L’«affare Viganò», con tutta la sua goffaggine, è soltanto la punta dell’iceberg[2]

Tudo isto me leva a crer que a interpretação, da carta de Papa Bento XVI, que fiz no texto anterior estará correcta.


[1] Ver original e traduções: http://magister.blogautore.espresso.repubblica.it/
http://www.vaticannews.va/it/papa/news/2018-03/lettera-integrale-papa-emerito-benedetto-xvi-a-mons--vigano.html

[2] In http://www.lanuovabq.it/it/scandalo-vigano-mancano-due-lettere





sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Carta aberta a Rui Rio



Caro companheiro Rui Rio,

Acabaste de ser eleito Presidente da Comissão Política Nacional do PPD numa eleição em que grande parte dos militantes votou num dos candidatos para que o outro não ganhasse, sendo que muitos deles nem isso fizeram.

Calhou-te a ti o brinde ou a fava, segundo o ponto de vista.

É bom que a consciência desta realidade te acompanhe durante o teu mandato para gerires da melhor maneira os destinos do Partido.

Nós, reunidos no movimento de reflexão Portugal Laranja, — em que participam quer daqueles que votaram em ti, quer no outro candidato, ou em nenhum, apenas em função de apreciações meramente subjectivas face ao que julgaram ser mais conveniente para o que todos queremos para o PPD e para Portugal — move-nos a defesa do conjunto de valores e políticas que reputamos de essenciais para o bem-estar dos Portugueses.

Não nos move, portanto, a obediência a qualquer grupo de interesses, de políticas indefinidas, alinhamentos erráticos ao sabor dos egos, guerras antinacionais Norte-Sul, tudo sempre ignorando os superiores interesses de Portugal e dos Portugueses.

Sim, frontalmente, nós pretendemos interpretar as consciências caladas de dezenas de milhares de militantes e de milhões de eleitores do Partido, sempre esperançados nas mudanças para bem do País mas sistematicamente frustrados com aquilo que se tem resumido a uma dança de cadeiras.

Não nos ocupamos neste momento da táctica do Partido face ao inimigo, que é a esquerda, nesta ou naquela circunstância política. A táctica é para ser avaliada na circunstância.

Tão-pouco é agora a estratégia que tem a prioridade das nossas preocupações. Ela só pode ser definida depois de se definir o modelo de sociedade que se quer, com os seus próprios valores.

O que nos preocupa sumamente neste momento é precisamente o que qualquer dirigente do Partido possa querer como modelo de sociedade, isto é, que valores defende ou atropela.

Nós, militantes reunidos no movimento de reflexão Portugal Laranja, expressamos a nossa inequívoca defesa dos princípios e objectivos políticos que entendemos que o Partido deveria procurar independentemente das conjunturas que passam e das direcções efémeras que desfilam. Eis os princípios que nos norteiam e objectivos que prosseguimos. Cá dentro e lá fora.

1 — Valores da Civilização — Defendemos a Civilização europeia e a sua matriz ética, a vida humana desde a concepção até à morte natural, a família natural como única forma de família, a moral pública e o bem comum.

2 — Portugal na Europa e no mundo — Queremos uma Europa de identidade europeia, de cultura europeia e das nações europeias e a integração de Portugal nesse espaço e nas alianças ocidentais, salvaguardando sempre a nossa independência política, cultura, língua, identidade, tradições e economia, e em união com a diáspora portuguesa.

3 — Natureza do Estado — Opomo-nos ao socialismo e ao liberalismo, defendemos o Estado forte, independente de capelinhas e baronatos regionalistas, financeiros ou outros, o Estado regulador, nomeadamente na moral e na economia, bem dimensionado para as suas funções, firme e decidido e agente da moral pública e da ordem pública.

4 — Papel do Estado  — Defendemos o Estado claramente assumido como superior protector da Civilização, da Nação e do bem comum.

Pensamos ainda que o Partido deve tomar seriamente como sua tarefa a formação dos seus militantes para que estejam à altura de agir na política com rigor e eficácia a defender estes valores.

São, no fundo, estas as preocupações da larga maioria dos militantes. Por estes princípios e objectivos nos batemos.

Podes, pois, contar com a nossa total disponibilidade para defender estas políticas e nunca o seu contrário, não aquilo que conduziu às mordomias, ao marasmo económico, à degradação da educação, à crise moral, ao suicídio demográfico, ao abastardamento da língua, à perda da independência nacional.


Lisboa, 15 de Fevereiro de 2018

A Comissão Coordenadora de Portugal Laranja





domingo, 21 de janeiro de 2018

A miséria moral no Corpo Diplomático Português


A parelha abusadora do Estado.

Quem pensasse que o caso julgado do embaixador homossexual, no caso também pedófilo, Jorge Ritto era único no Corpo Diplomático Português, engana-se.

No dia 17 de Dezembro de 2017, teve lugar na Embaixada de Portugal em Banguecoque a degradante cena da boda de um suposto «casamento» entre o Embaixador de Portugal, Francisco Vaz Patto, e um americano, Kevin Colleary.

No caso existem vários aspectos a salientar.

despudor provocatório numa representação de Portugal.

O primeiro aspecto é que Portugal é representado num país estrangeiro por um indivíduo que possui um perfil obviamente desprestigiante. Está em causa o bom nome de Portugal.

O segundo aspecto é que o indivíduo em questão, com tais características somáticas e psíquicas de fragilidades, nunca estará à altura do desempenho isento e com segurança para o Estado nas funções que este lhe exige e para o que lhe paga. Está em causa a competência para a função.

O enxovalho das armas de Portugal e de Portugal.

O terceiro aspecto é que a Embaixada de Portugal foi escandalosamente utilizada para fins «recreativos» pessoais, contra o sentir da esmagadora maioria dos Portugueses e a missão de uma embaixada de um país civilizado, embora no âmbito das práticas vulgarizadas por uma minoria activa instalada nos corredores do poder político e da comunicação social, procurando tornar normal a anormalidade antropológica, psíquica e moral. Está em causa a utilização abusiva de bens do Estado por privados, com a agravante dessa utilização enxovalhar o bom nome de Portugal.

O quarto aspecto é que a Embaixada de Portugal foi abusivamente utilizada para fins pessoais. É preciso esclarecer quem pagou as despesas específicas da boda, o que deve ser inquirido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, a saber: a) utilização das instalações e equipamentos do Estado (água, electricidade, pessoal, etc.); b) comida e bebidas. Está em causa a boa utilização dos impostos pagos pelos Portugueses.

A degradação humana «chique».

No Corpo Diplomático Português, o caso Patto acontece de portas abertas. Mas consta que, ao longo dos anos, têm existido situações semelhantes, ignoradas sistematicamente pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, ou até cobertas ou semi-cobertas por alguns dos seus funcionários e políticos, como aconteceu no caso de Jorge Ritto.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros tem a responsabilidade pessoal de inquirir e resolver tais problemas, sob pena de se tornar conivente com os prevaricadores.

Governante à altura ou mais um conivente





sábado, 6 de janeiro de 2018

Bem-vindo ao Inferno chamado Bruxelas


Batalhão de choque com apoio de um canhão de água e blindado antiprotesto, tentando afastar
arruaceiros do centro de Bruxelas, Bélgica, em 12 de Novembro. Centenas de «jovens»
de origem estrangeira «comemoravam» a classificação para o Mundial de Futebol
da equipa marroquina promovendo tumultos, nos quais 22 policiais ficaram feridos.
(Imagem: captura de tela de vídeo da Ruptly)

Drieu Godefridi, Gatestone Institute, 31 de Dezembro de 2017



Original em inglês: Welcome to the Hell Hole that is Brussels

Tradução: Joseph Skilnik




  • No mês passado Bruxelas foi alvo de três ondas de tumultos e saques numa gigantesca escala.
  • Ao penetrarmos na espessa nuvem da indignação profissional, a fim de esmiuçarmos a realidade da «capital da Europa», o que se pode observar em muitos aspectos é na realidade um verdadeiro Inferno, onde o socialismo, islamismo, confusão e saques são o lugar-comum.
Quando o então candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump salientou em Janeiro de 2016 que, graças à imigração em massa, Bruxelas estava a transformar-se num Inferno, políticos belgas e europeus unidos entrincheiraram-se nas barricadas dos media afirmando: como ele ousa dizer uma coisa destas? Bruxelas, capital da União Europeia, quinta-essência do mundo pós-moderno, vanguarda da nova «civilização global», Inferno? Indubitavelmente a assimilação dos recém-chegados nem sempre é tranquila, podendo haver atritos de tempos a tempos. Mas não importa, eles tornam saliente o seguinte: Trump é um fanfarrão e seja lá como for ele tem zero probabilidades de ser eleito. Estas eram as opiniões dos ávidos leitores do The New York Times International Edition e assíduos telespectadores da CNN International.

No entanto, Donald Trump, no seu inconfundível e impetuoso estilo, simplesmente estava certo: Bruxelas está a mergulhar rapidamente no caos e na anarquia. Exactamente dois meses depois deste dramático «trumpismo», Bruxelas foi abalada por um execrável ataque terrorista islâmico que tirou a vida a 32 pessoas. Esta é somente a ponta do monstruoso iceberg que se vem  avolumando há mais de três décadas via imigração em massa e loucura socialista.

No mês passado Bruxelas foi alvo de três ondas de tumultos e saques numa gigantesca escala.

Primeiro, Marrocos classificou-se para o Mundial de Futebol: entre 300 e 500 «jovens» de origem estrangeira tomaram as ruas de Bruxelas para «comemorar» o acontecimento à maneira deles, saqueando dezenas de lojas no centro histórico de Bruxelas, devastando avenidas desertas da «capital da civilização» e, no meio do quebra-quebra feriram 22 policias.

Três dias mais tarde, uma estrela da música rap das redes sociais chamada «Vargasss 92», cidadã francesa de origem estrangeira, resolveu organizar outra «comemoração» não autorizada no centro de Bruxelas, que rapidamente se transformou em mais um quebra-quebra. Lojas foram novamente destruídas e pessoas foram agredidas sem motivo algum a não ser o de estarem no lugar errado na hora errada. Breves videoclipes do acontecimento foram transmitidos pelas redes sociais, mostrando ao mundo (e aos belgas) a verdadeira face de Bruxelas sem a maquilhagem dos políticos. Não é de se admirar que a elite política da Europa odeie do fundo d'alma as redes sociais. Preferem a imprensa tradicional, politicamente correcta, fortemente subsidiada tanto em França quanto na francófona Bélgica.

Por fim, em 25 de Novembro, as autoridades socialistas que administram a cidade de Bruxelas tiveram a brilhante ideia de autorizar a realização de uma manifestação contra a escravidão na Líbia que rapidamente se precipitou em mais uma confusão: lojas destruídas, carros incendiados, 71 pessoas presas.

Este vale-tudo, sem a menor justificação política, é o novo lugar-comum em Bruxelas. Os políticos podem não gostar desta realidade, consequência do seu lamentável fracasso, mas é, no entanto, uma verdade incomensurável além de inevitável. A nova Bruxelas caracteriza-se por tumultos e saques cometidos por pessoas de origem estrangeira, bem como pela ininterrupta presença de militares fortemente armados nas ruas de Bruxelas, paradigma desde 22 de Março de 2016, dia em que islamistas europeus assassinaram 32 pessoas e outras 340 ficaram feridas no pior ataque terrorista na Bélgica.

Desperta curiosidade saber porque é que estes belos soldados belgas que patrulham as ruas não fazem nada para evitar a bagunça. Pelo simples motivo de que está fora da sua alçada. Se um soldado ferir um saqueador, provavelmente será execrado em público, ridicularizado pelos media, julgado e expulso do exército com desonra.

Seria engraçado se não fosse gravíssimo. Depois dos dois primeiros tumultos desta última série, a televisão estatal belga (RTBF) organizou um debate com a participação de políticos e especialistas de Bruxelas. Entre os participantes estava o senador Alain Destexhe, do movimento reformista de centro-direita (partido do primeiro-ministro belga).

Destexhe é uma figura interessante na política belga. Na Bélgica francófona,  tem sido um dos poucos a dizer publicamente que a imigração em massa que os belgas estão impondo a si próprios é insustentável, que o Islão não pode ser considerado uma religião tão pacífica assim e que as escolas nas quais 90% das crianças são de origem estrangeira e que não falam francês nem holandês em casa, não são a receita ideal para o sucesso. Declarações como estas podem até ser o óbvio em grande parte do mundo ocidental, mas na parte francófona da Bélgica, fortemente influenciada pela visão do mundo dos franceses, foi considerado de extrema-direita, extremista até, racista e outras subtilezas que a esquerda aprecia tachar.

No debate, assim que Destexhe tentou provar que existe uma conexão entre a não integração de muitas pessoas de origem estrangeira em Bruxelas e o alto grau de imigração que já dura décadas, o moderador literalmente gritou com ele salientando que «a migração não é o assunto do debate Monsieur Destexhe! MIGRAÇÃO NÃO É O ASSUNTO, PARE COM ISSO!», antes de dar a palavra a um «poeta sem papas na língua», uma jovem que explicou que o problema é que as mulheres que usam o véu islâmico (que ela mesma usa) não se sentem bem-vindas em Bruxelas. A plateia foi logo estimulada a aplaudi-la. Também no estúdio encontrava-se um político do Partido Verde que afirmou: «ninguém sabe qual é a origem dos arruaceiros». Dica: eles «comemoravam», de maneira idiossincrásica a vitória de Marrocos. Um glorioso momento do surrealismo belga? Nada disso, apenas um típico «debate» político na Bélgica de língua francesa, excepto que normalmente Destexhe não é convidado.

O quadro não estaria completo sem mencionar que justamente na noite em que começou o quebra-quebra, 11 de Novembro, uma associação chamada MRAX (Mouvement contre le racisme, l'antisémitisme et la xénophobie) publicou na sua página no Facebook um apelo para que se denunciasse qualquer caso de «provocação policial» ou «violência policial». Resultado da revolta? Número de policias feridos: 22, número de prisões: zero. MRAX não é só um monte de esquerdistas que simpatizam com os islamistas, recebem pesados recursos pagos com dinheiro dos contribuintes. Os movimentos de direita também são financiados pelos contribuintes? Resumindo numa palavra: não. Em Bruxelas a taxa de desemprego é surpreendentemente de 16,9%, é assombroso também que 90% dos que dependem do Estado de bem-estar social tenham origens estrangeiras e, ainda que os impostos estejam entre os mais altos do mundo, os cofres públicos estão, apesar disso, a sangrar. Um breve flash de mais um fracasso socialista.

Mas há esperança. Bruxelas não se resume em Molenbeek e em tumultos, a municipalidade conta com uma robusta tradição de empreendedorismo, o governo federal da Bélgica, em particular o componente flamengo conhece bem os desafios que precisam ser enfrentados. Mas nada vai mudar se não for reconhecido que, em muitos aspectos, Bruxelas se transformou, da opulenta cidade conservadora e «burguesa» que era há 25 anos, num Inferno.

Ironicamente o que Bruxelas obviamente precisa é de um Donald Trump.





quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Alemanha, Áustria: Imãs advertem muçulmanos a não se integrarem

Centro Islâmico de Viena.
(Imagem: Zairon/Wikimedia Commons)

Stefan Frank, Gatestone Institute, 3 de Janeiro de 2018

Original em inglês: Germany, Austria:
Imams Warn Muslims Not to Integrate

Tradução: Joseph Skilnik

  • «Enquanto fora da mesquita se conversa muito sobre integração, dentro dela o contrário é pregado. Somente em casos excepcionais, trechos do sermão, e mais excepcionalmente ainda, todo o sermão, é traduzido para o idioma alemão...» — Constantin Schreiber, autor de Dentro do Islão: O que está a ser pregado nas mesquitas da Alemanha.
  • «Os políticos que enfatizam repetidamente a intenção de cooperarem com as mesquitas, que convidam os seus membros para conferências sobre o Islão, não fazem ideia de quem está a pregar o quê naquelas mesquitas». − Necla Kelek, consagrada activista dos direitos humanos e crítica do Islão, no Allgemeine Zeitung.
Na polémica que gira em torno dos migrantes na Alemanha e na Áustria, nenhum outro termo é usado com mais frequência do que «integração». Contudo, a instituição mais prestigiada por muitos migrantes muçulmanos, via de regra, não colabora muito neste empreendimento e não raramente se opõe a ele, qual seja: a mesquita. Esta é a conclusão de um estudo oficial austríaco, bem como de um levantamento do sector privado realizado por um jornalista alemão.

No final de Setembro, o Austrian Integration Fund (ÖIF), órgão do Ministério das Relações Exteriores, publicou o estudo: «o papel da mesquita no processo de integração». Para efeitos do estudo, funcionários do ÖIF estiveram em dezasseis mesquitas em Viena, participaram em diversos sermões à sexta-feira e conversaram com os imãs em segredo, isto é, quando os imãs se disponibilizavam a conversar, o que amiúde não era o caso. A conclusão, de acordo com o ÖIF, é que apenas duas das associações de mesquitas fomentam a integração dos seus membros. O estudo aplaude uma associação de mesquitas da Bósnia que também dirige um clube de futebol. Durante a conversa, o imã salientou: «qualquer país, como a Áustria por exemplo, tem as suas leis e os seus costumes e não me canso de dizer, é nosso dever religioso respeitar as normas e integrar-se como manda o modelo».

No tocante aos papéis de género, em todas as mesquitas em que estiveram, os autores foram surpreendidos pela quase total ausência de mulheres nas rezas à sexta-feira:

«Apenas três das mesquitas percorridas... proporcionam espaço reservado para as mulheres, reservado e ocupado por elas. Caso haja este tipo de acomodação, a maioria das mesquitas também transforma estes espaços à sexta-feira em lugares para os homens».

Separação por etnia

Salvo raríssimas excepções, as mesquitas de Viena são divididas de acordo com a etnia:

«Há mesquitas turcas, albanesas, bósnias, árabes, paquistanesas e outras, nas quais os sermões são, via de regra, proferidos exclusivamente no respectivo idioma da terra natal. Somente em casos excepcionais, trechos do sermão, e mais excepcionalmente ainda, todo o sermão, é traduzido para o idioma alemão».

Portanto as associações de mesquitas são «espaços fechados em termos de etnia e idioma». Esta diferenciação estimula a «integração social num ambiente étnico próprio e, consequentemente, a segmentação étnica». Em oito das dezasseis mesquitas avaliadas, esta propensão é ainda mais reforçada pelo «nacionalismo predominante, flagrantemente difundido».

A mesquita gerida pelo movimento turco Milli Görüs destacou-se pelo alto grau de radicalismo. Milli Görüs é uma das organizações islâmicas da Europa mais influentes e está intimamente ligada ideologicamente ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan. De acordo com o estudo, o imã da mesquita de Milli Görüs «defende abertamente o estabelecimento de uma Ummah (nação muçulmana) politicamente unida regida por um califado». Atribui a instabilidade no Islão à fitna («revolta») trazida para a comunidade islâmica de fora para dentro. Segundo os autores do estudo, o imã «vê-se cercado em todo o lado pelos inimigos do Islão que querem impedir a comunidade islâmica de dominar o mundo conforme previsto nas profecias». Nos três serviços religiosos nos quais participámos, o tema crucial era a unidade dos muçulmanos: muçulmanos de um lado, «infiéis» do outro. De acordo com o estudo, algumas das declarações do imã indicaram uma «pesada visão do mundo impulsionada por teorias da conspiração», como por exemplo: «as forças que estão fora da Ummah fizeram tudo o que estava ao seu alcance para minar a percepção da Ummah pela própria Ummah».

A conclusão do estudo assinala:

«Em síntese, poder-se-ia dizer que das dezasseis associações de mesquitas avaliadas neste estudo, com excepção das mesquitas D01 (uma das poucas mesquitas de língua alemã) e B02 (a mesquita da Bósnia mencionada acima), que não promovem diligentemente a integração social dos seus membros. Na melhor das hipóteses não impedem que isso ocorra. Na maioria das vezes têm em si um efeito inibitório no processo de integração».

Conforme a matéria, seis das dezasseis mesquitas avaliadas (37,5%) cortejam «uma política que impede diligentemente a integração dos muçulmanos na sociedade e, até certo ponto, manifestam propensões fundamentalistas». Metade das dezasseis mesquitas examinadas «pregam uma visão do mundo dicotómica, cujo princípio central é a divisão do mundo em muçulmanos de um lado e o restante do outro». Constatou-se que seis das mesquitas praticavam o «enxovalhamento explícito da sociedade ocidental».

Recriminação ao estilo de vida na Alemanha

Observações parecidas foram feitas pelo jornalista alemão Constantin Schreiber que em 2016 passou mais de oito meses a assistir a serviços religiosos à sexta-feira em mesquitas alemãs. Schreiber, fluente em árabe, é conhecido como moderador de programas de televisão em árabe, nos quais explica como funciona a vida na Alemanha aos imigrantes. Publicou as suas experiências nestas mesquitas num livro que esteve na lista dos best sellers na Alemanha durante meses a fio: Dentro do Islão: O que está a ser pregado nas mesquitas da Alemanha.

Schreiber apresentou-se às associações das mesquitas como jornalista, revelando que pretendia escrever um livro de não ficção sobre as mesquitas na Alemanha. Pouquíssimos imãs se dispuseram em aceitar conceder uma entrevista. Numa ocasião, foi informado de que era «proibido» falar com ele. Normalmente os imãs com os quais era permitido conversar não falavam praticamente nada de alemão. «Ao que tudo indica, é possível viver na Alemanha durante anos a fio, com esposa e filhos e sequer ser capaz de falar alemão ao comprar pão», salienta Schreiber.

Um assunto habitual nos sermões que Schreiber assistiu nas mesquitas consistia em recriminações ao estilo de vida na Alemanha.

«Vira e mexe, como acontece na mesquita Al-Furqan (mesquita árabe sunita em Berlim), os muçulmanos parecem estar comprometidos com a ideia de que são uma espécie de comunidade com um destino em comum: 'vocês são a diáspora! Nós somos a diáspora! Eles (alemães) assemelham-se a uma torrente que vos aniquila, que vos destrói e tira de vos os valores e substitui-os pelos valores deles'».

Na mesquita sunita/turca Mehmed Zahid Kotku Tekkesi em Berlim, no sermão à sexta-feira, no dia anterior à véspera de Natal, o imã alertou para a ameaça do «maior de todos os perigos», o «perigo do Natal»: «todo aquele que imita outra tribo torna-se membro dela. É a nossa passagem do Ano Novo? As árvores de Natal têm algo a ver com a gente? Não, nada a ver com a gente!»

O imã da mesquita de Al-Rahman em Magdeburg comparou a vida na Alemanha com um caminho através de uma floresta sedutora, realça Schreiber. Os seus encantos têm o poder de desviar os muçulmanos, de afastá-los do caminho da virtude, de perderem o caminho na «mata densa» até serem «devorados pelos animais selvagens que vivem na floresta».

O Estado não tem uma panorâmica clara

O que chamou a atenção de Schreiber, ainda no estágio de planeamento das visitas às mesquitas, foi a falta de transparência envolvendo as mesquitas na Alemanha. Para começar, não existe um directório oficial de mesquitas. Ninguém sabe quantas mesquitas existem na Alemanha. O Website Moscheesuche.de, mantido pela iniciativa privada, é o único cadastro desta natureza. «De modo que as autoridades alemãs», salienta Schreiber, «dependem de cadastros compilados por um particular, que obviamente é caracterizado por um determinado posicionamento ideológico». Além disso, como a inserção de dados no cadastro é voluntária, é incerto se as mesquitas que desejam permanecer à socapa estejam lá cadastradas. Schreiber considera improvável que o cadastro esteja perto de ser concluído ou actualizado:

«Deparei-me com mesquitas que constam do cadastro, mas já não existem, pelo menos por enquanto. Ou então mesquitas recém inauguradas que não estão registadas em nenhum lugar, nem os serviços de inteligência nem as autoridades regionais sabem da sua existência».

Além disso, o pedido de Schreiber à prefeitura de Hanover revelou que as autoridades alemãs sentem-se constrangidas no tocante ao fornecimento de informações sobre as mesquitas da sua própria cidade. Um funcionário da administração local escreveu num e-mail: «por gentileza, forneça informações mais detalhadas sobre a finalidade do cadastro. Não queremos que estas instituições estejam sob suspeição generalizada».

Medo e silêncio

Schreiber ficou surpreendido com a reacção defensiva daqueles cujas profissões exigem transparência e cooperação. Como Schreiber queria certificar-se de que, na tradução dos sermões, não haveria nenhuma interpretação errada, contactou o que afirma ser uma das agências de tradução mais conceituadas da Alemanha:

«A agência solicitou o envio da transcrição de um dos sermões para análise e estimativa de precificação. A agência recusou o trabalho. O texto foi considerado 'fora da alçada habitual de trabalho' dos tradutores, uma vez que não havia ninguém suficientemente seguro para traduzir correctamente este tipo de texto».

Achar um tradutor dos sermões proferidos no idioma turco também foi difícil: «o simples facto de estar interessado neste assunto resultava na imediata acusação de que o que eu realmente queria era instigar «atacar o Islão».

Schreiber também se viu diante de forte resistência ao procurar estudiosos alemães especializados no Islão para conversar com eles sobre o conteúdo dos sermões. Professores universitários, cujos salários são pagos pelos contribuintes alemães, recusaram-se em providenciar informações sobre matéria relacionada com a sua própria especialidade.

«Durante meses a fio, enviei consultas a diversas faculdades de estudos islâmicos com as quais trocávamos ideias na nossa função de editores. Uma universidade ficou a enrolar-me durante meses com a desculpa de que ainda estavam a procurar a pessoa certa. Em 16 de Dezembro, isto é, três meses depois do meu primeiro pedido, o professor de estudos islâmicos escreveu-me que já não havia tempo suficiente para marcar uma reunião. Quando respondi que, se necessário fosse, poderíamos marcar outra reunião no início de Janeiro, não recebi mais nenhuma resposta. Vários professores da universidade pediram-me para que lhes enviasse os sermões, o que eu fiz de imediato. Após enviá-los não recebi mais nenhum e-mail, sequer uma confirmação do recebimento».

Segundo Schreiber, todo este trabalho mostrou ser uma «experiência interessante», a despeito do facto de estudiosos de estudos islâmicos e especialistas em Islão «serem por demais prestativos em se disponibilizarem em conceder entrevistas sobre questões de política actual». Entretanto, esta abertura não existe, quando se trata de sermões em mesquitas alemãs: «inúmeros especialistas evitam-me após receberem as minhas perguntas, sem responderem, de forma consistente, aos meus e-mails». Um estudioso do Islão  aconselhou-me, indirectamente, a abandonar o projecto, porque isso poderia, «hipoteticamente», «aumentar ainda mais o abismo». Porquê isto? Porque, segundo este estudioso de estudos islâmicos, «mesmo leitores liberais e tolerantes poderiam facilmente achar estes textos extremamente incompreensíveis e estranhos, bem como grosseiros».

Políticos ingénuos

A conclusão de Schreiber sobre os sermões que presenciou:

«Após 8 meses de pesquisa devo dizer que as mesquitas são espaços políticos. A maioria dos sermões em que participei visava resistir à integração dos muçulmanos na sociedade alemã. Quando o assunto se voltava para o estilo de vida na Alemanha, isto acontecia primordialmente em contexto negativo. Normalmente os imãs retratavam a vida quotidiana na Alemanha como ameaça e exortavam as suas comunidades a resistirem. A característica comum de quase todos os sermões é o apelo aos fiéis para se fecharem e não compartilharem».

Em «todas as mesquitas praticamente», Schreiber notou a presença de «dezenas de refugiados que não estavam há muito tempo na Alemanha». Eles também tinham sido alertados para o perigo da integração: «fora da mesquita há muita conversa sobre integração, o contrário é pregado dentro dela».

O perigo desta abordagem fica evidente pelo assassinato de Farina S., uma afegã que foi assassinada na cidade bávara de Prien. Há oito anos ela abandonou o Islão, converteu-se ao cristianismo e, dois anos depois, fugiu para a Alemanha. Em 29 de Abril, foi assassinada por um muçulmano afegão em plena luz do dia. Inúmeros muçulmanos que moram na cidade foram ao funeral, ao passo que as associações de mesquitas faziam de conta que o assassinato não lhes dizia respeito. Karl-Friedrich Wackerbarth, pastor da igreja evangélica de Prien, onde Farima S. era filiada, pediu às associações que condenassem o crime. Em Outubro, meio ano após o assassinato, respondeu a um pedido do Gatestone Institute: «lamentavelmente, até hoje», salientou, «ninguém se manifestou».

Wackerbarth acha que as associações islâmicas não querem emitir um comunicado contra as fatwas emitidas pela Universidade Al-Azhar do Cairo e de outras, segundo as quais os «apóstatas» (aqueles que abandonam o Islão) devem ser mortos.

Este quadro levanta a questão da razão do governo alemão acreditar que as associações de mesquitas o ajude a resolver os problemas. Não faz muito tempo, a consagrada activista dos direitos humanos e crítica do Islão, Necla Kelek salientou:

«Os políticos que enfatizam repetidamente a intenção de cooperarem com as mesquitas, que convidam os seus membros para conferências sobre o Islão, não fazem ideia de quem está pregando o quê naquelas mesquitas».